
POR GERSON NOGUEIRA
O torcedor costuma ser muito exigente quanto às contratações no início de temporada. É claro que o nível de exigência aumenta ainda mais quando o campeonato a disputar é o mais importante do país. Por essa razão, a etapa de busca de reforços vivida pelo Remo é certamente a mais desafiadora da história do clube. Não basta contratar; é preciso contratar bem.
A diretoria faz o que pode e corre de um lado a outro buscando reforços. Até agora, conseguiu Yago Pikachu, Thalisson, João Lucas, Alef Manga, Carlinhos e Zé Ricardo. Negocia com Patrick de Paula, Fábio Matheus, Léo Andrade, Jajá e Maurício Garcez.
Parece pouco para quem tem pretensões de fazer boa campanha na Série A, mas é o possível para um clube que acaba de subir da Série B e enfrenta as dificuldades naturais do mercado. O chamado “custo Pará” é um dos maiores entraves.
Jogadores cobram uma espécie de ágio para jogar no Norte do país. Se os salários para clubes do Sudeste ou Nordeste são de R$ 30 mil, para o Remo não fica por menos de R$ 45 mil. Isto é só um exemplo da situação. É assim há muito tempo, mas a Série A amplificou essa prática.
A contratação de Pikachu foi definida em curtíssimo espaço de tempo, por razões óbvias. Não houve empecilho porque é um atleta paraense, sem necessidade de adaptação ao clima e acostumado aos problemas logísticos de viver no Norte do país.
Ao mesmo tempo em que se desdobra no mercado, tentando vencer a concorrência, o Leão enfrenta a desconfiança normal em relação a clubes emergentes. Jogadores de bom nível, como pede o torcedor, muitas vezes evitam se arriscar por um time recém-chegado à Série A.
Existem negociações em curso com atletas da chamada primeira prateleira, necessários para encorpar e qualificar o elenco, mas a diretoria opta pelo silêncio. É uma estratégia que blinda os negócios e impede que o encaminhamento de acerto salarial se transforme em leilão.
O certo é que, aos poucos, o próprio torcedor vai caindo na dura realidade da Primeira Divisão. Aceitar com um time operário, com feições de Série B, parece inevitável a essa altura – salvo surpresas de última hora. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)
Papão drible a crise e contrata dois bons reforços
De forma até surpreendente, o PSC conseguiu fechar a contratação de alguns bons reforços, driblando a dura crise financeira que veio após a derrocada na Série B. Ítalo Carvalho e Marcinho são os principais exemplos do acerto na busca por novos jogadores.
Dentro do critério de trazer atletas experientes, o clube se movimentou rapidamente e trouxe o atacante Ítalo Carvalho, 29 anos, atacante que se sobressaiu na Série B pelo Volta Redonda. Outro bom nome é Marcinho, 30 anos, ex-Chapecoense, também oriundo da Série B.
Outras aquisições, já apresentadas e integradas ao elenco, são o zagueiro Castro (30), o volante Caio Melo (25), o goleiro Jean Drosny (31), o lateral-direito JP Galvão (24) e os atacantes Kleiton Pego (25) e Danilo Peu (22). São apostas avalizadas pelo técnico Júnior Rocha.
O diretor de futebol, Alberto Maia, informou ontem que o ciclo de contratações será fechado com reforços para a lateral-esquerda e a zaga.
Camisa Red da Seleção pode ter uma nova chance
Depois de ter sido fabricada com endosso da CBF, presidida à época por Ednaldo Rodrigues, a lendária camisa vermelha da Seleção Brasileira pode finalmente vir a ser comercializada. A Nike estaria planejando colocar à venda o uniforme, que sofreu campanha furiosa por parte de setores identificados como bolsonaristas, defensores do mote “minha bandeira jamais será vermelha”.
Confundiram um tema meramente esportivo com questões políticas. A implicância com a cor vermelha na camisa da Seleção ganhou o apoio de aloprados da mídia, ávidos em conquistar o público mais conservador.
O problema é que, do ponto de vista do fabricante, vender a camisa vermelha serviria para recuperar os custos de produção do uniforme e oferecer aos fãs um precioso item de colecionador. O entrave está na atual direção da CBF, que também tem horror à cor vermelha.
Como o capitalismo não aceita portas fechadas, é provável que a Red seja finalmente comercializada, até mesmo porque pesquisas indicam grande interesse do torcedor-consumidor.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 07)
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