Na entrevista do Luiz Carlos Barbieri à TV RBA, depois do jogo com o Cametá, ficou claro o desconforto do técnico em relação à diretoria do Paissandu. A não ser que estivesse delirando, Barbieri disse que precisava de apoio nos momentos difíceis. Disse, ainda, que na hora dos maus resultados com a torcida fungando no cangote “ninguém aparece” nos vestiários. O recado foi claro.
Direto e claro, sem escamotear o fato de que a equipe voltou a jogar mal, tropeçando no Cametá e merecendo plenamente os apupos do torcedor, o treinador reafirmou que tem o grupo sob controle e que confia no potencial dos jogadores que indicou para o elenco. Mas, obviamente, precisa sentir segurança para que o trabalho possa ser desempenhado com tranqüilidade.
Pela reação dos torcedores, indignados com a fraca produção do time, ficou a impressão de que o torcedor não terá tanta paciência para aturar novos tropeços depois da sequência de quatro empates – jogos contra o Remo, Potiguar, Águia e Cametá. Nesse aspecto, Barbieri parece ter se apressado a alertar que está sozinho e que os problemas não envolvem seu grupo de jogadores. E se existem problemas, como ele sugeriu, só podem envolver a relação entre dirigentes e comissão técnica.
Estaria a diretoria do Paissandu jogando a toalha no primeiro turno, conformada com a baixa produção apresentada até aqui e se guardando para o returno? Se for esse o caso, talvez a intenção de reagir na segunda metade do campeonato não seja confiada ao mesmo comandante, o que explica o posicionamento de Barbieri.
De qualquer maneira, com a bola rolando, o time não deu motivos para o torcedor se sentir tranqüilo. O primeiro tempo foi patético, com erros infantis de posicionamento e incontáveis chutões dos zagueiros Leandro Camilo e Paulão em direção a área adversária. Moisés, o mais efetivo do time, era obrigado a voltar até o meio-campo, desempenhando o papel de meia que não se molda às suas características.
O time só melhorou no segundo tempo, já com Zé Augusto e Eanes em campo, mas ainda assim ficou exposto a sustos seguidos – como no gol legítimo de Rodrigo que o árbitro anulou. Claro que a ausência de Sandro é um ponto a considerar, pela capacidade de liderança e organização que o volante tem. No entanto, parece óbvio que o Paissandu não pode depender de apenas um jogador se quiser mesmo chegar ao tricampeonato.
O sábado à noite teve um surpreendente espetáculo de futebol no Baenão. O horário era o menos indicado, mas a torcida compareceu e viu Remo e S. Raimundo se apresentarem muito bem. O primeiro tempo já foi interessante, com ampla movimentação e jogadas de qualidade, mas foi na etapa final que a partida ficou eletrizante. A partir dos 10 minutos, os ataques se sucediam em alta velocidade, com chances de lado a lado. O desequilíbrio foi estabelecido por Samir, que substituiu Gian e comandou a busca remista pela vitória. Acabou recompensado, com méritos, marcando os dois gols que desempataram a partida.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda, 22)
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