
POR GERSON NOGUEIRA
O técnico argentino Martín Palermo disse em entrevista na sexta-feira (12) que foi sondado pelo Remo, mas que o projeto não o cativou. Deu a entender que não sentiu firmeza quanto à continuidade, como se o acesso não sinalizasse permanência na Primeira Divisão.
É a primeira manifestação pública de um treinador sobre contato com o Remo nas últimas semanas. Ganha importância ainda maior por revelar que o clube azulino vai conviver com desconfianças sobre sua capacidade de se manter na elite. Algo natural para um time que não disputa a competição há 32 anos.
O que agrava a situação é que, além do longo tempo de ausência, o Remo tem contra si as incertezas normais que rondam um time do bloco médio, oriundo da Região Norte e com orçamento modesto na comparação com gigantes do futebol nacional.
A principal dúvida diz respeito às condições de investimento. Técnicos e jogadores avaliam os convites a partir da capacidade financeira dos clubes. Um clube emergente chega sempre sob a suspeita de que não terá bala na agulha para continuar disputando a Série A.
Não é questão de preconceito ou má vontade, apenas um olhar influenciado pelo próprio histórico da competição. Afinal, mais de 80% dos clubes vindos da Série B terminam rebaixados ao cabo de um ano de participação.
O Remo tem a declarada ambição de desmentir essa regra maldita. O projeto de chegar à Primeira Divisão foi anunciado ainda por ocasião da eleição do presidente Antônio Carlos Teixeira. Depois, ganhou força com a subida para a Série B e se concretizou nesta temporada.
As movimentações do clube nas últimas semanas atestam o comprometimento da gestão, mostrando responsabilidade, frieza e rigor na busca por reforços, evitando até o recurso fácil de sair contratando afoitamente – tanto o técnico quanto os reforços para o time. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)
Guto e as lembranças de um acesso heroico
“Quando você tem uma única opção de resultado, ganhar ou ganhar, talvez fique mais fácil conseguir”. Palavras de Guto Ferreira no programa Resenha ESPN, na sexta-feira, sobre o heroico acesso com o Remo. Ele citou como exemplos o empate com o Novorizontino e a derrota para o Avaí, quando a equipe jogava por mais de um resultado.
Já diante do Goiás, na rodada final, precisando vencer a qualquer custo, a concentração do time foi absoluta e determinante para o triunfo.
Guto voltou a falar com emoção do acesso obtido à frente do Remo, dedicando um carinho especial à relação com o torcedor. Citou a fé como um elemento fundamental para a evolução do Leão nas 10 rodadas finais.
Quando ele foi contratado, a obrigação era vencer oito jogos para ter a chance de conquistar o acesso. No fim das contas, as sete vitórias e os dois empates foram suficientes para alcançar o objetivo.
Ao falar sobre a relação com Marcos Braz, Guto foi econômico, mas elogiou o executivo azulino. Ao comparar os cinco acessos de sua carreira, admitiu que o conquistado com o Leão foi o mais emocionante, pelo envolvimento apaixonado da torcida e a arrancada sensacional do time.
Em tempo: o técnico Mozart, outro convidado do programa, elegeu como parada mais indigesta jogar em Belém contra a torcida do Remo.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta o programa a partir das 22h deste domingo, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.
Em discussão, a expectativa pelo Campeonato Paraense e os preparativos de Remo e PSC para 2026. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
Fla sob o peso da obrigação de chegar à final
O Flamengo enfrenta o Pyramids, do Egito, neste sábado (13), na semifinal da Copa Intercontinental de Clubes. O jogo será disputado em Doha, sob um calor infernal, o que deve castigar ainda mais o desgastado time rubro-negro, que fará seu 77º jogo na temporada.
Mais do que o perigo representado pelo clube egípcio, o Flamengo terá que conviver com a obrigação de alcançar a decisão da competição. Campeão sul-americano, o time rubro-negro não é favorito ao título, mas é apontado como superior ao adversário da semifinal.
Diante do Cruz Azul na estreia, o Flamengo teve bons momentos, mas sofreu mais do que o previsto, cenário que pode ser fatal contra o Pyramids, um time que se defende bem e aposta sempre no contra-ataque.
Curiosamente, na entrevista pré-jogo, Filipe Luís queixou-se da torcida brasileira pela reação à derrota sofrida para o Bayern de Munique no Mundial de Clubes.
Com certa mágoa, o técnico diz que o Fla deixou boa impressão lá fora, mas teria sido “massacrado” no Brasil ao ser eliminado. Não lembro disso, pelo contrário – houve até o tradicional oba-oba por parte da mídia trepidante.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 13/14)
Imprensa paraense também é ridícula, 90% da nossa imprensa torcem pra time do eixo. Não precisa nem ter preconceito das pessoas de lá, os daqui mesmo já fazem isso.
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Uma coisa nada tem a ver com outra, meu caro. O fato de alguém “da imprensa” torcer ou nutrir simpatia por clubes de outros Estados – Rio, SP ou SC – ou até mesmo da Mongólia não muda um milímetro da realidade de um clube nortista. Jornalistas não são gestores ou empresários ou treinadores, são apenas jornalistas. Quanto ao preconceito que você cita, ele existe e parte de lugares nutridos da cultura do ódio, alvejando não só o futebol, mas a cultura e a própria localização geográfica, como vimos por ocasião da recente COP30. Em tempo: meu texto não faz referência a preconceito ou discriminação, apenas ao contexto financeiro e estrutural, de amplo conhecimento público. Ah, tem mais: se a questão era lembrar que sou botafoguense, sou mesmo. Azar o seu de não admirar o clube que deu ao Brasil uma Copa do Mundo e enriqueceu o futebol mundial com tantos craques.
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É uma vergonha isso, ter orgulho de um clube que carrega bandeira de outro estado, eu começei ter amor e barrismo com meu time sem divisão. Sempre vou lutar contra esses sudestinos e sulistas falsificados. 🦁CLUBE DO REMO SEMPRE 🦁
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O ato de torcer por um clube é uma das decisões mais definitivas e importantes na vida de uma pessoa, e não pode ser julgada por ninguém, muito menos por visões meramente bairristas. Entendo a preocupação com o fortalecimento dos clubes, mas nem isso permite o direito de hostilizar alguém por ter optado por este ou aquele clube, escolha que ocorre na imensa maioria das vezes ainda nos primeiros anos da infância.
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Penso que não seja só a questão financeira. É pouco falado pela imprensa, mas o Remo é a equipe com a estrutura mais deficitária da série A, basta lembrar que não tem CT, chamar o de Outeiro de CT é assinar embaixo que não se sabe do que se trata. Nas últimas duas décadas não se tem notícia de um clube disputar série A sem minimamente um CT. Há o Baenão dirão alguns. Isso é improviso, pelo menos é assim que o mercado lê, e improviso não seduz jogadores e técnicos nessa prateleira. O cara pensa duas vezes em assinar, imagina que o clube vai ter dificuldades de seduzir bons valores e aumentar chance de queda. E ninguém quer correr risco de colocar rebaixamento no currículo. O Remo vai tomar muitos nãos, e não pode ser infantil ao achar que a simpatia pela sua subida vai ser suficiente pra convencer profissionais. Nem usar a grande torcida como trunfo de sedução. Esses profissionais pensam primeiro no projeto, capacidades, se assim não fosse, Bragantino, Mirassol entre outros sem grandes torcidas não formariam bons times, nem os Sports da vida, com massa de torcedores cairiam por deficiências no elenco. Outra grande dificuldade é o nosso costume de contratos por um ano de campeonato, na série A o jogador e os técnicos querem contratos mais longos, no mínimo de 2 anos, mas claro que o Remo não pode assumir esse tipo de compromisso pela incerteza de permanência na A, seria desastroso manter folha de série A numa B. Por tudo isso é melhor a torcida e até mesmo a imprensa baixarem o sarrafo quanto à grandes jogadores e técnicos vestindo azul marinho. É provável que os nomes conhecidos sejam de jogadores sem mercado nas outras equipes, por várias razões. Mais dificuldades na montanha que o Remo precisa escalar para se manter na nossa principal divisão.
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Bem observado, Alex. O sarrafo quanto a grandes astros já é baixo naturalmente, assim como é natural que hajam restrições em consequência da estrutura deficiente. São problemas antigos, acumulados ao longo dos anos, que agora cobram um preço alto.
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