POR GERSON NOGUEIRA

Foi um massacre. O time alternativo do Paysandu foi goleado por 7 a 0 pelo Nacional, ontem à noite, em Manaus, em jogo válido pela 3ª rodada da primeira fase da Copa Norte. A surpresa ficou por conta da facilidade que o Leão amazonense teve para construir a goleada histórica. Nunca um time do Amazonas havia conseguido impor um placar tão dilatado contra paraenses.

O time B do Papão foi utilizado como forma de dar descanso e permitir tempo para treinamento dos titulares para a partida de domingo contra o Brusque (SC), na Curuzu, pela Série C. Sob o comando do auxiliar Elton Macaé (o técnico Júnior Rocha ficou em Belém), o time mostrou dispersão e fragilidade desde os primeiros minutos.

A equipe amazonense foi absoluta e dominante ao longo dos dois tempos. Pressionou desde o início, aproveitando as falhas primárias de marcação e posicionamento dos defensores do Papão. Contou ainda com a má jornada do goleiro Jean Drosny, que falhou em pelo menos dois gols.

Contundente no começo da partida e em ritmo de treino depois que chegou ao 3 a 0, o campeão amazonense marchou para a vitória sem permitir espaços para o PSC, que se perdia em passes errados e jogadas confusas quando tentava chegar ao campo de ataque.

Antes dos 20 minutos, o Naça marcou três gols e deixou o time paraense ainda mais atarantado em campo. O gol de abertura nasceu de um erro defensivo. A bola caiu nos pés de Renanzinho, que balançou as redes. Minutos depois, veio o segundo gol, em bola aérea que gerou um sururu na área e foi bem aproveitada por Michel.

Sem desacelerar, o Naça marcou o terceiro gol em outra bola aérea, aos 18 minutos. O zagueiro Thiago Lopes surgiu livre para testar de cabeça, contando ainda com a falha do goleiro Jean Drosny.

O quarto gol só não aconteceu por sorte. O Naça aproveitava os contra-ataques e chegava sempre com muito perigo à área do PSC.

Na segunda etapa, aos 8 minutos, Rafa Marcos recebeu lançamento em profundidade e finalizou com um chute rasteiro. A bola passou por baixo do goleiro Jean Drosny. Dois minutos depois, outro gol. O atacante Hernane foi derrubado na área, após jogada aguda do Naça. Ele próprio bateu a penalidade e converteu. 5 a 0 no placar.

A fatura estava liquidada, mas o Naça continuou buscando ampliar o escore, embora em ritmo mais cadenciado. Aos 28’, Vitinho aproveitou um cruzamento na área e desviou para o fundo das redes. O sétimo gol do massacre aconteceu aos 49’: Caio Callyman aproveitou um buraco na defesa bicolor e tocou rasteiro, sem chances para Jean Drosny.

Com o acachapante resultado, o Nacional assumiu a liderança isolada do grupo A da Copa Norte, agora com sete pontos, praticamente consolidando a classificação à próxima fase. O Paysandu permanece com três pontos, em situação complicada dentro da chave.

A goleada vexatória reabre a discussão sobre a qualidade das “crias” bicolores, até então muito enaltecidas por todos, e sobre a própria decisão de participar de uma competição deficitária e secundária no cardápio da equipe nesta temporada. (Foto: João Vitor/Ascom PSC)

Poveda se destaca na vitória do Leão B

O triunfo do Remo sobre o Amazonas, na quarta-feira (8), trouxe pelo menos duas boas notícias para o torcedor azulino. A primeira foi a atuação de Gabriel Poveda, que marcou o primeiro gol com a camisa do Leão. A segunda foi a movimentação da equipe, mesmo mesclada, conseguindo se impor ao adversário e criando inúmeras chances de gol.

O placar foi magro para as cinco oportunidades desperdiçadas pelo Remo na partida – três delas nos pés de Jajá, que não conseguiu acertar o rumo do gol. Reside aí justamente o grande problema da apresentação remista.

Apesar da evidente evolução da equipe, que passa a mostrar um jogo consistente mesmo quando é submetida a trocas, permanece a dificuldade em converter as chances criadas ao longo da partida, fato que havia castigado o time contra Santos e Grêmio.

Yago Pikachu, Jaderson, Jajá e Diego Hernández buscaram o ataque desde os primeiros minutos, empilhando situações de perigo para a meta amazonense. Poveda perdeu o primeiro gol aos 14 minutos. Pikachu aos 19’. Antes dos 30’, Jajá teve chance preciosa diante do goleiro e mandou por cima. No final, Poveda marcou após excelente trama iniciada por Hernández e Pikachu.

Na segunda metade do confronto, Jajá tomou sempre a decisão errada e deixou de aproveitar dois lances claros na área. Poveda recebeu lançamento perfeito de Hernández, na reta final do jogo, e fez tudo certo, mas o goleiro do Amazonas foi melhor ainda e evitou o que seria um golaço.

O Remo continua ainda tem chances de classificação, mas precisa vencer os dois próximos jogos – Águia e Galvez – e torcer para que os líderes Porto Velho e Águia se atrapalhem nas rodadas finais desta fase.

Sobre a cafonice que emporcalha o futebol

Por necessárias, endosso as palavras do grande André Barcinski, mestre da crítica musical:

“Melhor jogador do jogo na Liberta ganha o prêmio ‘Man of the Match’. O torneio é sul-americano, por que essa patacoada em inglês? Não bastam ‘hat-trick’ e ‘assistências’?”.

Na mosca. Penso da mesma forma. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 10)

One response to “Naça humilha time B do Papão”

  1. Avatar de Miguel Silva
    Miguel Silva

    Não vou aqui fazer chacota do rival do Remo. Não vai fazer diferença entre as milhares vindas dos adversários dele. Vou apenas reforçar meus comentários passados acerca dos “meninos da base”, enaltecidos por muitos dirigentes de clubes e profissionais da imprensa.

    Nascer dotado de talento pra jogar futebol não é pra todo mundo e aqueles possuidores dessa qualidade, para vingarem na profissão, precisam de preparo físico, técnico, emocional, nutricional e até intelectual, se necessário. Precisam ainda de recursos financeiros para se manterem dedicados às atividades clubisticas e colaborar no sustento de suas famílias, pois são geralmente oriundos de famílias pobres.

    É preciso um trabalho metódico, paulatino e responsável para introduzir esses garotos no meio de profissionais do time principal. E isso não acontece porque treineiros, geralmente alienígenas, não põem fé nesses meninos até mesmo por constatarem a precariedade na formação deles.

    Jogar esses jovens aos leões como o rival fez ontem no jogo contra o Nacional é de uma irresponsabilidade imensurável e, chego a dizer, criminosa.

    Vi o primeiro tempo do jogo com a sensação de que os jogadores do rival estavam ou sob efeito de remédios ou são mesmos mal nutridos, pois a lerdeza dos movimentos deles é incomum para jovens jogadores cuja característica é demonstrar energia, no mínimo.

    Para finalizar, um recado para alguns profissionais da imprensa esportiva. Deixem de delirar e de ver qualidade onde ela não existe.

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