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POR GERSON NOGUEIRA
Aprende-se desde a infância que o calendário da vida é referenciado por um evento que acontece de quatro em quatro anos. Isso é tão verdadeiro que, até mesmo quando alguém tenta lembrar de algum acontecimento distante, o primeiro impulso é tomar por base um ano de Copa do Mundo. Esse papel demarcatório é um feito e tanto do futebol, principalmente porque tem a ver com o lado mais puro e verdadeiro do esporte.
Chegou o dia de uma nova estreia da Seleção em Copas, acontecimento que vai cravar nas pessoas lembranças especiais pela vida afora – espera-se que por razões positivas. Para tanto é preciso que o Brasil enfrente Marrocos com um futebol que provoque orgulho, digno do escrete pentacampeão do mundo.
Quando o Brasil joga carrega sempre a força de suas conquistas e a responsabilidade de não trair os princípios que garantiram glórias e conquistas. O maior driblador das Copas é nosso – Mané Garrincha, em 1962. O artilheiro que fez gols em todas as partidas de uma Copa também é nosso – Jairzinho, em 1970. E o Rei, por óbvio, também é brasileiro.
Contra Marrocos, que foi semifinalista em 2022, o Brasil estreia um técnico estrangeiro. Nunca antes na história deste país um gringo comandou a instituição sagrada que é a Seleção Brasileira.
Caberá ao italiano Carlo Ancelotti a missão de conduzir o Brasil ao hexa. É o que todos esperam, apesar das desconfianças em relação ao poderio do time. As dúvidas superam as certezas, e isso nem sempre é totalmente ruim.
O que preocupa mesmo é o envelhecimento do time. Cinco titulares têm mais de 32 anos: Alisson (34), Danilo (35), Marquinhos (32), Casemiro (34) e Alex Sandro (34). Alguns reservas também: Douglas Santos (32), Ederson (32), Weverton (38), Neymar (34).

A questão aqui não é preconceito ou etarismo, mas a realidade desafiadora de uma Copa que será disputada sob alta temperatura. Ancelotti deve estar atento às dificuldades que a zaga brasileira (seus laterais principalmente) terá contra jogadores mais velozes e fortes.
A contrapartida disso é a experiência acumulada por esses atletas, mas o futebol moderno mostra que equipes mais jovens tendem a levar vantagem. Os adversários buscarão explorar justamente a fadiga e a lentidão dos defensores brasileiros. As indefinições dos últimos dias na formação da equipe podem estar associadas a essa preocupação.
O fato é que, quando a bola rolar, todas essas questões ficam em segundo plano. Tudo o que se espera é futebol bem jogado, com raça e comprometimento.

Chutes, projeções e palpites para todo lado
Os polvos e supercomputadores rivalizam nos palpites sobre o resultado final da Copa. Por tradição, os palpiteiros sempre quebram a cara e as projeções raramente se confirmam na prática. Em 2022, a desacreditada Argentina levou a taça, contrariando as mais abalizadas previsões.
Desta vez, os números mais recentes apontam a Espanha como favorita ao título, com probabilidade de 14,5%, seguida de perto por Inglaterra e França, ambas com 12,4%; e pela Alemanha, com 11,2%.
As seleções de Portugal e Argentina aparecem bem cotadas – 8,9% e 8,2%, respectivamente. O Brasil surge como azarão na sétima posição, com apenas 4,7% de probabilidade. Bom sinal. Na conquista mais recente (2002), a Seleção também chegou desacreditada à Copa.
Papão busca recuperar a liderança
Passada a temporada de comemorações pelo título da Copa Verde, sexta conquista do clube no torneio, o PSC dirige suas atenções à principal competição da temporada, o Brasileiro da Série C. Neste domingo (14), às 16h, na Curuzu, jogando contra a Inter de Limeira, o time busca recuperar a liderança, que neste momento está com o Brusque (SC).
Com 17 pontos, o Papão está a um ponto do líder e do vice-líder, Guarani. Uma vitória simples sobre a Inter de Limeira (6ª colocada) pode assegurar a volta à ponta da tabela. A previsão é de um confronto difícil, dentro das tradições da Série C, com forte marcação e exploração do jogo aéreo.
Para superar o sistema defensivo da equipe paulista, o Papão pode ter novidade no ataque, com a escalação pela primeira vez da dupla Ítalo e Juninho. As boas atuações de ambos na temporada têm feito a torcida pedir para ver os dois atacantes atuando juntos desde o começo de um jogo.
Nas entrevistas, o técnico Júnior Rocha não descarta essa possibilidade, embora sempre tenha optado por um deles. Como têm características diferentes, Ítalo e Juninho podem funcionar como dupla. Ítalo atua mais centralizado e como referência na área. Juninho costuma sair para buscar jogo, mas pode funcionar como um atacante de lado.
Quando foi contratado, na última janela de transferências, Juninho chegou como alternativa para o setor defensivo. Em pouco tempo, entrando no decorrer das partidas, ganhou espaço e se habilitou a ter um lugar no time.
É o autor do gol mais bonito do Paysandu em 2026: a arrancada fulminante, com uma sequência de dribles, no lance final do jogo com o Anápolis na Curuzu. Até o momento, a dupla anotou a bela marca de 21 gols na temporada. Ítalo marcou 13 vezes e Juninho, oito.
Bola na Torre
O programa deste domingo vai ao ar às 23h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a campanha do Paysandu na Série C e os preparativos do Remo durante a pausa na Série A. A edição é de Lourdes Cezar.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 13/14)
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