Última grande chance para ER?

POR GERSON NOGUEIRA

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Depois da eliminação na Copa do Brasil, o Remo passa a ter como prioridades na temporada a conquista do tricampeonato do Parazão e a campanha no Brasileiro da Série C. A casa ganhou anteontem um novo gestor, com fama de linha-dura, e o elenco será submetido a uma rigorosa avaliação técnica a partir desta semana.

Em meio às afirmações de Mazola Jr. durante a apresentação oficial, chamou atenção o tempo que dedicou a Eduardo Ramos. Elogiou o meia-armador, recordou a tentativa de levá-lo para um dos clubes que dirigiu e foi categórico: se o jogador estiver bem será ele (ER)  “e mais 10”.

A afirmação do técnico divide opiniões na torcida. Nem tanto pelas qualidades do jogador, mas, principalmente, pelo ritmo lento que tem exibido desde que voltou ao Evandro Almeida no ano passado.

Poucas vezes foi possível ver em ação o meia incisivo, que recebia a bola no meio-campo e partia em arrancadas rumo à área inimiga, ultrapassando adversários e chegando em condições de arremate ao gol.

Não que seja justo esperar de um jogador de 33 anos a mesma resistência física do começo da carreira. O problema é que, mesmo quando se posiciona mais atrás, Ramos não consegue mais render a contento.

Fica a impressão de que o jogador que se destacava no plano individual não conseguiu se reinventar para servir ao coletivo. Rafael Jaques chegou a apostar nele como articulador nos primeiros jogos do Campeonato Estadual, mas o rendimento ficou muito aquém do esperado.

A chegada de Mazola coincide com a volta do meia aos treinos, depois de ficar cerca de um mês tratando uma contusão. A oportunidade oferecida pelo técnico é, seguramente, uma das últimas que ER terá no Remo, cuja torcida já o vê com forte desconfiança.

A lesão de Douglas Packer deixa o caminho aberto para a reentronização do camisa 10 já a partir de domingo, contra o Carajás. É provável que Mazola descubra novas atribuições para Ramos, até mesmo conectado ao ataque – como Jaques tentou fazer com Packer, sem sucesso.

Como a coluna já defendeu antes, Ramos tem afinidades com a finalização. Sempre marcou gols e sabe se colocar na linha ofensiva. Se a ideia for bem ensaiada, poderia funcionar como ponta-de-lança clássico ocupando a faixa junto à linha da grande área, alguns passos atrás do camisa 9.

Papão mantém esquema sem homem de criação

A partida contra o Bragantino será a primeira desde que o PSC saiu da Copa do Brasil. Os jogadores falam em virar a chave, trocar o chip e retomar a campanha bem sucedida no Parazão. Líder, com 12 pontos e saldo superior ao de Castanhal e Remo, o time ainda não saiu de Belém para enfrentar os campos do interior.

No estádio Diogão, cujo gramado é um desafio à parte para os visitantes, o PSC vai colocar em xeque outra vez o esquema que abre mão de um jogador de criação no meio-de-campo.

Desde que Alex Maranhão foi barrado, passando a ser uma opção para o decorrer das partidas, a tarefa de imprimir dinamismo e movimentação à equipe tem ido entregue a volantes. PH vinha desempenhando esse papel, com eficiência e sem brilho.

Em Bragança, a missão deve ser dividida entre Serginho e Caíque Oliveira (provável substituto de PH). Ao mesmo tempo em que fecha a linha de marcação, Hélio procura disfarçar a falta de um especialista na articulação imprimindo velocidade na transição.

Às vezes, tudo se encaixa e o sistema dá certo, como no Re-Pa. Em outros momentos, a estratégia fracassa, como contra o CRB. Fica claro que a dificuldade aumenta contra equipes que bloqueiam a meia-cancha.

Como o Bragantino libera mais seus jogadores e deve se lançar à frente em busca da vitória, é provável que abra espaços para o trio de volantes do Papão. É bom lembrar que não é exatamente uma novidade o que Hélio vem fazendo. Dado Cavalcanti e João Brigatti chegaram a apelar aos volantes quando faltava jogador criativo no elenco.

Galo faz aposta de risco para reagir no Parazão

Jobson foi anunciado na terça-feira como reforço do Independente para o Campeonato Estadual. Não é o Jobson driblador e de futebol empolgante dos primeiros tempos de Botafogo. Não é nem mesmo o Jobson que tentou um último suspiro pelo Brasiliense.

O atacante que chega como tentativa de salvar a campanha trôpega do Galo Elétrico no Parazão é apenas sombra do atacante que chegou a ser especulado para a Seleção Brasileira.

A suspensão em 2015 pela Fifa, pela recusa em fazer exame antidoping na Arábia Saudita, botou praticamente um fim na carreira, que já era opaca. Depois, vieram as três prisões e iguais tentativas de voltar a jogar.

“Agora é oficial, torcedores. Sou do Galo! Estamos juntos. Cheguei pra somar e ganhar título. Nem cavalo aguenta”, disparou Jobson ao anunciar a chegada a Tucuruí, imitando o estilo marqueteiro que fez a glória de Túlio.

Caso seja regularizado até amanhã, Jobson pode estrear contra o Itupiranga, sábado, pela 6ª rodada do campeonato. Segundo o clube, o jogador está bem fisicamente porque treinava na Portuguesa (RJ), seu último emprego.

APJ empossa novos imortais

Um grande camarada, Douglas Jaceguai Dinelli, será empossado hoje à noite na Academia Paraense de Jornalismo, que é presidida por Franssinete Florenzano. Escolha das mais meritórias, que coroa uma vida dedicada à atividade jornalística.

No grupo de novos acadêmicos estão outros dois queridos companheiros de ofício, Antônio Praxedes – cujo nome se confunde com a Sudam – e Anthero Eloy Lins. A cerimônia acontece no salão nobre da Associação Comercial.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 27)

5 comentários em “Última grande chance para ER?

  1. A respeito dessa forma de jogar, ressalte-se que não é invenção bicolor, muito menos teimosia de seu treinador, mas tendência do futebol mundial no momento.
    Considerado o melhor time do planeta na atualidade, o Liverpool cansa de formar com sua meiúca com Fabinho Wjnaldum e Henderson todos com características de apoiadores; o Barcelona de anteontem tinha em seu meio Raktic, Busquets e De Jong; o Real, vira mexe vai, vai de Casemiro, Modric e o uruguaio Valverde.
    Nota-se que esses trios de apoiadores têm mais à frente sempre trios de atacantes, encarregados de forte marcação e habilidades mil nas construções ofensivas.
    Em entrevista coletiva, logo após o último jogo do campeonato regional, Hélio defendeu a forma de seu time jogar e mostrou-se influenciado com essa tendência mundial. Acusar de fracasso é um certo exagero, pois o time não perdeu, foi muito superior ao adversário, por sinal, de uma série acima da que ora disputa o Papão, e teve contra si erros capitais da arbitragem.

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  2. Amigo Amorim, não irei polemizar a respeito do termo “fracasso”, que tanto incomoda, mas o fato é que a classificação era possível (apesar de o CRB ser de Série B e dos problemas de arbitragem) e o time não agrediu quando a partida exigia isso, principalmente nos 30 minutos finais, com o adversário cansado e limitado a se defender. Quanto ao Liverpool, comparação aceitável, embora guardadas as diferenças de categoria e intensidade dos jogadores utilizados. Klopp vale-se também de Roberto Firmino e do próprio Salah para armar manobras ofensivas. Com a diferença bastante expressiva de que o Barça tem ninguém menos que Messi para construir e criar; o Real dispõe de Isco, armador, e Modric, que é um excepcional construtor de jogadas – e ainda conta com Hazard (lesionado no momento), que parte ali do meio para chegar ao ataque. Em outras palavras, com todo o respeito que o Hélio merece (apesar dos exageros verbais), comparar o trio de volantes do PSC ao dos timaços citados é, no mínimo, injusto. Afinal, existem volantes e volantes

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  3. Mas é claro que não se está comparando jogadores, mas apenas referindo ao modo de jogar. Firmino é único, mas pra nossa realidade é elogiável ver Vinicius Leite flutuar e construir ações ofensivas, é disso que falo.
    Apenas quis mostrar quão é importante ter um treinador atualizado e com capacidade de organizar sua equipe. Falou-se muito que ele não ganhou nada, todavia disputou tudo fora o Parazão, que não passa de laboratório pra preparação à disputa de competições mais importantes.

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