Loading

POR GERSON NOGUEIRA

Com base nos jogos já realizados, a Copa do Mundo elegeu um time com pinta de campeão. Até por ser a única seleção que tem mostrado futebol de alto nível em todos os jogos, a França concentra as atenções. A partida contra a Suécia confirmou toda louvação em torno de Kyllian Mbappé e seus companheiros. Uma atuação impecável, mostrando a apetite de gols própria dos grandes campeões.

Enquanto algumas seleções optaram por tirar o pé mesmo quando a situação favorece – o Brasil fez isso contra o Haiti, por exemplo –, a França agride e atropela. Quer fazer todos os gols a que tem direito. Conta, para isso, com o entusiasmo quase juvenil de Mbappé. Competitivo ao extremo, ele quer bater recordes e ao mesmo tempo cravar o nome na história.

Fez dois belos gols contra a atarantada defesa sueca. O primeiro foi um golaço em manobra pessoal e o segundo em tabelinha genial com Olise. Foi participativo e justificou plenamente a condição de grande astro desta Copa, ao lado de Messi, Vini Jr., Haaland e Harry Kane.

Ontem, foi a vez de Kane fazer a festa e sacramentar a condição de protagonista, anotando os gols que garantiram a virada da Inglaterra sobre a República do Congo. O centroavante inglês, muitas vezes desvalorizado pelos poucos títulos na carreira, chegou a este Mundial com um propósito claro: repetir o sucesso de sua temporada com a camisa do Bayern.

É outro protagonista que torna o futebol mais empolgante e vistoso. Astro de um time que tem Jude Bellingham como maestro, Kane é um finalizador implacável. Dificilmente perde chances, o que ficou claro diante da defesa do vibrante time do Congo, que foi melhor em boa parte do jogo.

Na comparação direta com a França, o time inglês fica devendo. Não encanta, é instável e não impõe respeito. Poderia ter sofrido sua segunda derrota no Mundial, caso a seleção do Congo não tivesse recuado tanto na etapa final. Está entre os favoritos, mas não no nível dos franceses.

Além do conjunto harmonioso e da voracidade por vitórias, a França joga sempre em aceleração, alta rotação e troca de passes em velocidade. Dembelé, Olise, Cherki e Doué, junto com Mbappé, formam uma base sólida, representativa dos talentos de origem africana.

O time amadureceu e ficou ainda mais refinado desde o título de 2018. Podia (e merecia) ter conquistado a taça em 2022 e agora vem com tudo em busca do tricampeonato. Mas tem aquela coisa: futebol é um esporte sujeito a muitas variáveis. Mesmo times tecnicamente fortes podem ter um dia ruim e isso pode ocorrer numa eventual final.

Ao Brasil, também cotado para o título, cabe encarar com competência as três próximas fases eliminatórias e chegar à decisão disposto a contrariar os prognósticos que favorecem a França. Sob o ponto de vista de hoje, seria a primeira vez que a Seleção não entraria como favorita à grande final.

Remo libera um dos heróis do acesso

João Pedro, atacante de origem portuguesa, marcou os gols decisivos que deram ao Remo o acesso à Série A. Como parceiro de Pedro Rocha no ataque azulino, ele foi fundamental na vitória sobre o Goiás. Por esse feito, é até hoje reverenciado pelo torcedor. Como o futebol profissional é dinâmico e as movimentações de mercado também, ele deixou o Remo nesta semana, devendo jogar a Série B pelo Atlético-GO.

O centroavante disputou 27 partidas pelo Remo e marcou sete gols. Ao se despedir, agradeceu carinhosamente o apoio da torcida e a receptividade que teve em Belém. Admitiu que não ficaria onde sua presença não é mais necessária, obviamente se referindo à decisão do clube.

Ao longo da Série A, João Pedro perdeu espaço desde a chegada de Léo Condé e não foi mais relacionado nem mesmo como suplente. A indicação de Gabriel Poveda para o comando de ataque tirou de vez suas chances.

Um digno e bravo representante do bom jornalismo

Enrique Macaya Márquez, 91 anos, está em sua 18ª cobertura de Copa do Mundo. Argentino, o jornalista começou em 1958, na Copa vencida pelo Brasil de Pelé e Garrincha. Sessenta e oito anos depois, ele está nos Estados Unidos acompanhando a atual campeã mundial.

Na semana passada, durante entrevista coletiva do técnico Lionel Scaloni no centro de imprensa de Arlington (Dallas), antes do jogo Argentina x Jordânia, Enrique foi recepcionado com uma demorada salva de palmas

Teve o privilégio de abrir a entrevista. Agradeceu os aplausos dos companheiros, todos bem mais jovens que ele, e fez uma pergunta simples e direta: “Messi joga? Como você vai escalar o time?”.

Era o personagem principal daquele momento, mas recusou o protagonismo. Preferiu ocupar o único lugar que lhe interessava e ao qual pertence: o de repórter.

E que repórter, torcida brasileira. São 18 Copas do Mundo. Lúcido, produtivo, inquieto. Um jornalista fazendo jornalismo, coisa que começa a rarear nos dias de hoje. Para Enrique Márquez, a notícia continua importando mais do que quem a transmite.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 02)

Deixe uma resposta

DESTAQUES

Descubra mais sobre Blog do Gerson Nogueira

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading