POR GERSON NOGUEIRA

Às vezes, o futebol consegue se confundir com arte. Não a grande arte do Santos de Pelé, do Botafogo de Garrincha, do Real Madrid de Di Stéfano ou das seleções de 1958 e 1970 ou mesmo da Holanda vice-campeã em 1974, mas a arte digna de quem abraça o jogo com comprometimento e talento. Foi o que se viu ontem na partida entre PSG e Bayern, pela Liga dos Campeões, em Paris. A 44 dias da Copa do Mundo.
Nove gols em 90 minutos, média de um gol a cada 10 minutos. Algo que em determinadas circunstâncias pode indicar uma verdadeira pelada, tal o exagero de gols. Aqui, no entanto, estamos falando de alta qualidade técnica combinada com ocupação de espaços em intensidade máxima.
Estavam em campo alguns dos melhores do mundo, a começar por Ousmane Dembele, camisa 10 do PSG. Estavam lá também Manuel Neuer, Doué, Hakimi, Harry Kane, Olise, Luis Díaz, Kvaratskhelia. Isso explica a grandeza adquirida pelo jogo, uma combinação feliz de dedicação à busca pela vitória e a estratégia centrada em força e velocidade.
É impensável imaginar um time de rotação baixa enfrentando em alto nível gigantes da Europa, aqui representados por PSG e Bayern. Só a plenitude física, aliada à performance técnica e o cuidado com detalhes, pode permitir confrontos equilibrados. Atletas em estágio meia-boca, como Neymar, não conseguem mais competir.
A marcha de produção dos gols – foram cinco só no 1º tempo – foi vertiginosa. Não dava para desgrudar os olhos da tela de TV. Havia sempre o risco de perder mais uma jogada espetacular. Dembele e Kane foram os grandes condutores de suas equipes, cada um à sua maneira.
O placar final de 5 a 4 para o PSG é uma premiação ao desempenho do time que foi ligeiramente melhor. O Bayern chegou perto de empatar, depois de subir uma montanha após o PSG desenhar uma goleada.

A troca de passes e ataques era tão frenética que tudo poderia acontecer na reta final do 2º tempo, o que tornou a partida ainda mais espetacular. Nem as eventuais falhas de marcação e de perícia dos goleiros podem servir como detratoras do clássico. A rigor, a parcela de coisas boas vistas em campo supera amplamente erros plenamente humanos.
A destacar, além das manobras endiabradas de Olise, Doué e Díaz, a preocupação em jogar limpo, na bola: o Bayern cometeu apenas assombrosas três faltas. A disciplina tática fica expressa no baixíssimo número de impedimentos, apenas três – um do Bayern, dois do PSG.
Luís Enrique e Vincent Kompany merecem aplausos pela construção de times fora da curva. Em comparação com o nosso futebol velho de guerra, parece coisa de outro planeta.
Leão enfrenta Galvez com time mesclado
Sob fogo cerrado de uma parte da torcida do Leão, inconformada com a campanha na Série A, o técnico Léo Condé se agarra à evolução do time, mas o argumento não resiste aos maus resultados. Diante das derrotas recentes, contra Bragantino e Cruzeiro, a possibilidade de rebaixamento cresceu no retrovisor e botou em risco a situação do treinador.
Condé não tem culpa pelo planejamento errado, que o próprio presidente Antônio Carlos Teixeira admitiu em entrevista. Não pode ser acusado também pela campanha errática do time nas primeiras rodadas da Série A, quando a direção caótica de Juan Carlos Osório desperdiçou pontos preciosos contra Mirassol e Atlético-MG.
Acontece que o futebol não é justo e muitas vezes os menos culpados terminam condenados sumariamente. É a ameaça que paira sobre Condé, que tem o desafio de conquistar pelo menos 12 pontos nas próximas cinco partidas dentro do Campeonato Brasileiro.
No sábado, encara o Botafogo no estádio Nilton Santos, no Rio. A partida abre a possibilidade de uma boa atuação da equipe, que conseguiu jogar competitivamente contra Grêmio, Bragantino, Bahia (Copa do Brasil) na condição de visitante. Sem criatividade no meio-campo, o time funciona melhor com transições rápidas e contragolpes.
Hoje à noite (19h), em Castanhal, o jogo contra o Galvez (AC) é um mero cumprimento da tabela, finalizando a melancólica passagem pela Copa Norte. Condé dirige a equipe, provavelmente com um time mesclado, a fim de poupar os titulares para o Campeonato Brasileiro.
Papão luta para sobreviver na Copa Norte
Com poucas novidades em relação ao time mesclado que derrotou o Independência e foi goleado pelo Nacional, o PSC encara o Trem hoje (19h), em Santana (AP), pela última rodada do grupo A da Copa Norte. Uma vitória pode garantir classificação à próxima fase, buscando o segundo título do torneio – o primeiro foi em 2002.
Além de vencer o Trem, o mistão do Papão depende de um empate ou vitória do Nacional (AM) sobre o Guaporé (RO) na outra partida da rodada.
Depois da goleada sobre o Itabaiana na Série C, o técnico Júnior Rocha decidiu incluir jogadores que não vinham atuando na Copa Norte, casos de Brian Macapá (que se recuperou de lesão) e Thaylon.
Jean Drosny segue como titular do time na competição e a defesa terá Iarley e Luccão. No ataque, o técnico relacionou Ítalo e Juninho, junto com Hinkel e Lucas Cardoso. O objetivo é derrotar o Trem, que também tem 6 pontos e ainda briga pela classificação.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 29)
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