
POR GERSON NOGUEIRA
Um movimento discreto e providencial da diretoria do Remo e da comissão técnica tem ajudado a sufocar os níveis exagerados de empolgação em relação à partida de amanhã (15) contra o Avaí, em Florianópolis. O compreensível entusiasmo da torcida começou a ser explorado irresponsavelmente por figuras alheias ao clube, interessadas em alardear o suposto favoritismo da equipe azulina.
Houve até quem se dispusesse a especular sobre locais para a festa da vitória. Uma tremenda insanidade, que também é atitude desrespeitosa em relação ao adversário. Além disso, como é normal em futebol, as notícias sobre o clima de festa podem facilmente ser capitalizadas pelo time catarinense, tornando a batalha mais difícil do que já é.
Diante de sinais de hostilidade emitidos por dirigentes e técnicos dos times derrotados pelo Remo nas últimas rodadas, o bom senso recomenda foco e concentração absoluta no jogo, evitando complicações desnecessárias.
O fato de o elenco treinar em Florianópolis, bem distante das muvucas de Belém, facilitou o trabalho de blindagem. A comissão técnica, sob o comando do experiente Guto Ferreira, tem se encarregado de dedicar tempo e atenção à preparação para a partida mais importante do ano.
Apesar disso, um expressivo contingente de torcedores já se encontra em Florianópolis e esgotou a primeira carga de ingressos disponibilizados para o jogo na Ressacada – cerca de 2 mil bilhetes. No final da manhã de ontem, a diretoria anunciou mais um lote de 800 ingressos, também já adquiridos.
Sinal evidente de que não faltará o apoio e o calor do Fenômeno Azul ao time de Guto Ferreira. E é nas arquibancadas que o entusiasmo deve ser manifestado, com o objetivo de empurrar o time rumo à vitória. Comemoração só depois dos 90 minutos. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)
Projeção favorece, mas sistema é ponto forte
Há oito rodadas, o Remo joga dentro de um sistema de transições rápidas, contra-ataques letais e avanços pelos lados do campo. Nada revolucionário, mas extremamente funcional com as peças disponíveis no elenco. Nesse sentido, a capacidade de recuperação de bolas no meio-campo se junta à velocidade nas ações ofensivas.
O sistema funcionou muitíssimo bem nos seis primeiros jogos de Guto Ferreira como comandante. Foram seis vitórias, quase todas sustentadas por desempenho de bom nível. No sétimo jogo, houve o empate com a Chapecoense dentro de casa, apesar da boa atuação coletiva.
Na oitava partida, contra o Novorizontino, surgiram fragilidades que ainda não eram visíveis. Sem Caio Vinícius na luta de meio-campo e sem Diego Hernández ajudando Pedro Rocha e Nico Ferreira na frente, o Remo não lembrou a agressividade dos jogos anteriores.
A boa notícia é que os dois ausentes daquele confronto estarão em campo amanhã. Os sites de projeções dão ao Remo 59% de chances de acesso, abaixo da Chapecoense (68%) e do Coritiba, praticamente classificado. Para que isso se confirme, será preciso reativar o sistema.
Papão desfigurado encara Onça desesperada
O PSC entra em campo hoje à noite (20h) para enfrentar o Amazonas com um time praticamente novo em relação ao que disputou o 1º turno da Série B. Sem Matheus Nogueira, que cumpre protocolo de concussão e foi titular na maioria dos jogos, a equipe terá mudanças em todos os setores.
A zaga, que até pouco tempo atrás era formada por Thiago Heleno e Thalisson, agora tem Quintana-Novillo. Em alguns aspectos, a dupla atual leva vantagem sobre a anterior, principalmente quanto ao jogo aéreo.
O meio-de-campo se ampara na figura de Pedro Henrique, segundo volante e bom distribuidor de jogo, grande revelação desta fase de cumprimento de tabela. O ataque tem Marcelinho, Wendel e Marlon. No banco, Ignácio Neto leva vários jogadores da base do clube.
Com 35 pontos e ocupando a 18ª posição, o Amazonas tenta lutar contra as probabilidades. Para escapar ao rebaixamento, o time do lendário Aderbal Lana precisa de seis pontos, contra PSC e Coritiba. É a única possibilidade de alcançar Athletic (40 pontos) e Botafogo-SP (41).
Bruno Henrique: um prêmio à impunidade
O mundo sofre mudanças profundas, inclusive climáticas, mas não há jeito de alterar a nociva influência de certos clubes na justiça desportiva. O STJD teve a pachorra de absolver Bruno Henrique, acusado (com provas) de envolvimento com a máfia das apostas esportivas.
Não haveria maior grita se outros jogadores – Alef Manga, Nino Paraíba – não tivessem sido punidos com longas suspensões, pelo mesmo delito.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 14)