
POR GERSON NOGUEIRA
A diretoria do Remo acertou em cheio ao decidir pelo estádio Jornalista Edgar Proença (Mangueirão) como palco do jogo contra o Goiás, no próximo domingo (23), fechando em grande estilo a campanha na Série B, e em clima de esperança quanto ao acesso à Primeira Divisão.
A torcida azulina, que garantiu o maior volume de recursos de um clube na competição, líder absoluta em dinheiro arrecadado nas bilheterias, merecia ser prestigiada com a chance de incentivar o time no espaço adequado. O Banpará Baenão, estádio do clube, abriga apenas 14 mil espectadores. O Mangueirão recebe mais de 50 mil.
Para se ter uma ideia, ontem à tarde, horas depois de aberta a venda, cerca de 22 mil ingressos foram vendidos, assegurando a lotação máxima no Lado A, que concentra tradicionalmente o torcedor azulino. O Lado B já apresenta venda expressiva e deve esgotar nesta quarta-feira.
É absolutamente oportuno que o clube homenageie seu torcedor, convocando-o para um jogo que adquire aspectos de uma grande celebração. Obviamente, os 50 mil espectadores sonham com a vitória e o acesso. A motivação natural de quem vai a um estádio é festejar triunfos do seu time, mas o encontro no Mangueirão será bem mais que isso.
A diretoria ouviu a comissão técnica, que era favorável à manutenção do jogo no estádio Banpará Baenão. Pesou, porém, a preocupação em dar à torcida a oportunidade de ir em grande número apoiar o time em confronto tão importante. Além disso, há a lembrança de confrontos de desfecho desfavorável no Baenão – Confiança (2021) é o exemplo mais vivo. (Foto: Felipe Sacramento/CR)
Racismo agride torcida do Remo e ofende o Pará
A cultura do ódio, que assola o país há séculos e que emergiu com mais virulência nos últimos oito anos misturada ao fascismo, principalmente em Estados sulistas do Brasil, sob a tolerância de muitos, manifestou-se de forma brutal no último sábado (15) no estádio da Ressacada, em Florianópolis, por ocasião da partida entre Avaí e Remo.
Era um jogo importante e decisivo, com forte presença de famílias paraenses nas arquibancadas. Merecia um desfecho pacífico. Independentemente do resultado final e das eventuais gozações que envolvem o universo do futebol, a civilidade deveria prevalecer.
Não foi o que se viu. Uma torcedora catarinense, cujo nome até agora foi preservado, dirigiu-se a torcedores do Remo gritando insultos variados. Chegou a dizer: “Olha a tua cor…”, passando a mão no rosto para acentuar a eventual diferença de pele.
Uma inconfundível e clássica afirmação racista, acompanhada de uma saraivada de ofensas sobre condição social e origem geográfica das pessoas. São nesses momentos que se percebe da pior forma o quanto o Brasil pacífico e gentil às vezes dá lugar a um país cruel e intolerante.
É necessário dizer que crimes desse tipo precisam ser contidos e punidos porque são reveladores de uma grave doença social. São sintomas de uma sociedade dominada por sentimentos de hostilidade em relação às diferenças e de profunda rejeição aos contrastes.
Cabe destacar a categórica reação do Clube do Remo, da Federação Paraense de Futebol e da diretoria do Avaí. Por inaceitável, a agressão merece ser denunciada e os criminosos penalizados. Se não for possível curar a paranoia racista, pelo menos serve para inibir. Que assim seja.
Papão encara Athletic em clima de dupla despedida
O jogo contra o Athletic, no próximo domingo, será a despedida do PSC da Série B e também o adeus definitivo a um projeto equivocado, que resultou na campanha mais vexatória do clube em campeonatos brasileiros.
Para encarar o time mineiro, em São João Del Rey, o Papão terá praticamente o mesmo time que atuou nas últimas partidas, contra Coritiba e Amazonas. As exceções são Marlon e André Lima, ambos suspensos.
Há dúvida quanto a Quintana, que saiu lesionado do jogo com o Amazonas. O técnico interino Ignácio Neto deve utilizar mais jogadores do Sub-20 na relação de atletas para o jogo diante do Athletic.
Governo lança edital de seleção para “atleta pódio”
O Ministério do Esporte (MEsp) publicou na segunda-feira (17), no Diário Oficial da União, o edital de seleção para a categoria Atleta Pódio do Bolsa Atleta, referente ao ciclo 2025/2026. A categoria é a mais alta do programa e concede benefício de R$ 5.000 a R$ 16.629 mensais. Ela é destinada a atletas de alto desempenho com foco em competições internacionais. O programa é um dos maiores do mundo em patrocínio direto a atletas.
A secretária Nacional de Excelência Esportiva, Iziane Marques, destaca a importância da continuidade do programa. Ex-atleta de basquete, Iziane lembrou que o programa é um mecanismo de apoio fundamental para o esporte de alto rendimento no Brasil, pois garante condições adequadas de treinamento e participação em competições para atletas sem patrocínio.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 19)