O ano em que o punk venceu

Por André Forastieri

“As bandas de Seattle têm atitude. O Soundgarden quer mudar o mundo. O Nirvana quer destruir o mundo. O Mudhoney está pouco se fodendo”. Quando Álvaro Pereira Júnior abriu assim uma resenha sobre o Mudhoney, anos atrás, não sabia o quanto estava sendo profético.

O Nirvana queria destruir o mundo. Surpresa, o Nirvana conseguiu. O que veio depois seria definitivamente diferente. E não estou falando da música. “Antes existia o mundo da inevitabilidade, das armações impenetráveis. O mundo da nostalgia do big brother que não houve. Era um lugar estável, glamuroso e bob.

E de repente fez-se a luz. Um clipezinho de merda na MTV devorou um mundo. Não é fantástico? O que aconteceu depois é o mundo das possibilidades infinitas, das evoluções não-lineares e das revoluções repentinas.

De repente, aparecem um monte de bandas legais. De repente não existe o muro de Berlim. De repente tem uma guerra na Europa. De repente garotos ingleses largam tudo e viram andarilhos modernos. De repente as drogas psicodélicas se encaixam na década de 90.

De repente um bando de desenhistas da Marvel constroem em um ano a mais lucrativa editora de quadrinhos do mundo. De repente uma rede inventada pelo governo americano para garantir o fluxo de informações em caso de guerra nuclear vira o maior fórum democrático e oportunidade comercial do planeta.

De repente tecnologia é de graça, de repente o desemprego é eterno, de repente a Aids é só o começo. De repente dá pra fazer o que a gente faz e viver a vida que a gente vive. De repente – um monte de coisas novas, assustadoras e estimulantes.  É tudo por causa de Kurt Cobain? Ahnn, não, não é, não totalmente, mas parece, então talvez seja.

Olhando para trás, para o ponto zero desse vórtex, vejo garotas vestindo o A da anarquia… elas animam uma nova raça de moleques descabelados… a energia que emana deles é a energia que gira a roda do mundo… eles estão numa quadra de basquete que fica em outra dimensão… e nós também.” (Texto para a revista General, 1995, um ano após o suicídio de Cobain.)

ASSISTA

The Year Punk Broke, clássico doc que mostra a tour Sonic Youth & Nirvana nos últimos meses de 1991, quando a banda tinha acabado de estourar. Participações especialíssimas de bandas incríveis como Dinosaur Jr., Babes in Toyland e… Ramones! Agora inteirinho no YouTube.

Essa foto explica direitinho o Hole, que tinha acabado de estrear: Courtney com Kim do Sonic Youth e Kat das Babes in Toyland!

LEIA

Percebi hoje que o textinho acima indica que em 1995 eu já estava encafifado com os temas de “O Dia Em Que o Rock Morreu”, que publiquei em 2014. 

Fã do Nirvana de verdade tem que ler Kurt Cobain – Fragmentos de Uma Autobiografia, análise de todas as canções dele, uma por uma. 

Lançamos na Conrad em 2002, obra do inigualável Marcelo Orozco, que faz este blog incrível de livros sobre cultura pop, o Século Pop.

OUÇA

O tema do nosso podcast desta vez é “os grandes discos de 1991”. Encaixou com o aniversário do Nevermind. E esta semana, da morte de Kurt. Toquei Sepultura (fotona do Rui Mendes, hem?). E teve a presença estelar e carinhosa da Sarah Oliveira!

Uma vez o Barcinski escreveu que 91 quase que foi o melhor ano da história do rock e listou uma renca de álbuns espetaculares. Bem, pra mim foi! E explico o porquê no podcast.

Mas talvez tenha sido 1993, quando decidi que corporate magazines still suck e fui montar a minha revista, a minha editora, a minha vida.

Qual o melhor ano? Depende do dia.

NOS VEMOS POR AÍ

Meu trabalho é este aqui. Talvez eu possa te ajudar. 

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