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POR GERSON NOGUEIRA

Em tempo de festa junina, o Brasil conseguiu saltar a primeira fogueira desta Copa do Mundo. Com emoção e alguns sustos, o time de Carlo Ancelotti cumpriu a missão de chegar às oitavas de final, com uma virada dramática sobre o Japão, em Houston. Vamos combinar que ser eliminado pelo Japão na fase de 16-avos teria dimensões trágicas.
Com a dificuldade esperada, principalmente pela intensidade e aplicação do time japonês, a Seleção começou o jogo pisando em ovos. Como sempre, tentava achar Vinícius lá na frente, mas a marcação sobre ele era tripla. Do outro lado, Rayan ficava esquecido. Matheus Cunha foi o primeiro a desferir um chute perigoso, mas ficou nisso.
Paquetá, Casemiro e Bruno Guimarães encaravam dificuldades imensas para superar a linha média do Japão, formada por quatro jogadores rápidos e essencialmente marcadores. A essa altura, o pior que podia acontecer era forçar o passe, como fez Paquetá em vários momentos, abrindo buracos na marcação.
O gol do Japão, aos 29 minutos, foi revelador das dificuldades que o Brasil tinha. Danilo tinha Rayan como opção de passe, mas forçou a saída pelo meio visando Vinícius, mas entregou a bola nos pés de Sano, que arrancou em direção à área brasileira, sem ser contido.
O cenário ficou imprevisível. Os planos de dominar o jogo caíram por terra. O Japão se organizava melhor em campo e estava em vantagem. Casemiro e Paquetá seguiram errando muito. A pressão sobre a zaga aumentou e o ataque ficou inoperante até o fim do 1º tempo.
No intervalo, Carlo Ancelotti substituiu Paquetá (lesionado) por Endrick, uma mudança forçada e uma escolha que surpreendeu. Ele tinha Danilo Santos como opção, mas optou por Endrick com o objetivo de energizar o ataque e principalmente recolocar o Brasil no jogo.
Aberto pela direita, quase esbarrando em Rayan, Endrick começou partindo para cima da marcação, bem ao seu estilo. Esse posicionamento desarrumou um pouco a ajustada linha final de cinco zagueiros do Japão.

O empate quase veio aos 9 minutos em cabeceio de Casemiro, que foi desviado em cima da linha. Dois minutos depois, o gol brasileiro finalmente aconteceu: o volante testou com firmeza após um cruzamento que veio no segundo pau.
Criticado pelo mau desempenho na etapa inicial, Casemiro renasceu com o gol e foi uma das peças mais importantes do meio-campo ao longo do 2º tempo, embora inferior ao dinamismo de Bruno Guimarães, o mais produtivo do time. Esteve envolvido em todas as principais jogadas e foi eficiente na marcação aos rápidos alas/meias do Japão.
Vini Jr., mesmo muito marcado, levava perigo nas arrancadas. No lance mais espetacular, ele entrou na área, driblando três marcadores e tocando em direção ao gol. O goleiro Suzuki desviou e a bola foi na trave.

Depois disso, o Brasil ocupou o campo de defesa do adversário, mas teve dificuldades em finalizar. O lance que definiu a partida aconteceria aos 50 minutos. Rayan recuperou a bola na direita, passou para Bruno Guimarães no interior da área. Este tocou para Martinelli, que ajeitou com a esquerda e bateu de direita no canto esquerdo da trave.
Duas escolhas perfeitas de Ancelotti garantiram a virada: a manutenção de Casemiro e a entrada de Martinelli. Passaporte carimbado para as oitavas.
Para desafio das oitavas, Seleção pode ter mudanças
O próximo adversário do Brasil será conhecido nesta terça-feira (30). Vai sair do cruzamento entre Costa do Marfim e Noruega, em Dallas. Até o domingo, data do confronto das oitavas, a Seleção terá um bom tempo para rever posicionamentos, corrigir a estratégia de marcação e acertar o passo no meio-campo, setor mais sujeito a turbulências.
A lesão sofrida por Paquetá pode dar a Ancelotti a chance de modificar o funcionamento da meia-cancha, onde já ficou provado que Casemiro não pode ser o único a dar combate. O próprio Martinelli, que entrou para exercer função dupla ontem, pode ser mantido no time.
Outra opção é o aproveitamento de Danilo Santos, que entrou a dois minutos do fim. De estilo mais vertical, pode dar à equipe a velocidade na saída que Paquetá não conseguiu até agora. Danilo não faz firulas, é um jogador objetivo e que sabe finalizar. Pode ser tanto marcador como válvula de escape pelo centro, aproximando-se de Matheus Cunha.
Na frente, Rayan, que só apareceu em três momentos, mas não arriscou nenhuma finalização, continua como aposta de Ancelotti. Luiz Henrique, esquecido desde a estreia, pode ganhar uma chance. É o mais preparado para furar bloqueios defensivos porque parte para o drible e rompe linhas de marcação. Só Vini Jr. faz isso na escalação atual.
Alemanha sucumbe ao heroísmo paraguaio
O Paraguai jogou com a receita do time menos cotado e que quer apenas uma bola para resolver a parada. Fez o gol cedo ainda, com Enciso, mas acabou permitindo o empate alemão, em cabeceio de Havertz. O que se esperava depois disso era um massacre dos tetracampeões.
A pressão até aconteceu, mas não com a competência necessária para furar o forte bloqueio defensivo do Paraguai, liderado por Gustavo Gomez. Com raça extrema e alguns pontapés, o time resistiu a um 2º tempo de sufoco. Continuou firme na prorrogação, levando o jogo para as penalidades.
Aí brilhou o goleiro Orlando Gill, que defendeu duas cobranças e garantiu a classificação por 4 a 3. Seria a maldição do 7 a 1? Afinal, desde que meteu aquela surra histórica no Brasil, a Alemanha nunca mais levantou a cabeça nos mundiais. Este, porém, foi o maior vexame de todos.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 30)
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