Não esperava grande coisa da estréia do Brasil no Sul-Americano disputado no Peru. A seleção treinada por Ney Franco conta com bons valores, mas não fez uma fase preparatória de encher as medidas. A expectativa maior era quanto a Neymar, grande estrela da equipe e principal promessa de craque da nova geração. E o jovem santista fez sua parte com requintes de talento. Se ainda havia dúvida quanto ao seu potencial decisivo, ela caiu por terra anteontem à noite.
Em duas jogadas, logo no começo, apresentou logo o cartão de visitas. Deixou claro que não tomaria conhecimento dos marcadores. Agia com desenvoltura, como se estivesse em plena Vila Belmiro. Com a camisa 7 que foi de Garrincha um dia, partia para cima dos paraguaios, aplicando fintas e exibindo sua excepcional habilidade.
Como os dribles se repetiam e os zagueiros já demonstravam irritação, o comentarista da TV dedicava-se a criticar Neymar, atacando o “excesso de individualismo” e a tendência a ignorar os companheiros. Ora, Neymar agia com sabedoria: seus parceiros, sem exceção, estão um degrau abaixo e não dialogam com ele, nem podem.
Ante essa solidão, fazia o que cabe a um jogador diferenciado. Concentrava as jogadas e atraía a marcação de até quatro adversários, abrindo espaço para os homens de meio-campo. Importante: acostumado a apanhar desde sempre, o moleque enfrentava as pancadas com destemor e sem tirar aquele sorriso debochado do rosto. Aí, então, os gols foram brotando naturalmente. Com impressionante velocidade e boa dose de equilíbrio para sobreviver aos pontapés, foi dominando um jogo que a Seleção não demonstrava, coletivamente, condições de vencer.
O primeiro gol foi comum, de pênalti, mas os demais levaram a inconfundível marca do craque. O último, em especial, foi pura obra de arte, que só os realmente bons de bola são capazes de assinar. Quase com despretensão, apareceu livre pelo lado esquerdo da área e encobriu com um leve toque o goleiro que tentava fechar o ângulo.
Depois do show, restou sentir pena do pobre comentarista, para quem o excesso faz mal. Garrincha, Canhoteiro, Joãozinho, Rivelino, Maradona e Messi desmentem essa teoria cartesiana que só se aplica aos normais.
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O sempre vigilante Jaciel Paes expõe, em mensagem à coluna, sua apreensão com as dívidas trabalhistas do Paissandu e com a política de trazer uma legião de veteranos. “O campeonato paraense está resumido ao Re-Pa. Ou seja, quem perder vai dispensar meio time, inclusive o técnico, e aí a dívida trabalhista aumenta”, justifica. Em primeira instância, o Paissandu tem 30 processos em plena execução, informa. Dois casos ilustram bem as preocupações de Jaciel. Para o dia 1º de fevereiro, está marcada a audiência na 5ª Vara do Trabalho de Belém entre o clube e o jogador Balão, que pleiteia R$ 492.351,23 de indenização. No dia 22, na 3ª Vara, acontece a audiência de Carlos Montoril Del Castilho (professor de basquete), que reclama R$ 94.554,52.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 19)
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