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POR GERSON NOGUEIRA

Ao contrário de jogadores que não se intimidam e nem fraquejam em situações de extrema responsabilidade, a Seleção Brasileira ficou nas mãos de falsos líderes e acabou castigada duramente por isso. O pênalti perdido por Bruno Guimarães aos 13 minutos foi determinante para a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo diante de uma Noruega que teve o mérito de ser eficaz e competente nas finalizações.

No pênalti, Vini Jr. teve a oportunidade de assumir o risco. Deu a entender que iria para a cobrança, mas entregou a Guimarães a missão mais importante da Copa. Soube-se depois que a escolha foi pré-determinada pela comissão técnica. Erro crasso. O tiro saiu chocho, telegrafado e nas mãos do goleiro norueguês. Cobrança pífia.

O gol daria ao Brasil o pleno controle de uma partida que até então se desenhava confortável. Ainda assim, a situação permaneceu favorável à movimentação da Seleção, que era apenas reativa, mas perigosa quando saía com a bola dominada e em aceleração.

As chances foram se repetindo. Martinelli errou duas vezes, de cara para o gol. Vini levou perigo em arrancada pela esquerda. A Noruega avançava timidamente, preferia tocar a bola na chamada zona morta. Haaland e Nusa praticamente não participaram do jogo até os 30 minutos.

A única vez em que Haaland foi notado, no início do 2º tempo, foi quando esteve a pique de desviar dois cruzamentos para as redes de Alisson. Nos embates diretos, levou sempre pânico aos defensores. Gabriel Magalhães o enfrentava, mas o norueguês parecia sempre mais frio e tranquilo.

A ironia é que, antes de sofrer os dois gols, o Brasil poderia ter feito o seu. Endrick, que substituiu Rayan, teve grande oportunidade ao ser lançado por Vini. Frente a frente com o goleiro, errou o drible e tocou longe do gol.

A tragédia acabou chegando pelo lado mais frágil e previsível da Seleção. Danilo foi completamente envolvido nas articulações da Noruega e permitiu o cruzamento para o primeiro gol. Não satisfeito, errou de novo ao deixar Haaland à vontade para chutar e cravar 2 a 0.

O 2º tempo do Brasil foi inferior ao da fase inicial. A saída de Martinelli tornou o meio-campo ainda mais caótico. Mas, apesar do impacto do primeiro gol, houve a chance do empate. Casemiro, ao invés de cruzar, disparou um chute forte à meia altura, fora do alcance dos atacantes.

As substituições de Carlo Ancelotti foram incoerentes e inócuas. Por descuido, perdeu uma janela e ficou apenas nas quatro mudanças. Endrick não entrou bem. Neymar foi a típica escalação para ficar bem com os corneteiros. Danilo Santos custou a ser lembrado e a inclusão de Ederson foi tão inexplicável quanto sua convocação.

Apesar da tristeza geral pela queda, cabe entender que o projeto da CBF para Ancelotti visa a Copa de 2030, embora fosse possível ir mais longe já neste mundial. A partir de agora, será preciso reformular tudo, virar do avesso, recomeçar. É sempre saudável apostar no novo.

Melhor notícia é o fim da era Neymar

As últimas eliminações do Brasil em Copas foram para Bélgica (2018) e Croácia (2022), duas seleções tecnicamente superiores à Noruega. Isso diz mais sobre o estágio do futebol brasileiro do que sobre o poderio dos adversários. Nas duas outras Copas, a Seleção também fez um bom 1º tempo e perdeu várias chances de gol.

O Brasil voltou a tropeçar no 5º jogo. Contra uma seleção que não disputava a Copa do Mundo há 28 anos, perder um pênalti em jogo tão decisivo é imperdoável. As sucessivas eliminações não permitem que a torcida sofra como antes. Dói mais perder quando vencer é possível.

O lado bom – sempre há um lado bom – é que, enfim, a Seleção fica livre dessa aberração que é o neymarismo cultural. As dificuldades do time fizeram muita gente acreditar na mágica de reviver um craque que deixou de jogar competitivamente há cinco anos. Junto com ele, saem de cena Casemiro, Marquinhos, Danilo e Alisson.

E com um gol de pênalti ele sai do jeito que gostaria, com uma espécie de prêmio de consolação para uma convocação forçada por pressão de patrocinadores e parte da mídia amestrada.

Papão derrapa de novo e cai na tabela

Em jogo pouco inspirado, o PSC perdeu outra vez. Foi a segunda derrota consecutiva. Desta vez, diante do Ypiranga, em Erechim (RS), na manhã deste domingo, por 1 a 0. Apesar dos muitos erros de passe e pouca conexão entre meio e ataque, as melhores chances do 1º tempo foram da equipe paraense, em chutes de Juninho que tocaram na trave.

Aos 22 minutos, em chute de fora da área, Juninho acertou o travessão do goleiro Gabriel. Logo em seguida, na melhor manobra ofensiva do PSC na partida, Juninho finalizou novamente e o goleiro desviou a bola, que bateu na trave e saiu. O Ypiranga ameaçou apenas em cruzamentos esporádicos.

Na etapa final, com as substituições promovidas pelo Ypiranga, o jogo mudou de figura. Renan Gorne começou a incomodar, com duas chegadas perigosas. Aos 26 minutos, quase abriu o placar. Instantes depois, aproveitando cruzamento da direita, botou a bola no fundo das redes.

Um roteiro que parece vir se repetindo nas últimas rodadas da Série C, evidenciando a queda técnica do time de Junior Rocha. Sem alternativas para mudar o sistema de jogo, ele precisa recorrer a jogadores que estão muito abaixo do nível já sofrível da competição.

França supera catimba e anti-jogo do Paraguai

Foi vergonhoso ver o Paraguai lutando rispidamente para não perder para a favorita França. É legítimo lutar, marcar, defender com raça, mas é questionável apelar para a violência e as simulações. Galarza deu carrinhos nas pernas dos adversários e agrediu Olise e Mbappé, impunemente.

No modelo consagrado pelo Uruguai há tempos, o Paraguai transformou o jogo numa reprodução bizarra das batalhas da Libertadores. Esqueceu que, mesmo em desvantagem técnica, é possível jogar futebol na bola.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 06)

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