A Liga das Nações e a Liga Barbante

FBL-EUR-NATIONS-ENG-CRO

Por Alberto Helena Jr.

Mesmo com a baixa performance de algumas das principais seleções da Europa, como Alemanha e Itália, já rebaixadas para a Série B, a Liga das Nações foi a grande sacada da Uefa, que supriu as datas Fifa, antes ocupadas por amistosos sem graça, por um torneio pra valer, com taça e grana em disputa.

E que torneio!

Dá gosto ver o empenho dos jogadores e as variações de escolas de futebol do Velho Continente em ação, com resultados surpreendentes, como, por exemplo, a goleada da Suíça sobre a Bélgica por 5 a 2 e a virada emocionante da Inglaterra contra a Croácia, neste fim de semana.

Times jogando pra frente, poucas faltas e muita dedicação, em estádios lotados e frenéticos.

E esse parece ser o primeiro passo para algo mais ousado por parte da Uefa: o campeonato europeu de clubes, um torneio que se sobreporia aos campeonatos nacionais, acompanhando a tendência moderna da tal globalização.

Sim, porque o futebol se transformou, nas últimas décadas, num negócio monstruoso, onde o dinheiro jorra pra todos os lados como se saído de gigantesca cornucópia.

Isso o conduz à um nível de exigência de qualidade cada vez maior. É a lei da sobrevivência do mercado, quer gostemos ou não. Nesse processo, a tradição, tão acarinhada pelos europeus em geral, cede lugar à força do progresso, como se diria lá atrás, na época da industrialização.

Pra frente é que se anda. Lá, é de Ferrari; aqui, de Kombi velha, enferrujada.

Aqui, onde a tradição é a desmemória de ontem, vira bandeira nacional pra preservar o atraso, em todos os sentidos, fora e dentro dos campos de futebol.

Exemplo? A insistência em reservar-se um tempo precioso a esses anacrônicos campeonatos estaduais, entupindo um calendário estúpido que, no fim, só serve pra empobrecer o espetáculo, que, por consequência, afasta os investidores de porte. É a política da pobreza, no campo, na cabeça do cartola e nos cofres dos clubes, que vivem à míngua, enquanto essas defasadas federações estaduais nadam em dinheiro chupado dos clubes sem nenhum retorno.

Mas, quando se toca nesse assunto, vem o desavisado amigo clamar pela permanência desse status quo em nome da tradição. Ah, sim, e da sobrevivência dos pequenos, celeiros de craques e tal e cousa e lousa e maripousa.

É mesmo?

Peguemos o caso do futebol paulista. Quantos desses celeiros de craques participam do Paulistão? Dez, doze? Agora some todos aqueles que ficam de fora, de pires na mão. São centenas, muitos de rica história no passado que são obrigados a fechar as portas. E, mesmo os que jogam os três meses do Paulistão, passam o resto do ano penando na amargura, obrigados a desfazerem seus elencos por falta de dinheiro.

A solução óbvia é que se reserve para os grandes centros do Brasil, pelo menos, um mês, se tanto, para uma disputa rápida, abrindo-se no Brasileirão a infinidade de séries que mantenham em ação todas as equipes inscritas na CBF, de maneira regionalizada, de forma decrescente, permitindo aos pequenos clubes desse mundão de Deus se ocuparem o ano todo dentro de suas reais possibilidades financeiras.

É assim que se faz lá na Europa. E foi assim que o futebol europeu em geral se desenvolveu técnica e financeiramente, enquanto por aqui seguimos marcando passo no atraso.

PS: Pra quem não sabe, Liga Barbante era como o povo denominava aquelas associações de clubes, no Rio e em São Paulo, dos tempos do amadorismo marrom. que se criavam e se rompiam a toda hora, entre os que eram a favor do profissionalismo e os que eram contra.

Um comentário em “A Liga das Nações e a Liga Barbante

  1. Nem tudo são flores na Europa. Que houve avanço financeiro e, principalmente, técnico no futebol do velho continente não há como negar. Mas surgiu um outro problema: a concentração financeira, ou da riqueza, em um pequeno número de clubes, únicos capazes de contratar a peso de ouro grandes jogadores e, com isso, ganhar seguidamente os grandes e valorizados torneios, num processo de retroalimentação ganha-ganha que aumenta ainda mais o fosso existente entre grandes e pequenos clubes. É o caso do Real Madri, do Barcelona, do Bayern de Munique e da Juventus, comprometendo a competitividade. Mesmo no grau econômico elevado do continente europeu, há grande desigualdade no poderio das ligas e dos clubes de futebol no continente. Esquece o autor paulista do texto que os times de São Paulo vem dominando o cenário do futebol brasileiro em todas as divisões, em razão do seu poderio econômico. A solução para fortalecer o nosso futebol não se esgota no simplismo de copiar as decisões europeias. Passa por uma distribuição mais justas das cotas de TV, de suporte financeiro adequado às divisões inferiores, na reformulação da lei do passe entre outras medidas.

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