Por Julio Benchimol Pinto
Renata Vasconcelos perguntou sobre aquecimento global. Flávio Bolsonaro explicou que existem épocas “cíclicas” de calor e frio, relativizou a responsabilidade humana – contrariando o consenso científico – e, perguntado sobre o que faria para enfrentar a crise climática, sacou a grande solução: saneamento básico.
Pronto.
Décadas de IPCC, conferências climáticas, descarbonização, transição energética, redução de emissões, Amazônia…
Tudo porque ninguém havia pensado no esgoto.
A temperatura do planeta subiu? Dá descarga.
Derreteu a Groenlândia? Chama a Caesb.
O nível do mar avançou? Vê se a fossa não entupiu.
E pensar que milhares de cientistas passaram décadas estudando o clima quando a família Bolsonaro tinha a solução no banheiro.
O pai receitava cloroquina para a pandemia.
O filho receita saneamento para o aquecimento global.
A ciência brasileira não tem um minuto de sossego.
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