POR GERSON NOGUEIRA
Com o Mangueirão lotado (40 mil espectadores), Remo e Palmeiras fizeram um grande duelo, valendo pela 15ª rodada do Brasileiro. Apesar de situações opostas na classificação – o Verdão é líder, o Leão é vice-lanterna –, o equilíbrio predominou. A primeira comemoração coube à torcida azulina, com o gol de Alef Manga logo a um minuto. Sosa empatou ainda na primeira etapa e o jogo seguiu disputado palmo a palmo até o fim.
As emoções tiveram que ser represadas na tarde deste domingo, pois a tradicional chuva que banha Belém desta vez veio forte e provocou um atraso de 1h38. A longa espera foi recompensada. Assistiu um confronto empolgante, brigado e emocionante.
Logo na primeira investida do Remo, a bola foi cruzada por Mayck, Yago Pikachu desviou com um toque sutil e deixou Alef Manga de frente para o gol. Ele bateu rasteiro, sem chances para Carlos Miguel. O Palmeiras levou um tempo para se refazer do susto. Aos poucos, avançou as linhas para explorar os avanços de Flaco Lopez, Sosa e John Árias.
O Remo se defendia bem e, de vez em quando, criava situações de perigo, principalmente com Jajá, que chegou a ter uma chance diante do goleiro palmeirense. Aos 22’, porém, após um erro de Patrick na saída de bola, Sosa aproveitou para chutar cruzado. A bola desviou em Marllon e entrou.
O empate não perturbou o Remo, que seguiu marcando bem e saindo em velocidade, utilizando transições rápidas. Pikachu era o ponto de equilíbrio, aproximando-se de Marcelinho para explorar as hesitações do lateral Jefté.
Na segunda etapa, Marcelinho cabeceou uma bola na trave, levantando a torcida no Mangueirão. Patrick também ameaçou, ao entrar na área e bater à direita da trave. Outra tentativa foi de Mayck, de fora da área.
O bom começo foi interrompido pela expulsão de Zé Ricardo, por falta violenta e desnecessária em Andreas Pereira. Com um a menos, o Remo viu-se obrigado a mudar de postura, recuando para resistir à pressão do Palmeiras. Conseguiu segurar o adversário, apesar do susto no final com o gol de Bruno Fuchs, bem anulado com interferência do VAR.
Prevaleceu o equilíbrio nas duas etapas, justificando o empate. A atuação do Remo foi reconhecida pela torcida, que aplaudiu os jogadores após o jogo.
Dois lances polêmicos definiram o jogo
Quase ao final do 1º tempo, Patrick tentou cruzar e Marlon Freitas desviou com o braço, cedendo o escanteio. Apesar das reclamações do Remo, o árbitro Rafael Klein (RS) alegou que a mão do volante estava colada ao corpo. A decisão briga com imagem: Marlon tocou com o braço e alargou a área corporal, impedindo o cruzamento. Infração clara.
Arrisco dizer que, se fosse na Arena do Palmeiras, em São Paulo, o pênalti seria marcado sem discussões, como tantas outras vezes. O sempre contraditório comentarista de arbitragem PC Oliveira saiu em defesa do árbitro, avalizando a tese de que o braço estava colado ao corpo.
No outro lance, o VAR fez prevalecer as regras do jogo. O atacante Flaco Lopez meteu o braço na bola e favoreceu a definição de Bruno Fuchs naquele que seria o segundo gol palmeirense, a dois minutos do fim da partida. O árbitro foi chamado na cabine e anulou o gol.
Ao desviar na mão de Flaco, a bola mudou de trajetória e caiu nos pés de Fuchs. Se não houvesse a interferência irregular, a bola não seria direcionada para a finalização do zagueiro em direção ao gol. Lance bem invalidado.
Um golaço inesquecível para a Fiel
Juninho foi o grande herói da partida de sábado à noite na Curuzu. Fez o gol da vitória no minuto final em jogada iluminada. Recebeu passe próximo à linha de meio-de-campo, superou a primeira marcação, avançou até a área e fintou dois zagueiros antes de disparar no canto esquerdo da trave. Um golaço.
A festa que se seguiu na Curuzu, em razão da vitória, teve muito a ver com a beleza plástica do lance, um dos mais bonitos da competição. A arrancada fulminante de Juninho, sem permitir que a bola fugisse ao seu controle, é daqueles momentos em que o talento se junta com a ousadia.
Com o gol aos 51 minutos, o PSC conquistou três pontos fundamentais na luta pela classificação ao quadrangular do acesso. Naquele momento, o Anápolis estava mais próximo do segundo gol.
A partida teve 15 minutos iniciais, com direito a uma bola na trave em favor do Anápolis, mas a chuva forçou uma paralisação de 45 minutos. O lado técnico foi bastante prejudicado, pois as condições do campo não permitiam troca de passes e impediam bons lançamentos.
Ainda assim, o PSC saiu na frente, marcando aos 25’, em cabeceio de Kleiton Pego, após escanteio batido por Marcinho. O Anápolis pressionou muito no final da primeira etapa, mas não conseguiu furar o bloqueio.
Na etapa final, Iarley derrubou Gonzalo na entrada da área e foi expulso, deixando o Papão com um tremendo prejuízo. O Anápolis chegou ao empate aos 30’, em chute de Fernandinho que desviou e enganou o goleiro Mateus Gabriel, responsável por dois milagres.
Nos minutos finais, quando o Anápolis pressionava, aconteceu o milagre da noite. Juninho, que substituiu Ítalo, recebeu passe já no campo de defesa do Galo goiano e avançou com a bola dominada. Escapou de falta e driblou mais dois antes fuzilar o goleiro Vítor Hugo, decretando a vitória mais emocionante do Papão nesta Série C.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 11)
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