Qualquer pessoa com um discernimento razoável acharia as medidas de Moraes contra vazamentos adequadas à gravidade do crime.

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Vamos a uma demonstração, ao vivo e em cores, sobre como funcionam as parcerias visando o lançamento da Lava Jato 2, conforme antecipamos no artigo “O monstro despertou: começa a Lava Jato 2“. Houve indícios claros de tentativa de quebra de sigilo de Ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares. Se cometido contra qualquer cidadão, quebra de sigilo fiscal é crime. Contra um Ministro do Supremo, é crime gravíssimo.

A investigação foi conduzida pela Receita Federal e, depois do relatório inicial, Alexandre de Moraes ordenou colocar tornozeleira nos suspeitos e segurar os passaportes.

Imediatamente, O Globo montou uma operação visando escandalizar a atitude de Moraes. Todas as críticas são atribuídas a auditores da Receita e a outros Ministros do STF, baseadas em um velho truque:

* Utilize o coletivo para dar mais ênfase à declaração em off. Se for de UM Ministro do STF, use um genérico Ministros.

* Encontre alguém crítico à medida, na Receita e no STF.

O Globo ouviu a diretoria da Unafisco e membros do STF. Em princípio não significa nada. Se for 1 ou 2 ou 3 membros do STF, não há a menor diferença, sabendo-se das divisões internas.

Esse jogo desmoralizante do off resultou nas seguintes manchetes, apenas na edição de ontem:

Qualquer pessoa com um discernimento razoável acharia as medidas de Moraes adequadas à gravidade do crime. Conversei com auditores fiscais, por exemplo, que estavam escandalizados com a cobertura de O Globo. Poderia manchetar: “Fiscais sentem-se incomodados com as manchetes de O Globo”, mas seria um abuso do uso do coletivo. Mas O Globo usa e abusa dos coletivos e do verbo “incomodar”.

Vamos fazer algo diferente: individualizar os críticos.

Kleber Cabral – presidente da Unafisco, personagem central das matérias de O Globo sobre as supostas arbitrariedades de Moraes. Em 2022 foi candidato a deputado estadual pelo Podemos, tendo como cabo eleitoral Deltan Dallagnol. No início de 2019, mandou instalar outdoor na saída do aeroporto de Brasília dando boas vindas ao Presidente da República recém-eleito, Bolsonaro. Durante o mandato, manteve estreita relação com Flávio Bolsonaro e outros parlamentares da extrema-direita. 

Aqui, a defesa que Deltan faz do seu correligionário.

O Globo incluiu, nessa cobertura, um número recorde de 6 repórteres experientes. Nenhum deles levantou as raízes bolsonaristas de Kleber Cabral?

Ricardo Mansano de Moraes – O auditor fiscal da Receita, que recebeu as tornozeleiras, está no cargo desde 2007, e atua na Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório (Eqrat). Segundo O Globo, “em suas redes sociais, o auditor fiscal segue perfis de políticos de direita, como do ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Kim Kataguiri (UNIÃO-SP)”. Ele teria acessado alguém de sobrenome Feitosa. Suspeitou-se que fosse alguma parente de Guiomar Feitosa, ex-esposa de Gilmar Mendes. Ele esclareceu que era seu amigo Ricardo Feitosa, que ele pretendia reencontrar. Uma desculpa fajuta mas que esclarece outros pontos.

Quem é Ricardo Pereira Feitosa? Foi um fiscal afastado, depois demitido do serviço público federal, por acesso indevido a dados fiscais sigilosos de adversários de Jair Bolsonaro, especialmente Paulo Marinho, Gustavo Bebianno e Eduardo Gussen (procurador geral da Justiça do Rio de Janeiro).

Na época, Feitosa ocupava o cargo de Coordenador-Geral de Pesquisas e Investigações, do núcleo de inteligência da Receita Federal. Estava no centro da inteligência da Receita, levantando informações contra inimigos de Bolsonaro.

Julio Cesar Vieira Gomes, ex-secretário da Receita Federal no governo Bolsonaro.

Faz parte da diretoria da Unafisco. Em dezembro de 2025 foi demitido pela Controladoria-Geral da União (CGU), por ter tentado usar o cargo para tentar liberar ilegalmente joias apreendidas no Aeroporto de Guarulhos, apresentadas pelo governo da Arábia Saudita a Jair Bolsonaro.

Aqui, um dos heróis de O Globo ao lado de seu patrono.

Todos esses bravos auditores da Receita, utilizados para atacar o Supremo, são bolsonaristas de carteirinha. Os jornalistas de O Globo, deveriam ler o Relatório Final da Policia Federal, nos autos do IPL nº 2023.0022161 – CGCINT/DIP/PF:

Diz ele:
O contexto da reunião revela uma articulação cujo objetivo era criar um fato contra servidores da Receita Federal do Brasil, utilizando alegações de existência de uma organização criminosa no órgão para deslegitimar os procedimentos da Corregedoria-Geral do órgão. Essa narrativa, baseada em acusações não comprovadas, tinha como objetivo final anular na origem, as apurações relacionadas às movimentações financeiras suspeitas envolvendo o Senador FLÁVIO BOLSONARO, deflagradas a partir de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) emitido pelo COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Ou seja, a banda bolsonarista da Receita – com integrantes da Unafisco – juntou-se aos bolsonaristas para atingir auditores corretos e o corregedor do Rio de Janeiro, empenhados em uma investigação sobre as rachadinhas de Flávio Bolsonaro.

Esses são os personagens aos quais O Globo recorreu, para deslegitimizar o Supremo Tribunal Federal.

Querem mais? Segundo o IPL:

A partir das demandas das advogadas de Flávio Bolsonaro, o Diretor-Geral da ABIN, Alexandre Ramagem, mobilizou a estrutura paralela da Agência de Inteligência. Ele ordenou que servidores da ABIN (como Marcelo Bormevet e Carlos Magno) realizassem ações clandestinas para “achar podres e relações políticas” dos auditores fiscais da Receita Federal (Christiano Botelho, Cleber Silva e José Barros Neto) na tentativa de desacreditá-los e favorecer a defesa do senador

Conforme queríamos demonstrar, estão aí os primeiros movimentos para a Lava Jato 2, entre mídia e os porões do funcionalismo público. E, com a mesma falta de sutileza da cobertura da Lava Jato, O Globo expõe as vísceras de uma cobertura viciada.

E mostra o erro do governo de não ter degolado a Hidra de Lerna desde o início. Quando mais adia, mais perigoso fica.

One response to “Como ‘O Globo’ se aliou ao lavajatismo e ao bolsonarismo contra o STF”

  1. Avatar de Bernardete Kleinibig
    Bernardete Kleinibig

    Passarão duzentas gerações e a família Marinho (não só ela) combaterão governos progressistas ou instituições minimamente favoráveis ao justo e ao razoável.

    Pouco pesquisei o velho Irineu Marinho, fundador de O Globo, mas muito sei de Roberto Marinho, seu herdeiro direto, fundador da Rede Globo numa negociação com o grupo Time Life, que, segundo consta, teria apoiado Marinho com suporte técnico e capital (muito capital). Seu objetivo, plenamente alcançado, foi atingir o paraibano Assis Chateaubriand, então magnata das comunicações neste país.

    O “doutor” Roberto esteve envolvido até o pescoço nos episódios que combateram Getúlio Vargas, culminando em sua queda com o suicídio de 1954. Tudo bem para O Globo enquanto Vargas esteve como ditador, porquanto aí GV comportou-se como aliado do País Sem Nome, apesar de ditador: “Ditador bom é ditador que trabalha a nosso favor”. Melhor mesmo foi quando Dutra chegou ao poder, esmerando-se em importar quinquilharias dos ianques; melhor seria se o Brigadeiro vencesse as eleições: perdeu a primeira (para Dutra) e perdeu a segunda, para o ditador Getúlio.

    Aí, já não prestou. Vargas aumentou salário mínimo em 100%, sugerido por um estancieiro chamado João Goulart, seu conterrâneo e cunhado de Brizola. Vargas se negou mandar soldados para servirem de buchas de canhão para os EUA na Coreia. Como se não bastasse, Gegê elevou as taxas sobre remessa de lucros das empresas estrangeiras (a maioria estadunidenses).

    Mas não só ele. Como hoje, em que à Globo fazem coro o Estadão, a Folha, UOL, etc etc, estavam no mesmo lado de Marinho Macedo Soares (Diário Carioca), o próprio Chateaubriand e, principalmente, Carlos Lacerda. A Tribuna da Imprensa, deste último, era um jornal insignificante, de pouca circulação e apenas no Distrito Federal, mas os textos de Lacerda eram reverberados por essas e outras mídias. Getúlio era um ditador, que só podia estar do lado dos comunistas vermelhos, e que iria afundar o Brasil no mar de lama da corrupção.

    A.V.

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