Fanatismo gravoso

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Por Lúcio Flávio Pinto (*)

A rivalidade entre os clubes é universal, agravando-se no caso dos que disputam o mais popular dos esportes, o futebol. Mas há um grau característico de irracionalidade, selvageria e fanatismo entre os torcedores de Remo e Paissandu.

Talvez essa forma de manifestação seja a explicação mais profunda e imperceptível para que o Re-Pa seja o clássico mais disputado do mundo. Os cartolas se aproveitam do impulso de manada que se sobrepõe a todos os demais que ativa as paixões para realizar mais partidas do que recomendaria o bom senso e o respeito pelas torcidas, faturando ao máximo a renda – e, em regra, dilapidando-a com o bingo de contratação de jogadores e técnicos, que dissipa os recursos.

É patético e triste ver o fervor dos torcedores quando “secam” o adversário, como aconteceu, mais uma vez, com os remistas ao final – e nos dias que se seguiram – do jogo do Paissandu com o Náutico, em Recife. É a lógica do afogado que não quer ir sozinho para o fundo, arrastando justamente aquele que está mais perto dele. Não pode vicejar nesse solo hostil a razão, que deveria induzir o contrário. A ascensão de um dos dois times, além de marcar a presenta de um representante da terra comum, significará um desafio para o rival segui-lo.

Pessoalmente, acho que não houve pênalti no lance que permitiu o empate do Náutico. Mas o lance é duvidoso e controverso. Permite interpretações opostas, sem caracterizar um escândalo, uma garfada ostensiva do juiz. É pouco provável que a partida venha a ser anulada. Os cartolas do Paissandu fazem a sua parte, mas podiam agir com menos espalhafato diante do estado da coisa. É claro que, como quase sempre, a campanha tem muito m ais de paixão e oportunismo do que senso de realidade.

A fantasia grassa nos gramados paraenses, como na floresta, posta abaixo ou queimada para em seu lugar surgir pastos, plantation ou gado. Em paralelo, é por isso que o Pará não se alevanta, como no épico camoniano – nem nos estádios nem na condição social.

(*) Transcrito do blog do autor

5 comentários em “Fanatismo gravoso

  1. Sempre foi assim e sempre será, se fosse o contrário, será que o torcedor bicolor iria torcer pelo Remo? O agravante, desta vez, foi a armação da Federação Gaúcha, que acabou colaborando para tirar o Remo do chamado mata-mata, na última rodada, depois de ter passado grande parte da competição no topo da tabela. Quanto ao choro, demasiado para pouco defunto, é típico de torcedores que vivem iludidos por declarações fantasiosas de dirigentes megalomaníacos.

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  2. Nem oito e nem oitenta. O colorado quer mais que o Grêmio se ferre. Vimos isso nas imagens do Beira Rio, em que a torcida do Inter comemorou a desclassificação do Grêmio pelo Athletico Paranaense. É assim com Ceará e Fortaleza, Palmeiras e Corinthians e por aí vai. O que é inaceitável é concordar com garfadas como a que tirou o rival da Série B. Concordar com isso é concordar que o mesmo possa ocorrer com o meu time e ficar por isso mesmo. Nada a comentar (mas, a comemorar) se a desclassificação ocorresse de forma limpa e justa.

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  3. Respeito a opinião do autor, porém discordo.
    Acredito que é essa rivalidade, ou fanatismo gravoso, como ele denomina, que mantém vivos os clubes da capital. Por tudo que já passamos, entre os vários vexames e derrotas, os dois clubes já estariam extintos se não fosse o sarro e a gozação recíproca. Digo isso porque sempre fica a vontade de dar a volta, o troco, e provar pro rival algo diferente.
    Torcer contra é normal. Já faz parte do nossa cultura futebolística. Isso não significa que os rivais não se compadecem com a garfada ou roubo contra ambos. Apesar do sarro, fica um sentimento de apoio após ver qualquer equipe da nossa região ser prejudicada pela arbitragem.

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  4. Quando o Remo foi eliminado, torcida bicolor tirou sarro. Mesmo assim, muitos se revoltaram contra o mandraque pênalti para o Ipiranga.
    Agora foi a vez dos azulinos gozarem do rival. Ainda assim, muitos desses azulinos desaprovam o também mandraque pênalti a favor do náutico.

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