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POR GERSON NOGUEIRA

Onde foi parar Luiz Henrique? Um dos melhores jogadores da reta final das Eliminatórias e especialista no drible, o atacante só entrou por 15 minutos contra Marrocos e depois sumiu nas profundezas do banco de reservas. Carlo Ancelotti fechou seus planos de mudança em torno de Rayan, Martinelli e Endrick, ignorando por completo o que o ponta poderia oferecer como alternativa para situações de sufoco.
Conhecido pela qualidade do drible e a capacidade de finalização, era o cara talhado para dar a chamada amplitude que os técnicos sempre defendem em confrontos contra defesas fortes. Diante da alta (e lenta) zaga da Noruega, domingo, o nome de Luiz Henrique foi imediatamente lembrado nos momentos de maior dificuldade do ataque.
Cresce a sensação de que LH ficou para trás por falta de lobby dentro do escrete. E que ninguém subestime a força das campanhas que abrem espaço, organicamente ou não, para certos atletas. Até o combalido Neymar, alvo do foco permanente da mídia, ajudou a sufocar qualquer lembrança em relação ao melhor atacante das Américas em 2024.
Tome-se, por exemplo, o caso Endrick. Sem grande brilho na Seleção quando foi chamado por Ancelotti, o atacante do Lyon cresceu no período que antecedeu a convocação final e depois ficou gigante no clamor popular às vésperas da estreia. Passou a ter prioridade nas escolhas de Ancelotti para mudar as circunstâncias de um jogo.
O mesmo ocorreu com Rayan, que passou a ser uma opção tática importante. Endrick ficou devendo desde as primeiras participações, mas seguiu ganhando chances. Entrou na etapa final diante dos noruegueses e teve a bola do jogo nos pés, quando o placar ainda era 0 a 0.
É justamente aí que entram os questionamentos sobre Luiz Henrique. Ninguém acompanhava os treinos, mas, a princípio, o rendimento dos atletas não sofreu grandes abalos. Não há notícia de que o ponta tenha perdido o foco ou desaprendido a arte do drible.
Os argumentos de Ancelotti se limitaram à preferência por jogadores, como Rayan, que podiam recompor para cobrir o veterano Danilo. Contra a Noruega, porém, Endrick ficou na direita, sem marcar. Luiz Henrique até aqueceu, mas o quarto jogador a entrar foi Ederson, também para reforçar a marcação na direita. Não contribuiu tanto assim, visto que os gols de Haaland tiveram origem justamente naquele lado.
O Brasil terminou o jogo com um ataque essencialmente ofensivo, mas sem inspiração para superar a última linha norueguesa. Em meio às críticas feitas a Ancelotti, uma das mais sérias diz respeito ao inexplicável esquecimento de Luiz Henrique num time tão pobre de talento.
Derrota nas oitavas aposenta CR7 em Copas
Quis o destino que um clássico disputado em fogo brando e sem lampejos de criatividade tenha marcado a despedida de Cristiano Ronaldo. Aos 41 anos, o maior astro do futebol português anunciou ao fim da partida que esta foi a sua última participação em Copas, após 27 jogos e 11 gols.
Para a mídia espanhola e portuguesa, o capitão não saiu incólume do fracasso. A insistência em ser escalado e a reação à simples ideia de ser substituído em campo marcaram a passagem de CR7. Lento e sem a capacidade de decidir jogos, ele não conseguiu evitar o desastre.
Ao longo do confronto, o camisa 7 até tentou se oferecer como opção para tabelas e manobras junto à área, mas não tinha explosão para superar os embates com a zaga espanhola. Portugal ficou assistindo a Espanha manobrar e criar chances seguidas no 1º tempo.
Depois do intervalo, enquanto o técnico Roberto Martinez foi mais do mesmo nas substituições, a Fúria renovou fôlego e tornou o ataque mais ágil com Ferrán Torres e Mikel Merino. A dupla participou diretamente do gol da vitória, na reta final do jogo, com finalização de Merino.
Douglas Santos foi o que mais produziu
Alguns números inquietantes sobre a valsa do adeus do Brasil oferecem uma ideia mais próxima da realidade, que muitas vezes o calor da refrega não permite ver com clareza.
Apesar de ter apenas 34% de posse de bola, as chances criadas foram praticamente o dobro do que teve o adversário. Além disso, o Brasil chegou à área adversária 33 vezes, contra 15 da Noruega.
Vinícius Junior, nosso maior destaque, criou dois lances perigosos, um deles a enfiada para Endrick, que errou na finalização. O camisa 7 foi quem tentou mais dribles (9 de 18 do Brasil) acertando seis. Venceu oito dos 13 duelos que enfrentou. Não foi eficiente, porém, quando ficou sem a bola.
Destaque também para Rayan, que esteve envolvido em cinco finalizações e foi o atacante que mais ajudou na marcação, acompanhando Haaland durante várias situações de pressão sobre a zaga brasileira. Sua saída, até agora inexplicável, foi determinante para a vitória norueguesa.
Ao contrário de Rayan, Endrick quase não se envolveu nos movimentos do jogo, tocando na bola nove vezes e perdendo os dois duelos que teve. O que amplia a incompreensão sobre o não aproveitamento de Luiz Henrique.
Neymar, a bala de prata que Ancelotti inventou na partida final, errou nove das 21 tentativas de passe e foi nulo nas participações ofensivas. O lateral Douglas Santos foi o melhor da Seleção, com seis desarmes, sete bolas recuperadas e ampla vantagem nos duelos.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 07)
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