POR GERSON NOGUEIRA

O Paysandu brincou perigosamente com a emoção na rodada final da fase classificatória da Série C, sábado (29), no estádio Mangueirão. Diante de 41 mil torcedores, o time repetiu o baixo rendimento coletivo das últimas partidas e permitiu ao adversário chegar à vitória. Para piorar, peças importantes jogaram abaixo das expectativas e da importância do jogo.

Apontado como favorito antes do confronto, pelo fator campo e pela melhor campanha, o Papão sofreu uma derrota inesperada e passou pelo imenso risco de perder a classificação dentro de casa. Por sorte, o desastre foi evitado pelos tropeços de Ypiranga e Guarani na rodada.

As primeiras ações da partida favoreceram o PSC, que teve duas investidas fortes antes dos 20 minutos, ambas com Kleiton Pego, que falhou no momento de finalizar. Luciano Taboca avançou até a área, mas o chute foi nas mãos do goleiro. Ítalo, pouco acionado, não teve chances.

Com a 2ª pior defesa (27 gols), ao lado do Itabaiana e atrás do Maringá (30), o PSC não sofreu pressão na primeira etapa. O Maringá se preocupava em marcar, mas arriscava pouco ao ataque. A exceção foi o perigoso cabeceio de Paulinho quase ao final do 1º tempo.  

O problema mais grave, porém, se localizou no meio, onde Marcinho não conseguiu executar a armação e nem criar condições para os atacantes. Lento e discreto, o meia limitou-se a cobrar faltas e escanteios.

Na etapa final, o PSC chegou ameaçando, logo aos 3 minutos. Edilson cruzou para Kleiton Pego, que cabeceou mal e não aproveitou o rebote. Em seguida, Thalyson substituiu Kleiton Pego, muito vaiado pela atuação ruim. Aos 22’, Ítalo teve grande chance, mas mandou a bola na trave.

Veio então o castigo. O Maringá recuperou a bola e se beneficiou de um erro de marcação do PSC. Negueba avançou e tocou para Raí Natalino, que bateu rasteiro na saída de Gabriel Mesquita, aos 39’.

Silêncio no Mangueirão. O gol quebrou por completo o clima de festa. Sob o risco de eliminação, o PSC buscou o empate, mas só criou uma chance, em falta cobrada por Lucas Cardoso que tocou na rede pelo lado de fora.

No fim da partida, torcida e jogadores ficaram por alguns minutos em suspense, à espera da definição dos outros jogos. Com a eliminação de Ypiranga e Guarani, veio finalmente o alívio, mas a derrota deixa lições que precisam ser assimiladas antes da estreia no quadrangular.

“Grupo da morte” é novo grande desafio

O PSC se classificou em 7º lugar e, por isso, caiu no Grupo 2 do quadrangular final, considerado por alguns “a chave da morte”, com Brusque, Ferroviária e Inter de Limeira, times que os bicolores não conseguiram vencer na fase inicial.

Alijado do G4, o Papão perdeu o direito a fazer o jogo final em casa, mas estreia diante do torcedor, provavelmente na segunda-feira, 07, contra o Brusque. Oportunidade de fazer as pazes com a vitória – e com a torcida.

Com receio de novo tropeço no Mangueirão, parte da torcida defende jogar no “caldeirão” da Curuzu, sufocando os adversários. A comissão técnica e a diretoria preferem continuar jogando no Gigante do Bengui.

Ausência de Jajá abre chance para Galeano

O Remo treinou nos últimos dias com a esperança de contar com o artilheiro Jajá para o decisivo jogo desta noite (20h) contra o Coritiba, no Mangueirão. Após reavaliação médica no sábado, o atacante foi vetado, obrigando o técnico Léo Condé a refazer sua estratégia.

Para impor pressão sobre a forte zaga paranaense, a alternativa passa a ser Galeano, que pode ser deslocado para a esquerda, com o ala Marcelinho ocupando o corredor direito. Outra possibilidade é o aproveitamento de Alef Manga como titular, aparecendo pelo esquerdo do ataque.

Com as mudanças, Condé deve ter um meio-campo mais forte na marcação, com Leonel Picco ao lado de Zé Welison e Zé Ricardo. Vítor Bueno e Deivid Braga são alternativas para o setor.

A necessidade de conquistar a vitória obriga o Remo a ser mais propositivo desde os primeiros movimentos. A conquista dos três pontos pode levar o time azulino ao 15º lugar, um salto de quatro posições na tabela.

Contra um adversário bem posicionado no Brasileiro e forte como visitante, o desempenho coletivo precisa ser equilibrado e eficiente. A qualidade no ataque terá que ser balanceada com a segurança na zaga. Contra o Flu, a derrota veio em duas bolas aéreas. O Coxa é especialista nesse tipo de jogada, explorando os atacantes Pedro Rocha e Breno Lopes.

Os treinamentos da semana foram dedicados a corrigir erros básicos cometidos pela equipe. O papel dos volantes precisa ser mais intenso, por isso a marcação deve ficar preferencialmente com Picco e Zé Welison.

Começou a operação “Salve o Peixe”?

Pelo comportamento do Corinthians, ontem, jogando em seu campo, as teorias conspiratórias começam a fazer sentido. Ameaçado na classificação, o Santos fez dois ataques e marcou o gol. E depois se defendeu sem muito esforço, enquanto os corintianos erravam todos os cruzamentos.

Fernando Diniz escalou um time todo estranho, sem centroavante e com um exército de baixinhos para explorar bolas aéreas. Claro que não podia dar certo. Só nos 15 minutos finais colocou Pedro Raul no ataque, mas nada aconteceu também. Cuca, Neymar e o Peixe agradecem.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 31)

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