Por Gerson Nogueira
O que faz com que nossos clubes mais tradicionais ainda tenham algum respeito e certo prestígio no país do futebol? Não precisa pensar muito para achar a resposta: a dimensão impressionante de suas torcidas. Ontem, o Mangueirão foi palco novamente de uma exibição de força. Ao lotar as arquibancadas, a massa azulina mostrou que torce por um clube ainda grande, embora em constante crise de identidade.
Os 40 mil espectadores fizeram um espetáculo na maioria das vezes bem mais interessante que o jogo propriamente dito. Fazia tempo, por exemplo, que não se via um coro de milhares de vozes cantando o hino do próprio clube, sufocando a cantoria agressiva e sem sentido das “organizadas”.
No primeiro tempo nervoso e interrompido pelas muitas faltas, o Remo foi empurrado pelos gritos de incentivo do torcedor, preocupado com a lentidão e o nervosismo de alguns jogadores. Quando o Águia ensaiava um cerco mais organizado lá vinha o urro da galera para recolocar os azulinos no jogo.
Ficou evidente, em vários lances, a insegurança de alguns jogadores do Remo, inibidos diante de tanta gente. O Águia, que era visita e nada tinha com isso, tratou de se organizar e foi construindo situações de perigo, como quando Rayro quase marcou em jogada na linha de fundo. Ou, minutos depois, quando o chute de Léo Rosas estourou em nova intervenção precisa do reserva Jamilton.
Com pouca inspiração para ligar o meio-campo ao ataque, o Remo demonstrava dificuldades para superar o bloqueio defensivo marabaense. Joãozinho, um dos mais instáveis, não acertava um passe. Jhonnatan, um dos esteios do time, parecia pouco à vontade como meia recuado – ou seria volante avançado?
Na única manobra mais elaborada, que envolveu Aldivan e Reis, a bola chegou a Fábio Oliveira, que precipitou a finalização e acabou recuando para o goleiro Alan quando tinha tudo para abrir o marcador. Na zaga, excetuando os dois cochilos já citados, Edinho se sobressaía comandando as antecipações e disputas pelo alto.
O Águia terminou o primeiro tempo lamentando a falta de maior precisão de seus atacantes, pois a meia cancha até funcionou bem, com Flamel e Wando se movimentando muito, cavando muitas faltas e incomodando o setor de defesa do Remo.
Quando os times voltaram do intervalo, Flávio Lopes havia feito uma alteração fundamental para dar mais agressividade ao Remo. Trocou Joãozinho por Marciano, deixando Fábio Oliveira menos isolado. Em poucos minutos, o ataque criou duas boas situações, resultantes de tabelinhas envolvendo Reis e Tiago Cametá.
Logo depois, o Águia perdeu Charles por jogo violento e o Remo achou o caminho das redes. Marciano deu uma meia volta na zaga e cruzou para Fábio marcar. Sem baixar o ritmo, o time seguiu perseguindo o segundo gol, explorando as brechas que a defesa do Águia passou a dar. Em nova jogada pela direita, a bola sobrou para Jhonnatan (que já ia ser substituído) finalizar com perfeição, ampliando o placar.
Com 2 a 0, a tarefa do Águia ficava praticamente impossível e o Remo só precisou controlar as ações no meio e na defesa para chegar, com méritos, ao suado título do returno. E sem precisar arriscar com Adriano e Cassiano.
Foi do técnico Flávio Lopes a decisão final de tirar Adriano do jogo, depois que a diretoria permaneceu dividida sobre o assunto até a manhã de domingo. O posicionamento firme do treinador aumentou ainda mais seu prestígio, que já era considerável, junto à cúpula azulina. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
A coluna escolhe, como sempre, o melhor time do returno. Aqui vai a escalação: Adriano; Pikachu, Edinho, Roberto e Jairinho; André, Jhonnatan, Flamel e Tiago Potiguar; Branco e Cassiano. Técnico: Flávio Lopes.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 30)

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