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Por Lúcio Flávio Pinto (*)

A rivalidade entre os clubes é universal, agravando-se no caso dos que disputam o mais popular dos esportes, o futebol. Mas há um grau característico de irracionalidade, selvageria e fanatismo entre os torcedores de Remo e Paissandu.

Talvez essa forma de manifestação seja a explicação mais profunda e imperceptível para que o Re-Pa seja o clássico mais disputado do mundo. Os cartolas se aproveitam do impulso de manada que se sobrepõe a todos os demais que ativa as paixões para realizar mais partidas do que recomendaria o bom senso e o respeito pelas torcidas, faturando ao máximo a renda – e, em regra, dilapidando-a com o bingo de contratação de jogadores e técnicos, que dissipa os recursos.

É patético e triste ver o fervor dos torcedores quando “secam” o adversário, como aconteceu, mais uma vez, com os remistas ao final – e nos dias que se seguiram – do jogo do Paissandu com o Náutico, em Recife. É a lógica do afogado que não quer ir sozinho para o fundo, arrastando justamente aquele que está mais perto dele. Não pode vicejar nesse solo hostil a razão, que deveria induzir o contrário. A ascensão de um dos dois times, além de marcar a presenta de um representante da terra comum, significará um desafio para o rival segui-lo.

Pessoalmente, acho que não houve pênalti no lance que permitiu o empate do Náutico. Mas o lance é duvidoso e controverso. Permite interpretações opostas, sem caracterizar um escândalo, uma garfada ostensiva do juiz. É pouco provável que a partida venha a ser anulada. Os cartolas do Paissandu fazem a sua parte, mas podiam agir com menos espalhafato diante do estado da coisa. É claro que, como quase sempre, a campanha tem muito m ais de paixão e oportunismo do que senso de realidade.

A fantasia grassa nos gramados paraenses, como na floresta, posta abaixo ou queimada para em seu lugar surgir pastos, plantation ou gado. Em paralelo, é por isso que o Pará não se alevanta, como no épico camoniano – nem nos estádios nem na condição social.

(*) Transcrito do blog do autor

5 responses to “Fanatismo gravoso”

  1. Avatar de André Carim
    André Carim

    Sempre foi assim e sempre será, se fosse o contrário, será que o torcedor bicolor iria torcer pelo Remo? O agravante, desta vez, foi a armação da Federação Gaúcha, que acabou colaborando para tirar o Remo do chamado mata-mata, na última rodada, depois de ter passado grande parte da competição no topo da tabela. Quanto ao choro, demasiado para pouco defunto, é típico de torcedores que vivem iludidos por declarações fantasiosas de dirigentes megalomaníacos.

  2. Avatar de BLOGUE do Valentim
    BLOGUE do Valentim

    Beira à insanidade.
    De ambas as partes, fique claro.
    Mas é disso que a própria rivalidade se retroalimenta, incluindo a mídia esportiva.

  3. Avatar de Miguel Silva
    Miguel Silva

    Nem oito e nem oitenta. O colorado quer mais que o Grêmio se ferre. Vimos isso nas imagens do Beira Rio, em que a torcida do Inter comemorou a desclassificação do Grêmio pelo Athletico Paranaense. É assim com Ceará e Fortaleza, Palmeiras e Corinthians e por aí vai. O que é inaceitável é concordar com garfadas como a que tirou o rival da Série B. Concordar com isso é concordar que o mesmo possa ocorrer com o meu time e ficar por isso mesmo. Nada a comentar (mas, a comemorar) se a desclassificação ocorresse de forma limpa e justa.

  4. Avatar de Luís Felipe
    Luís Felipe

    Respeito a opinião do autor, porém discordo.
    Acredito que é essa rivalidade, ou fanatismo gravoso, como ele denomina, que mantém vivos os clubes da capital. Por tudo que já passamos, entre os vários vexames e derrotas, os dois clubes já estariam extintos se não fosse o sarro e a gozação recíproca. Digo isso porque sempre fica a vontade de dar a volta, o troco, e provar pro rival algo diferente.
    Torcer contra é normal. Já faz parte do nossa cultura futebolística. Isso não significa que os rivais não se compadecem com a garfada ou roubo contra ambos. Apesar do sarro, fica um sentimento de apoio após ver qualquer equipe da nossa região ser prejudicada pela arbitragem.

  5. Avatar de Luís Felipe
    Luís Felipe

    Quando o Remo foi eliminado, torcida bicolor tirou sarro. Mesmo assim, muitos se revoltaram contra o mandraque pênalti para o Ipiranga.
    Agora foi a vez dos azulinos gozarem do rival. Ainda assim, muitos desses azulinos desaprovam o também mandraque pênalti a favor do náutico.

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