POR GERSON NOGUEIRA

Com uma virada sensacional nos instantes finais da partida, o Remo reverteu um placar de 2 a 0 e saiu do Parque do Bacurau com a classificação assegurada para a decisão do Parazão. O Cametá vencia até os 45 minutos do 2º tempo, mas o Leão empreendeu uma reação empolgante, fortalecido por jogadores que saíram do banco de reservas.

A primeira metade do jogo foi amplamente dominada pelo Remo, que realizou uma atuação muito superior à dos últimos jogos. Com Alef Manga, João Pedro e Carlinhos na linha ofensiva, a pressão imposta no campo de defesa do Cametá deu certo.

Duas falhas seguidas do zagueiro Dedé deram a Carlinhos oportunidades preciosas para abrir o placar, mas ele finalizou em cima do goleiro João Manuel. João Pedro e João Lucas também perderam boas chances. Kayky desviou uma bola à direita da trave, com muito perigo.

Por volta dos 40 minutos, um pênalti poderia ter dado a vantagem ao Remo. Manga foi lançado por Pikachu e sofreu falta do goleiro. Na cobrança da penalidade, Pikachu chutou e João Manuel defendeu.

No penúltimo minuto, o lance mais bizarro da tarde. A bola estava com Kayky no meio-campo. Ele recuou de longe para Marcelo Rangel. O chute saiu forte e o goleiro desviou de cabeça. A bola caiu no fundo do gol.

Com o estádio em festa pela vitória parcial do Cametá, o jogo reiniciou com o Remo desestabilizado, cometendo erros que não tinha mostrado no 1º tempo. O ataque não se entendia mais com o meio-campo.

Aos 8 minutos, a casa caiu de vez para o Leão. O lateral Taboca fez linda jogada pela esquerda, avançou até a área e cruzou na medida para o cabeceio de Tauá com o gol azulino escancarado.

Juan Carlos Osório promoveu então uma troca tripla. Saíram Pikachu, Zé Welison e Pavani; entraram Zé Ricardo, Vítor Bueno e Patrick de Paula. A mudança não funcionou de imediato. O Cametá seguiu rondando perigosamente a área e Sampaio perdeu excelente chance na pequena área.

Aos 20 minutos, Nico Ferreira substituiu Diego Hernández. Dois minutos depois, ele cruzou para a área, João Pedro recebeu e tocou para Carlinhos finalizar, recolocando o Leão no jogo.

Aos 34’, novo lance agudo de Sampaio na área, aparecendo diante do goleiro Marcelo Rangel. Na sequência, Taboca entrou na área e chutou cruzado. Rangel fez grande defesa.

Aos 45’, o Leão empatou: Nico cruzou, Carlinhos dominou e devolveu o presente para João Pedro, que bateu rasteiro no canto esquerdo.

Cinco minutos depois, a virada. Vítor Bueno finalizou da entrada da área, a bola bateu na zaga e voltou para Patrick de Paula, que emendou de primeira, acertando o canto do gol de João Manuel. Um golaço. (Foto: Luís Carlos/Ascom CR)

Com escore magro, Papão se garante na final

Um gol solitário de Ítalo no 1º tempo deu a vitória ao PSC sobre o Castanhal, garantindo presença na final do Campeonato Paraense. A vitória deixa o time de Júnior Rocha na liderança isolada da classificação, com 16 pontos, e ainda mais fortalecido para o confronto com o tradicional rival em duas partidas, a partir do próximo domingo, 01.

O jogo teve ampla posse de bola do PSC, que controlou as ações desde os primeiros minutos. Impôs pressão sobre o sistema de defesa do Japiim, mas encontrou no goleiro Tom um verdadeiro paredão.

No ataque, o mais acionado pelos companheiros era Kleiton Pego, mas o atacante não conseguiu acertar o caminho do gol. O mais próximo que chegou foi em tentativa, aos 9 minutos, quando recebeu passe de Marcinho e chutou forte. A bola bateu na trave.

Ítalo rondava a área e conseguiu criar uma bela jogada, após ser lançado por Thayllon. Ele findou o zagueiro e bateu por baixo, mas Tom estava atento e foi buscar. O Castanhal só ameaçou com um chute de Romarinho da intermediária, mas o tiro saiu por cima da trave.

O lance do gol surgiu no último minuto da primeira etapa. Após cobrança de escanteio, a bola chegou a Ítalo, que, com habilidade, conseguiu colocar a bola no canto direito da trave, mesmo diante de uma barreira de jogadores do Japiim no interior da área.

No início da etapa final, um apagão de energia paralisou o jogo por cerca de 20 minutos. O Paysandu retomou as ações, trocando passes, mas sem pressa. Caio Melo descolou o primeiro lance agudo aos 11 minutos.

Em busca do empate, o Castanhal ensaiou sair da cautela, passando a arriscar investidas ao ataque. Aos 26’, uma chance de ouro para o Japiim. O zagueiro Iarley vacilou no recuo para Gabriel Mesquita e o atacante Dudu Black recuperou a bola e finalizou. O goleiro salvou com os pés.

Nos minutos finais, o técnico Júnior Rocha lançou Hinkel, Luccão e Thalyson, forçando o jogo em velocidade pelos lados, mas não conseguiu criar chances claras de gol.

O Castanhal se despediu do Parazão com presença garantida na Série D de 2027 e agora vai disputar a Copa Grão-Pará, de olho na vaga para a Copa do Brasil de 2027.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 23)

2 responses to “Virada heroica e classificação”

  1. Avatar de Bernardete Kleinibig
    Bernardete Kleinibig

    Eu novamente, outra vez aqui.

    Há uma máxima no futebol que diz que “cada jogo é uma história”, e outra que diz “quem não faz, leva”. Diante dessas incertezas, que fazem do futebol um esporte apaixonante, percebo que alguns cronistas (e vários analistas de internet, que, com o acesso azulino, pululam alarmantemente) não conseguem fazer análises mais aprofundadas.

    O time mais arrumado do campeonato já foi o Águia, aquele do jogo da primeira fase em que o Remo fez 3 a 0; depois, voltou a ser o mesmo Águia, pelo simples fato de jogar em seus domínios; agora, desta vez, o imbatível Cametá era, na ideia de muitos, o favoritaço diante da “cavalaria” do Remo (alguém inventou esse termo ridículo e os demais, em efeito manada, vão atrás). Remo vencendo todos esses, mesmo que aos trancos e barrancos, agora o timaço próximo é o Paysandú, que tem seus méritos sim. Essa ideia se propaga pelo simples fato de o PSC estar com mais pontos que o Remo – o Cametá também tinha. Essa lógica não condiz com o velho esporte bretão, ciência inexata, embora haja hoje ciência em quase tudo desse esporte. Basta um lance inesperado ou inusitado, tipo um desvio de bola, um erro de arbitragem (que, com VAR ou sem VAR, vem ocorrendo sem raridade), um jogador bisonhamente expulso etc etc etc, para tudo mudar. É o Sobrenatural de Almeida nelsonrodriguiano, que ontem surgiu lá no Parque do Bacural.

    Mas, mudando um pouquinho o rumo da prosa, no caso azulino, todas as mazelas e prognósticos funestos são feitos em face do método pouco ortodoxo praticado por J. C. Osorio. Difícil mesmo ele ser compreendido de uma hora pra outra. Complicado até mesmo para o mediano jogador brasileiro, cujo aspecto cognitivo não é lá essas coisas, adaptar-se do dia pra noite. Gênio incompreendido, talvez. Até o fato de ser sexagenário e não ser europeu, alto e forte, interfere contra ele. Um desses “influencers”, para o qual a demissão de Osório já passou da hora, que até adivinha pensamento, julgando rasamente pelo semblante do Osório: “O treineiro ficou triste com a vitória do Remo.” e outras baboseiras do gênero. Imagine: um profissional que não gosta de vencer. Outro pseudo jornalista, ex-grupo RBA, chegou a dizer que Pikaxu fez aquele gol contra o Galo só porque desobedeceu o treinador. E a defesa, que permitiu o Atlético empatar? Foi porque obedeceram Osório? Só mesmo meu interesse por acompanhar notícias do meu querido Clube do Remo me fazem ouvir semelhantes baboseiras. Melhor ouvir isso que ser surdo, como dizem aqui no Paraná.

    Quanto ao jogador brasileiro, é por isso que poucos se adaptam ao futebol europeu. Lá, os técnicos estão num nível muito mais evoluído que os daqui, que pararam no tempo. A crônica, ao que parece, ficou no mesmo nível de décadas atrás – raras exceções.

    Voltando aos jogos do Remo, o único cujo resultado ruim – na opinião humilde minha – foi o único que perdeu até agora, contra o Vitória. Em defesa de Osorio, vejo que ele herdou vários jogadores do ano passado, e que, tendo impressionado eventualmente nos treinamentos, ele se deixou por eles enganar. Plantel inchado dá nisso. Seria mais cômodo pra ele fazer o básico e escalar sempre os mesmos, mas, creio, que isso feriria seus princípios de justiça. Quantos jogadores já perdemos pelo simples fato de não terem tido oportunidade? Inúmeros. Assim, os relacionados para pegarem o beco não poderão se queixar da falta de oportunidade. Fez bem Osório, foi justo.

    A “cavalaria” não foi bem contra o Águia. Isso não significa que fosse igualmente mal contra o poderoso Cametá. O jogo mostrou bem, com o Remo fazendo o melhor primeiro tempo de todo o campeonato. Mas, como eu disse, entrou em campo o Sobrenatural de Almeida, que faz cumprir outro adágio certo: “A bola pune”.

    Árbitro foi bom; não inventou nem fez vistas grossas. Jogadores não fizeram o cai-cai vergonhoso, como os do Águia. Pikaxu deveria ter sido desaconselhado a bater pênaltis, pois claro ficou que só bate no mesmo canto. Hoje qualquer goleiro sabe disso.

    Mas, voltando ao Osório, acertou quando manteve Kaíki, dando-lhe moral; cairia de vez em desgraça se, na hora decisiva, João Pedro e Carlinhos não funcionassem. O português, pra mim, é o cara; está sempre no lugar certo e na hora certa; se bola chegar para ele, o afro-lusitano encaçapa. No primeiro gol azulino, ele, se fosse outro jogador, tentaria fazer o gol, mas em vez disso, vendo o Carlinhos melhor, simplesmente o serviu à feição, e este, desta vez não errou. No gol seguinte, ele foi servido, mas não pense que a bola estava fácil; naquela finalização, acertar o gol não era tarefa simples pra outros.

    Esse jogo – na minha opinião – encheu de moral o time e a torcida azulina.

    Que venham Inter e Paysandú. Isso.

  2. Avatar de Bernardete Kleinibig
    Bernardete Kleinibig

    AINDA falando sobre águas passadas.

    1. Não se algum cronista ou mesmo analista de internet observou que, possivelmente, o primeiro pênalti contra a Tuna, naquela goleada que levou do bom time do PSC, pode ter sido uma consequência daquele outro pênalti a favor da Tuna, lá no primeiro jogo entre os dois na fase classificatória. Naquele primeiro jogo, a Tuna só venceu por conta da imprevisibilidade. Com a derrota decretada, o presidente bicolor foi às tribunas da imprensa protestar veementemente contra o árbitro, porque era uma vergonha, um roubo descarado etc. A mídia paraense não entendeu o porquê da grita, acusando o mandatário alvi-azul de exagerado e coisas assim. A resposta veio no último jogo, o da goleada. Sim, com ou sem aquele pênalti, o bicolor venceria igualmente, mas não é sobre isso que estou falando aqui.
    2. Não entendi a razão de a diretoria azulina não ter pedido antecipação do jogo contra o Cametá para o sábado, o que daria ao elenco mais um dia de descanso para a partida contra o Internacional. Sim, bastava antecipar o jogo do Cametá contra o Santa Rosa para a quarta-feira, no dia da partida entre Remo e Águia. Acho que dormiram no ponto e o resultado é um time cansado (tomara que não) contra o Inter.
    3. Creio que poucos observaram que a razão maior de (1) o Remo ter amassado o adversário no primeiro tempo, e, houvesse justiça, teria saído com uns 2 a 0 no marcador; (2) o Remo ter empatado e virado um jogo que, noutras épocas, teria perdido, se deve a Osorio ter escalado e mantido o time com dois atacantes de área (João Pedro e Carlinhos). Quando os dois se entenderam, saíram os gols que faltaram no primeiro tempo: um gol de cada um; uma assistência de cada um. Osório mudou algumas peças, porém, para contrariedade de muitos, manteve os dois atacantes de área.

    Águas passadas. Que venha o Inter e que Osorio corrija a defensiva azul, que não vem acertando. A.V., sudoeste do Paraná.

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