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POR GERSON NOGUEIRA

Após-Copa do Campeonato Brasileiro tem sido rica em jogos horrorosos, com a bola sofrendo maus tratos e insultos. Ontem, Atlético-MG e Grêmio disputaram uma partida que é a antítese do que a CBF defende em termos de aproveitamento técnico. Não são as únicas equipes que adotam essa estratégia de disfarçar o mau futebol, mas estão entre as mais fervorosas adeptas do truque.
Durante todo o 1º tempo, o jogo sofreu com várias paralisações, faltas violentas e atrasos na reposição de bola. Mais grave do que tudo isso foi a sofrível performance dos dois times, dispersivos e lentos.
Galo e Grêmio se esmeraram na irritante prática dos recuos de bola, alguns feitos da intermediária adversária. Tudo por falta de atributos técnicos para tentar furar as linhas de marcação e avançar. O jogo melhorou no 2º tempo, pois o Atlético passou a atacar com mais disposição.
O cenário do futebol no Brasil expõe uma espécie de estelionato contra o bolso do torcedor, que paga ingressos caros para ir aos estádios ver futebol, preferencialmente disputado ofensivamente, com a busca permanente do gol.
Herança tosca e mal assimilada do estilo espanhol de tocar incessantemente a bola, o que se vê por aqui são times limitados e sem recursos trocando passes horizontais e abusando dos toques para trás, o que torna o jogo lento, chato e amarrado.
O mais trágico disso é que as estatísticas endossam a enganação, qualificando como posse de bola o que é apenas artifício de embromação em campo. Depois dos jogos, a contagem mostra 450 passes certos, quando justo seria dizer que são passes improdutivos e preguiçosos.
Não há como definir essa prática como recurso legítimo de retenção de bola. Na verdade, é uma demonstração de pobreza técnica e covardia tática. É o extremo oposto da ideia de que o melhor ataque é a defesa. Os times “inovam” ao disfarçar a velha prática do antijogo. Agora fazem isso com a bola rolando, dentro das regras, para prejuízo do futebol.
Leão joga no Sul com missão de pontuar
O Remo ganhou uma posição sem jogar, passando do 19º para o 18º lugar na classificação da Série A, graças à derrota do Vasco para o Santos, por 3 a 0. Um estímulo e tanto para encarar o Internacional nesta segunda-feira (17) à noite, em Porto Alegre, buscando a vitória para escapar da zona de rebaixamento.
Com mudanças na lateral-esquerda, onde Marlon substitui Mayk (lesionado) e no meio-campo, com a provável entrada de Vítor Bueno, o Remo deve apresentar um sistema ligeiramente diferente diante do Internacional. No meio, o técnico Léo Condé treinou um quadrado, formado por Zé Welison, Lionel Picco, Zé Ricardo e Bueno.
Caso essa configuração seja utilizada, com o retorno de Marcelinho à lateral-direita, o ataque terá Taliari e Jajá, jogadores de habilidade e com facilidade para a troca de passes em velocidade. Foi a mesma formação que terminou a partida contra o Atlético-MG, garantindo o empate e criando boas situações ofensivas.
Outro estreante, o atacante Galeano, pode entrar no decorrer da partida, aumentando o poder ofensivo da equipe. O time também dispõe de Yago Pikachu e Alef Manga como alternativas para o ataque.
O Inter é o primeiro do Z4, um ponto à frente do Remo, e encara o jogo como um divisor de águas no campeonato. Nas últimas partidas, o time mostrou sinais de evolução, adotando postura reativa e conservadora. Bernabei e Alan Patrick são os jogadores de referência, e que devem concentrar as atenções do setor de marcação do Leão.
Confiante, Papão vai em busca da classificação
Embalado pela vitória de virada sobre o Confiança na última rodada da Série C, o Papão enfrenta a Ferroviária, hoje à noite, em Araraquara (SP), com planos de conquistar os três pontos para ficar mais próximo da classificação à fase de quadrangulares da competição.
A semana foi dedicada a treinamentos intensos para corrigir erros que o time apresentou durante a partida com o Confiança, principalmente as falhas de finalização e a desconcentração em momentos importantes do jogo.
Sem vencer fora de casa desde a vitória sobre o Maranhão, na 11ª rodada, em junho, o PSC precisa pontuar diante da Ferroviária e do Ituano para não depender da última partida, contra o Maringá, em casa.
A equipe terá alterações na lateral-esquerda, com o retorno de Facundo Bonifazi, e no ataque, onde Lucas Cardoso deve ser confirmado ao lado do artilheiro Ítalo e do atacante Thaylon. Cotado para ser escalado como titular, Kleiton Pego nem foi incluído na delegação.
Segundo informações do clube, o atacante apresentou um quadro de “mal-estar geral”. Um dos artilheiros do PSC na temporada, Pego entrou no 2º tempo contra o Confiança, mostrando boa movimentação.
Nos últimos dias, o técnico Júnior Rocha revelou preocupação com o extracampo e cobrou comprometimento e foco dos jogadores, o que foi imediatamente associado aos mais jovens do elenco.
Ocorre que o problema de comportamento envolvendo o zagueiro Castro, dispensado pelo clube há dois meses, expõe uma situação que precisa ser controlada. O caminho mais simples para isso é a mobilização de todos pelo esforço em busca do acesso à Série B.
Em 4º lugar, com 26 pontos, o Papão precisa somar mais quatro pontos para garantir classificação. Os resultados desta rodada ajudaram o time paraense a se manter no G4 da competição.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 17)
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