
Por Lúcio Flávio Pinto (*)
A rivalidade entre os clubes é universal, agravando-se no caso dos que disputam o mais popular dos esportes, o futebol. Mas há um grau característico de irracionalidade, selvageria e fanatismo entre os torcedores de Remo e Paissandu.
Talvez essa forma de manifestação seja a explicação mais profunda e imperceptível para que o Re-Pa seja o clássico mais disputado do mundo. Os cartolas se aproveitam do impulso de manada que se sobrepõe a todos os demais que ativa as paixões para realizar mais partidas do que recomendaria o bom senso e o respeito pelas torcidas, faturando ao máximo a renda – e, em regra, dilapidando-a com o bingo de contratação de jogadores e técnicos, que dissipa os recursos.
É patético e triste ver o fervor dos torcedores quando “secam” o adversário, como aconteceu, mais uma vez, com os remistas ao final – e nos dias que se seguiram – do jogo do Paissandu com o Náutico, em Recife. É a lógica do afogado que não quer ir sozinho para o fundo, arrastando justamente aquele que está mais perto dele. Não pode vicejar nesse solo hostil a razão, que deveria induzir o contrário. A ascensão de um dos dois times, além de marcar a presenta de um representante da terra comum, significará um desafio para o rival segui-lo.
Pessoalmente, acho que não houve pênalti no lance que permitiu o empate do Náutico. Mas o lance é duvidoso e controverso. Permite interpretações opostas, sem caracterizar um escândalo, uma garfada ostensiva do juiz. É pouco provável que a partida venha a ser anulada. Os cartolas do Paissandu fazem a sua parte, mas podiam agir com menos espalhafato diante do estado da coisa. É claro que, como quase sempre, a campanha tem muito m ais de paixão e oportunismo do que senso de realidade.
A fantasia grassa nos gramados paraenses, como na floresta, posta abaixo ou queimada para em seu lugar surgir pastos, plantation ou gado. Em paralelo, é por isso que o Pará não se alevanta, como no épico camoniano – nem nos estádios nem na condição social.
(*) Transcrito do blog do autor
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