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POR GERSON NOGUEIRA

Tensão no ar, corações e mentes em aceleração. A pátria calça chuteiras em dia de jogo eliminatório na Copa. Nenhum outro país teve mais jornadas vitoriosas que o Brasil no principal torneio do planeta, mas nem isso fez com que a gente criasse a chamada casca grossa para esses momentos. O adversário desta segunda-feira (14h) é o Japão, que nunca sequer brigou na parte de cima da competição.
Ocorre que isso não serve de consolo, pelo contrário. O que aconteceu em 2018 com a Croácia, que furou a fila e de repente chegou à grande final, é um alerta de perigo.
O Brasil atual, que também foi vítima da Croácia em 2022, parece mais atento e preparado. Parece. Os três jogos da 1ª fase foram irregulares. O primeiro, contra Marrocos, foi muito ruim. O segundo, diante do Haiti, bem melhor. O último, contra a Escócia, confirmou a evolução.
Depende muito da categoria individual de Vinícius Jr., mas mostrou uma estrutura tática mais organizada, com a defesa menos assustada e o meio-campo mais dinâmico, embora ainda com problemas.
Diante do Japão, a expectativa é de uma atuação mais encaixada, sólida nas alternativas ofensivas e bem sustentada pelo meio-campo. Pelo padrão Ancelotti, é provável que a Seleção abrace em definitivo o jogo reativo e as transições em velocidade. Pode funcionar desde que o Brasil se imponha e estabeleça vantagem antes do adversário.
Em caso de sofrer gol de um time bem entrosado, como o Japão, será preciso oferecer alternativas criativas, como ações dobradas pelos lados e tabelinhas entre os atacantes. Vini, Matheus Cunha e Rayan precisam estar afinados para executar bem essa tarefa.
O futebol passou por muitas revoluções nas últimas décadas, algumas quase imperceptíveis. A mais marcante delas é o nivelamento técnico das seleções. Ao contrário do que se observava lá nos primórdios de 1950 e 1960, todos os times têm hoje uma estratégia montada, uma ideia a ser executada e um sistema que valoriza o coletivo. Isso vale até para Curaçao, Congo, Jordânia e Cabo Verde.
Por coincidência, o Japão é muito bem estruturado coletivamente. Seu jogo com a Suécia foi um primor de ocupação de espaço e aproveitamento de bolas espirradas, desperdiçadas pelos adversários. O fator que facilita essa postura é o apuro na troca de passes, com alto índice de acerto.
Quem ainda vê o Japão como inocente e pouco agressivo está cometendo um erro grosseiro. O time tem defesa, meio e ataque que se interligam. Sabe controlar a posse de bola e gosta disso. E ainda conta com um excelente goleiro – Deus nos livre de uma série de penalidades contra eles.
Aprenderam muito com os ensinamentos repassados por inúmeros jogadores e técnicos brasileiros que trabalharam lá nos anos 1990, a partir da criação da liga profissional, a J-League. A passagem de Zico, como atleta e treinador, tem muito a ver com o atual estágio da seleção. Uma partida que vai exigir concentração máxima.
Sem repertório, Papão é superado pelo Santa
Ao Papão faltou gana de vencer o Santa Cruz, sábado à tarde, na Curuzu. O time iniciou na mesma toada de outras partidas em casa. Avançando pelos lados e criando para os atacantes e homens do meio. Pedro Henrique, Kleiton Pego e Marcinho desperdiçaram chances, mas ficou um certo ar de autossuficiência, como se fosse possível marcar a qualquer momento.
Isso durou até a metade da primeira etapa. Aos 26 minutos, um erro primário de posicionamento na cobrança de escanteio fez o Santa Cruz abrir o placar (gol contra de Juninho). No final, com os pernambucanos melhores em campo, surgiu o segundo gol. Jogadinha rápida pela direita, passe para Everaldo mandar no canto direito do gol.
Por incrível que pareça, no 2º tempo, o time continuou errando na conexão entre meio e ataque, além de mostrar insegurança defensiva. O terceiro gol nasceu de um erro no lado direito, bem explorado por Tiago Marques e finalizado por Fabinho junto à linha do gol.
O Papão se lançou ao ataque, no desespero e na base do abafa. Chegou ao gol por volta dos 30 minutos, com Juninho, e teve chances com Castro e Juninho, mas sem jogadas trabalhadas para envolver a defesa adversária.
O fato é que os visitantes estão cada vez mais conscientes dos problemas que o PSC apresenta quando sai em busca do gol. A Inter de Limeira fez isso e o Santa Cruz repetiu a dose. Enquanto isso, Júnior Rocha se debate com a limitação de peças. Lucas Cardoso entrou bem, mas o time precisa de qualidade e força quando os titulares cansam.
A competição está afunilando e o rendimento do Papão está caindo no momento errado. Ainda em 3º lugar, o time precisa encontrar soluções urgentes para erros cada vez mais frequentes.
Muslera derruba a Celeste e VAR pune o Irã
Alguns episódios marcaram a última rodada da 1ª fase da Copa. Começa pelo frangaço de Fernando Muslera, responsável pela eliminação do Uruguai diante da Espanha. O estranho não foi a falha, mas a insistência de Bielsa com um goleiro que falhou em três Copas.
Outro ponto a destacar foi o gol anulado da Colômbia, que amassou Portugal e só não venceu porque o VAR captou a pontinha da chuteira do atacante que cabeceou a bola. Um castigo que foi ainda mais cruel com o Irã, a equipe mais perseguida e sabotada do Mundial, e que teve um gol também invalidado pelo árbitro de vídeo.
Por fim, correndo o risco de ser repetitivo, vale citar a impressionante estatística de pênaltis a favor da Argentina. Todo jogo tem um, fato que vem se juntar à maravilhosa sequência dos campeões mundiais: jogam com Cabo Verde e depois devem pegar o Egito. É como se a Copa para eles começasse já na semifinal.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 29)
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