![]()

POR GERSON NOGUEIRA
O Remo só conseguiu mostrar algum empenho e organização nos primeiros 20 minutos. Depois disso, afrouxou a marcação e o time ficou muito exposto à movimentação do Corinthians, sofrendo três gols no 1º tempo, placar que definiu a partida e soou como importante alerta para o Remo em relação à segunda metade do Campeonato Brasileiro.
Foi a segunda derrota pelo placar de 3 a 0 sofrida pelo Remo – a primeira foi para o Flamengo, no Rio de Janeiro. Diante do Corinthians de Fernando Diniz, que saltou para o 7º lugar, o time de Léo Condé decepcionou.
Esperava-se mais intensidade e aplicação na marcação, um dos pontos altos do time durante os jogos de maio, quando obteve seus melhores resultados na competição. A parada para a Copa parece ter deixado o Corinthians mais energizado, mas não teve o mesmo efeito sobre os azulinos.
Na etapa inicial, mesmo antes de sofrer o primeiro gol, o Remo teve dificuldades de encaixar contra-ataques, apesar da boa movimentação de Yago Pikachu. O problema é que Vítor Bueno não apareceu para o jogo e Alef Manga ficou muito preso à marcação, sem dar opções de passes e lançamentos.
Apesar dos espaços cedidos pelo setor defensivo do Corinthians, o Remo não conseguiu construir nenhuma jogada de contra-ataque. A lentidão na saída de bola e os erros de passe atrapalharam muito a equipe. É como se o período de treinamentos tivesse feito o time perder o foco.
Aos 26 minutos, em lançamento de André para Yuri Alberto, saiu o primeiro gol da noite. O centroavante dominou a bola, entrou na área e bateu rasteiro. Zé Ivaldo não conseguiu interceptar e a bola morreu no canto direito da trave. Marcelo Rangel ainda tocou de leve, mas não conseguiu evitar o gol.
Mesmo tentando adiantar suas linhas para buscar o empate, o Remo não criava situações de perigo e o jogo ficou muito preso ao perde e ganha no meio-de-campo. Até que, aos 41’, em jogada de Bruno Bidon para Kaio César, o Corinthians ampliou para 2 a 0. O gol inicialmente foi anulado pelo auxiliar, mas o VAR revisou e confirmou a legalidade do lance.
O que já era extremamente desfavorável ficou ainda pior para o Leão. Em uma rara tentativa na área corintiana, Zé Ivaldo desviou de cabeça por cima da trave de Hugo Souza. Na sequência, aos 46’, saiu o terceiro gol.
Uma trama rápida e criativa, envolvendo Kaio César, André e Yuri Alberto, envolveu por completo a linha defensiva do Remo e o arremate final coube ao camisa 9, que fuzilou em direção ao gol com total tranquilidade, sem receber pressão ou combate de Zé Ivaldo, o zagueiro que atuava pelo lado esquerdo.
O jogo podia ter se encerrado aí, pois o 2º tempo não teve mais a contundência ofensiva do Corinthians e o Remo, apesar da entrada de Taliari no ataque, não conseguiu organizar jogadas que permitissem pelo menos ensaiar uma reação. Resultado justo e atuação decepcionante (e preocupante) da equipe paraense.
Problemas que exigem correção urgente
Na abertura do segundo turno, o Remo vai encarar o Vitória no próximo domingo (26), no estádio Mangueirão, com responsabilidade redobrada em relação à necessidade de conquistar três pontos. Para quem teve apenas 31% de aproveitamento no turno, o Leão terá que fazer uma campanha de superação para buscar se manter na Série A.
Da mesma forma que o jogo em casa contra um adversário direto na briga pela permanência é um desafio, pode-se considerar também que é uma tremenda oportunidade para iniciar o processo de arrancada para conquistar os pontos necessários para buscar sair do Z4.
Um ponto notado no jogo de ontem foi a queda brutal de rendimento da linha de marcação à frente da zaga. Zé Welison e Patrick jogaram abaixo de suas possibilidades e o setor só respirou com a entrada de Zé Ricardo no lugar de Vítor Bueno, fato ajudado pela diminuição de ritmo do Corinthians na etapa final.
Outro ponto que deve merecer atenção especial de Léo Condé e sua comissão é a situação do ataque. Diante do Corinthians, a bola não chegou a Alef Manga, que jogou centralizado na maior parte do tempo, e nem mesmo a Jajá, que dependia de bolas lançadas em profundidade.
O mau desempenho do setor de criação e a falta de pegada na marcação respondem pelos problemas vistos no jogo de ontem, que devem ser sanados a tempo de permitir uma atuação mais encaixada no domingo.
Comparações aumentam o tamanho de Pelé
A discussão pública sobre o reinado de Pelé no futebol voltou a se impor nesta Copa do Mundo, repentinamente transformada em questão de máxima importância. O problema é que quase sempre tentam comparar o Rei com jogadores que ficam em evidência diante da grande visibilidade da competição entre seleções.
Neste mundial, as comparações iniciais envolviam Lionel Messi, que acabou fechando a competição em baixa, principalmente pela pífia performance na partida final diante da Espanha. A perda do título pelos argentinos levou junto à onda de louvações ao camisa 10.
Craque indiscutível, o verdadeiro tamanho de Messi ainda será calculado nas próximas Copas. A princípio, cabe observar que tecnicamente não foi superior nem a Ronaldinho Gaúcho, que apressou a aposentadoria. Arrisco dizer que não tem sequer a importância de Ronaldo Fenômeno, melhor centroavante de sua geração.
Por justiça, Pelé nem pode entrar nessa discussão. Daqui a algum tempo, outros jogadores – Mbappé talvez – irão ser comparados também, mas seguramente Messi não será contabilizado como um candidato ao trono.
Os vídeos das façanhas de Pelé estão aí para mostrar e provar a razão da unanimidade que ele tem até hoje, até mesmo entre quem não viu ele em ação. Muitos craques pontificaram na história do futebol, alguns geniais até (como Maradona), mas só Pelé personifica a junção de todos, ontem e hoje.
Alguns eram especialistas em arrancadas e mudança de direção. Outros sabiam driblar magnificamente e eram experts no cabeceio. Havia também quem dominasse a visão de jogo e a capacidade de passes em velocidade. O impressionante é que Pelé era especialista em tudo isso.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 24)
Deixe uma resposta