O Rock in Rio continua relevante?

Rock-In-Rio

Por Daniel Abreu, no Whiplash.Net

Nos anos 80, quando Roberto Medina teve uma deia de fazer um festival de música de nível internacional no Brasil, todos achavam que ele era louco. Até aquele momento, poucos nomes tinham se arriscado por aqui. Alice Cooper, Queen e Genesis são alguns deles. O problema era a falta de estrutura que os países da América do Sul tinham para receber grandes shows. Relatos de corrupção, equipamentos que eram roubados, violência, tudo isso afastava bandas do calibre dos Rolling Stones.

Isso tudo mudou no dia 11 de janeiro de 1985, data da primeira edição do Rock in Rio. Foram dez dias de música em 250 mil metros quadrados na Barra da Tijuca para um público de 1,5 milhão de pessoas. Queen, Iron Maiden, Scorpions, AC-DC, Ozzy Osbourne, Rod Stewart, Yes, alguns dos expoentes da música internacional. O time da casa também não fez feio, com Ney Matogrosso, Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil, entre outras feras.

De lá para cá o Rock in Rio ganhou mais seis edições no Brasil, com a sua sétima marcada para esse ano, algumas outras fora do país e festivais de música surgiram e desapareceram na mesma velocidade, mas a pergunta que fica é a seguinte: o Rock in Rio continua relevante?

Como apontado, a primeira edição foi a porta de entrada para os grandes artistas e bandas internacionais. A segunda (1991) e a terceira (2001) edições solidificaram o Brasil como uma praça viável de shows. Porém em 2011, quando o festival teve a sua quarta edição, o mundo e o Brasil já eram outros. Com a popularização dos smartphones e redes sociais, o Rock in Rio se tornou um evento para estar e não apenas para curtir música.

As novas gerações se interessam mais em registrar em fotos e vídeos os momentos mais especiais e compartilhar no facebook, instagram, twitter, etc., do que viver realmente aqueles momentos. E isso não é diferente nos grandes festivais de música. Eles automaticamente preferem postar do que aproveitar. Antigamente a única “preocupação” era apenas ver os shows.

A relação dos fãs com seus ídolos também mudou. Antigamente era mais raro um grande artista aparecer por aqui. Hoje não. O Beatle Paul Mccartney é um grande exemplo disso. Sua primeira vinda ao Brasil foi em abril de 1990. Em março ele desembarca por aqui para shows solo pela sétima vez desde 2010. Dessa forma, o Rock in Rio geralmente acaba escolhendo sempre os mesmos nomes, pois eles geram público e renda.

Para ser ter uma ideia, a banda californiana Red Hot Chili Peppers será um dos headliners deste ano. É a quarta participação do grupo no festival e a segunda seguida. Nas primeiras edições, por conta do ineditismo, vários grupos de peso estrearam em terras tupiniquins no Rock in Rio. Prince, Guns N’ Roses, Neil Young, são alguns dos grandes nomes que perderam a “virgindade” na América do Sul por aqui.

Portanto, respondendo à pergunta do título e do terceiro parágrafo, não, infelizmente o Rock in Rio deixou de ser relevante há muito tempo.

Ao mesmo, o negócio continua hiper lucrativo. O colunista Lauro Jardim em sua coluna no Globo Online publicou que a gigante norte-americana de eventos Live Nation comprou 60% das ações do Rock in Rio, que segue comandado por Roberto Medina – fundador e dono dos outros 40% do festival.

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