Programação do canal da TV aberta está focada em apenas um gênero musical

Por Luiz Almeida – jornal A Tarde (BA)

Já foi o tempo em que ligávamos a TV em qualquer canal para tentar encontrar uma pluralidade musical. Do samba ao rock, do axé ao forró, a diversidade rítmica estava bem mais presente. No entanto, a Globo (e outros canais) tem demonstrado a falta de interesse em ser plural.

A prova disto é que quem sintonizou o canal no último final de semana deu de cara com um cenário monocromático. Entre concursos de duplas, homenagens e trilhas sonoras, a Globo parece ter trocado a “vênus platinada” pelo chapéu de cowboy, saturando a grade com uma onipresença sertaneja que já começa a cansar o público.

É só ver o que foi o sábado (25), com um verdadeiro “festival do mesmo”. Começou no Caldeirão com Mion, com um concurso para revelar novas duplas; seguiu para a novela das sete, Coração Acelerado, que respira o universo agro; e por fim em um Altas Horas, que sempre foi conhecido pela sua diversidade, entregue exclusivamente aos expoentes do gênero, de veteranos à novata Ana Castela.

No domingo, o loop continuou: do já consolidado Viver Sertanejo com Daniel ao novo dominical de Eliana, que segue com o Em Família recebendo mais sertanejos no palco e uma matéria com cinco artistas do ritmo de uma vez só. Vamos combinar: isso que é achar cantores do gênero para dar entrevistas.

É A NOVA REGRA DA GLOBO?

É compreensível que a Globo queira falar com o forte mercado do agronegócio e garantir a audiência de um gênero que domina as paradas de sucesso.

O Circuito Sertanejo, as séries documentais e as novelas verticais focadas no ritmo são provas de que a emissora mapeou onde está o dinheiro e o engajamento. O problema não é a existência do sertanejo na grade, mas a hegemonia que ele passou a exercer, expulsando a diversidade que o Brasil pede cada vez mais.

Ao transformar sua programação em um eterno “Barretão”, a Globo ignora que o país é um continente de ritmos. Onde estão o funk, o pagode baiano, a música paraense, o hip-hop e a nova MPB na grade de entretenimento? Nomes não faltam, vamos combinar.

Quando um canal de televisão desse porte decide ignorar a diversidade em prol de um único nicho, ele abre mão do seu papel de espelho da nação para se tornar apenas um amplificador de um segmento só.

Ao “agro-setorizar” a televisão, a emissora corre o risco de afastar o telespectador que busca o novo, o diferente e o regionalismo que não passa necessariamente pelas arenas de rodeio.

Não quero criar polêmicas, apenas abrir discussões. O sertanejo é gigante, sim, mas o Brasil é muito maior que um único refrão.

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