Papão abre franquias da Lobo

POR GERSON NOGUEIRA

A marca Lobo foi criada para dar lucro ao PSC. Opera com um lucro médio na faixa de 15% a 17% desde o primeiro ano de funcionamento. A margem é inteiramente compatível com o segmento de material esportivo. Com isso, o clube fatura R$ 17,00 de cada R$ 100,00 em vendas. A lucratividade é determinada pelos custos de fabricação e estrutura (pontos de venda), administração, folha de pagamentos e encargos.

O desafio que se impõe ao projeto da marca própria no Papão é vender cada vez mais com uma margem maior, diminuindo custos operacionais. O problema é que, durante anos, a torcida foi induzida a acreditar que os lucros superavam os 17% revelados pelo presidente Ricardo Gluck Paul.

Aliás, a franqueza e a transparência do novo presidente causaram um impacto dentro do clube. A expectativa inflada por premissas falsas foi confrontada com o choque de realidade. Até então, prevalecia a lógica da bonança e do crescimento sem limites, gerando a falsa imagem do “Barcelona do Norte”, apelido jocoso utilizado pela torcida rival.

Ao verificar os números do clube, o que inclui o desempenho da marca Lobo, Ricardo optou por abrir a caixa-preta e expor a verdadeira situação. O choque gerou reações controversas. Houve quem aplaudisse e quem apedrejasse. Afinal, as afirmações do presidente quebraram o encanto e a imagem de um clube que muitos viam como milionário.

Em contato com a coluna, Ricardo revela que o projeto apresentado recentemente ao Conselho Deliberativo do clube abre uma nova frente de exploração da marca. Isso virá a partir da negociação de franquias. Sete já estão encaminhadas e, quando em funcionamento pleno, podem garantir ao clube um faturamento inicial de R$ 2 milhões.

O PSC, cuja atividade-fim não é comercialização ou fabricação de produtos, perdia sinergia, energia, esforço de marketing e comunicação com a operação de um negócio que não é a vocação do clube. “Não somos  especializados em venda de camisas e produtos. Nosso business não é esse. Nosso business é futebol”, resume Ricardo.

Com a implementação de franquias, o clube passa a controlar somente a criação de produtos, portfólio e fiscalização da venda dos itens fabricados. A operação passa a ficar sob a responsabilidade das lojas franqueadas – três já comercializadas e quatro em negociação. Nesse cenário, a margem sobe de 17% para 22%, podendo atingir 25%.

Em meio a isso, o presidente alviceleste chama atenção para a polêmica do preço das camisas. O torcedor reclama do custo unitário da camisa, entendendo que a marca própria deveria baratear o preço.

“Alguns criticam: ‘essa diretoria é boa para fazer camisa, futebol que é bom nada’. Quando fazem essas críticas parece que é o que eles querem, que sejamos bons em fazer camisa para dar ao torcedor praticamente de graça, não se importando com o futebol. Precisamos ter esse equilíbrio: não adianta fazer um produto caro, porque aí não vende; mas se for barato a gente deixa de atuar onde o torcedor mais espera, que é o futebol”, explica.

A camisa para sócio-torcedor custa R$ 180,00. Ricardo pondera que a sugestão de cobrar R$ 130,00 deprecia a própria marca, visto que nenhum grande clube no Brasil vende camisas a esse preço. Os exemplos de camisas populares de Bahia e Fortaleza não servem de referência – e já apresentam problemas. A realidade é inteiramente diferente, pois ambos são clubes de Série A com receita de R$ 30 milhões só em cotas de TV.

Irresponsabilidade administrativa e gastança sem freios

O futebol brasileiro comporta algumas extravagâncias difíceis de entender. O Cruzeiro é a bola da vez, com suas entranhas sendo impiedosamente vasculhadas e sob o escrutínio geral pela gigantesca possibilidade de rebaixamento. Um dos aspectos mais esquisitos da caminhada cruzeirense na Série A deste ano é a gastança inexplicável com atletas que visivelmente já dobraram o Cabo da Boa Esperança.

Fred, o mais próspero ex-jogador em atividade no mundo, fatura R$ 1,3 milhão mensais, segundo a mídia esportiva de Belo Horizonte. Seu custo-benefício para o clube é altíssimo. Passa a maior parte do tempo no DM e, quando joga, não é nem sombra do artilheiro afiado de outros tempos.

Tiago Neves, execrado pela torcida depois de perder pênalti contra o CSA, na semana passada, é outro privilegiado entre os que ganham super salários no Cruzeiro. Ganha na faixa de R$ 800 mil, a mesma do zagueiro Dedé e do meia-atacante Ricardinho, ambos lesionados e fora da batalha contra a queda.

Para agravar o roseiral de problemas, a diretoria fez uma série de lambanças na escolha dos técnicos. Insistiu muito com Mano Menezes, que passou várias rodadas sem pontuar, e trouxe Rogério Ceni sem dar o mínimo suporte. Permitindo que fosse sabotado nos vestiários pela panelinha liderada por Tiago e Fred.

Ceni bateu em retirada e o Cruzeiro contratou Abel Braga, que seguiu patinando sem sair das últimas posições da tabela. A três jogos do final da competição, chegou Adilson Batista como salvador da lavoura, escolha que muitos consideraram adequada pelas ligações do técnico com o clube.

Uma rápida espiada no histórico da carreira de Adilson desaconselharia a contratação. Rebaixou nada menos que seis clubes (Grêmio, Atlético-PR, Atlético-GO, Vasco, Joinville e América-MG) desde 2014. Numa lógica reversa, o clube parece ter optado por um expert em rebaixamento.

Novo comandante assume com discurso forte

Com fama de disciplinador e exigente, Rafael Jaques assumiu oficialmente o comando técnico do Remo ontem. Foi apresentado e prometeu imprimir ao Leão um ritmo diferente do que se viu em 2019. Mais velocidade, futebol ofensivo e propositivo. Os jogadores a serem contratados terão esse perfil. 

Confirmou que já vinha desejando mudar de “escola”, abandonando a influência do futebol gaúcho, sempre associado à força. Aparentando entusiasmo, Jaques deixa clara a intenção de montar um time competitivo, com e sem a bola, capaz de ter paciência para controlar o jogo.

A conferir. 

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 04)

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