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POR GERSON NOGUEIRA

Depois do sufoco vivido contra o Japão, o Brasil encara neste domingo (5) um adversário mais temível. Sem a disciplina tática dos japoneses, a Noruega tem grande poder de fogo e um atacante em excelente fase. Por outro lado, a indefinição quanto ao sistema a ser utilizado por Carlo Ancelotti gera expectativa e deixa um clima de incerteza no ar.
Na quinta apresentação do Brasil na Copa, o time terá que mudar no meio. A ausência forçada de Paquetá, que foi titular por insistência do técnico, vai permitir a utilização de outros jogadores, dependendo da estratégia a ser adotada para enfrentar um adversário que não vai jogar recuado.
Sem maiores compromissos, a Noruega é previsível: vai colocar Haaland e Nusa em cima da defesa brasileira, que já mostrou insegurança em pelo menos duas partidas desta Copa, contra Marrocos e Japão.
Para conter a pressão norueguesa, a Seleção mantém a linha defensiva, mas deve reforçar a marcação. Danilo Santos é a primeira opção para entrar ao lado de Casemiro e Bruno Guimarães. Outra alternativa, menos provável, é Martinelli entrar no meio, revezando posicionamento com Matheus Cunha.
Acima de tudo, Ancelotti sabe que o peso da responsabilidade é todo do Brasil. O time pentacampeão é visto sempre como favorito, embora os números da competição não mostrem isso. Confiante, a Noruega chega às oitavas de final em igualdade de condições.
Vini Jr., grande destaque brasileiro no Mundial, é a prioridade máxima do esquema de Ancelotti. Pela experiência com o Real Madrid, o técnico sabe que o único capaz de desequilibrar é o camisa 7. As jogadas, lançamentos e tramas pelos lados serão todas destinadas a Vinícius. A Seleção joga em função dele, e isso não vai mudar.
No tempo em que as hierarquias mais claras, o Brasil jamais teria qualquer receio da Noruega, um adversário de segundo escalão, mas antigas certezas têm caído por terra.
Na campanha do penta, em 1994, os Estados Unidos foram os adversários mais difíceis. Em 2018, a então emergente Bélgica tirou a Seleção da Copa. Todo cuidado, portanto, com os vikings.

Papão busca evitar erros para voltar a vencer

O Paysandu volta a campo neste domingo (5), às 11h, contra o Ypiranga, em Erechim (RS), pela 13ª rodada da Série C, determinado a recuperar o bom futebol e conquistar os pontos necessários para permanecer no G4, com chances de assumir a liderança em caso de vitória.
Foi uma semana inteira dedicada aos treinos, a fim de corrigir erros e tentar contornar a crise que rondou a Curuzu após dois resultados negativos em casa nos últimos jogos, contra Inter de Limeira e Santa Cruz.
O técnico Júnior Rocha tem mantido o discurso de confiança na capacidade do grupo e contorna um tema que angustia a própria torcida: as limitações de um elenco que já rendeu muito na temporada, conquistando três taças e que chegou a liderar (por três rodadas) o Brasileiro da Série C.
Um dos pontos mais preocupantes é a ineficiência ofensiva. Contra o Santa Cruz, foram 20 finalizações desperdiçadas. A defesa também tem se mostrado insegura. Para a partida com o Ypiranga, a zaga deve ser formada por dois reservas, Iarley e Bruno Bispo. Castro e mais três atletas, afastados por indisciplina, desfalcam o time.

Maestro sai de cena no auge do futebol high-tech

A Copa tem um ritmo alucinante. A profusão de jogos e emoções às vezes atrapalha a análise. É justamente por isso que o mundo do futebol precisa parar por alguns minutos para reverenciar Luka Modric, o maestro franzino que guiou a Croácia por mares nunca antes navegados. Sob sua liderança, o país da bandeira quadriculada foi vice-campeão do mundo em 2018.
A Croácia tem 35 anos de existência. Além do 2º lugar na Rússia, foi 3º colocada em duas ocasiões, tendo apenas sete participações. Portugal, seu algoz neste Mundial, tem 887 anos, participou de nove copas e o melhor resultado foi um 3° lugar em 1966, 25 anos antes de a Croácia existir.

Esta geração deve se regozijar por tê-lo visto jogar na plenitude. Alguém disse que Modric pertence à “dinastia dos jogadores sagrados”. Um cavalheiro em campo. O fair-play deveria adotá-lo como modelo definitivo.
Modric sai de cena desolado após a sofrida eliminação. Duvidou, como quase todo mundo, da decisão que anulou o gol croata baseado em alta tecnologia – um chip apontou o toque da bola no cabelo do atacante. Confiar como? Tecnologia, para ser assimilada, precisa ser crível.
“Eu disse desde o início, quando a tecnologia de vídeo foi introduzida, que eu não gostava dela. Ela é útil em algumas coisas, mas é usada de forma errada ou seletiva”, opinou Modric, sempre polido. Referia-se também ao lance do pênalti que abriu caminho para a virada portuguesa.
Uma saga tão bonita nos gramados não merecia terminar – em Copas – encharcada de mágoa. Prefiro manter vivo na memória o histórico admirável de um dos meias mais elegantes da história. Pena que não tenha conquistado um título, mas aí é azar da própria Copa. Lenda absoluta, respeito máximo.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 23h, na RBATV, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em destaque, a rodada da Série C e a preparação do Remo para a retomada da Série A. A edição é de Lourdes Cezar.

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 04/05)

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