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Um pequeno clássico do sexto LP do Legião Urbana, O Descobrimento do Brasil (1993), a balada “Giz” foi escrita por Renato Russo e ganhou fama como a canção favorita dele na discografia da banda. Entre ansiedade e bucolismo, a letra reflete a encruzilhada emocional que Renato Russo vivia bem no início do tratamento contra a dependência química. O disco foi o sétimo mais vendido (mais de 950 mil cópias) da carreira do grupo brasiliense.

A composição teve colaboração de Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, e se sustenta na nostalgia da infância, na saudade de cores e lugares. Renato foi prospectar memórias de criança, como no verso “Eu rabisco o sol que a chuva apagou”, que se tornou alegoria de resistência e esperança, para os sempre apaixonados fãs do Legião.

Mergulho intimista, a canção se originou de um preset de teclado, apelidado pela banda de “garrafinha” na fase de pré-produção do álbum. Pode-se dizer que a melodia despretensiosa e melancólica, com acordes suaves de guitarra, é acima de tudo um inventário poético de Renato Russo. Fala de amor, mas um tipo de amor idílico, não por alguém, mas por uma cidade – o Rio de Janeiro.

Renato explicou, no álbum Como é que se diz eu te amo (CD2), o significado de “Giz”, após a execução ao vivo da música. “Essa que a gente tocou é sobre quando (…) a gente voltava da escola e começava a chover, a gente pegava tijolo de construção mesmo pra ficar desenhando o sol. Isso aos sete anos de idade, oito anos de idade. E essa música é sobre isso, sobre um Rio de Janeiro que já foi, já foi embora.”

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