POR GERSON NOGUEIRA

O sonho de chegar pela primeira vez à final da Copa Norte durou apenas um tempo para o Águia, ontem à noite, em Marabá. O espírito copeiro, uma velha tradição do PSC, emergiu no estádio Zinho Oliveira e garantiu uma vitória acachapante, consolidada em forma de goleada na segunda etapa.

Depois de um início melhor, com a habitual pressão e jogo em velocidade pelos lados, o Águia abriu o placar aos 28 minutos, com PH entrando livre na área para definir o lance. Até então, o jogo se concentrava em bolas aéreas e muitos duelos no meio-de-campo.

Apesar da vantagem, o Águia se posicionava muito atrás, à espera de oportunidades para contra-atacar. Marcinho tentava organizar o jogo com lançamentos para Edilson e Juninho, mas o PSC não conseguia entrar na área em condições de finalização.

Foi numa bola parada que o Papão achou o caminho do empate. Aos 39’, Marcinho cruzou para a área e Juninho aproveitou a escaramuça para empatar o jogo. Em poucos minutos, a situação tranquila do Águia se transformou em desconforto.

Ataques seguidos do PSC provocavam erros dos zagueiros marabaenses. No último lance do 1º tempo, aos 47’, a virada bicolor: Juninho percebeu Lucas Cardoso livre pelo lado esquerdo e deu um passe rasteiro. O meia-atacante dominou, fintou Bruno Limão e bateu rasteiro, fazendo 2 a 1.

Quando se esperava uma postura reativa do Águia na etapa final, eis que o PSC assumiu as rédeas da partida. Em ataque fulminante pelo lado esquerdo, Lucas Cardoso entrou na área e cruzou rasteiro para Thalyson concluir para as redes.

Caio Mello substituiu Tiago Índio no intervalo e Kleiton Pego entrou na vaga de Lucas Cardoso, aos 10 minutos, encorpando ainda mais o time bicolor na parte ofensiva. Descontrolado, o Águia subia em busca do segundo gol e deixava grandes espaços na zaga.

Aos 15’, em forte investida de PH pela direita, a bola foi cruzada na área e Felipe Pará finalizou no travessão. A bola caiu na linha fatal e o gol inicialmente foi marcado, mas a revisão do VAR anulou o lance.

O Papão não dava tréguas. Aos 24’, Kleiton Pego foi lançado junto à área, limpou a jogada e deixou a bola com Marcinho, que tocou rasteiro no canto, ampliando o placar para 4 a 1.

A goleada se completou com um belo gol aos 43’. Thalyson avançou sobre a marcação, driblou dois e tocou para Caio Mello, que levantou sob medida para o cabeceio certeiro de Kleiton na pequena área. Papão 5 a 1.

A vitória conquistada com ampla vantagem deixou o Azulão marabaense fora da Copa Norte, apesar da excelente campanha na 1ª fase, e premiou a recuperação bicolor após o vexame histórico diante do Nacional-AM.

Condé e o desafio de equilibrar meio e ataque

Apontado como um dos melhores jogadores em desarmes no Campeonato Brasileiro, o volante argentino Lionel Picco é um dos destaques do Remo na competição, embora não seja titular sob o comando de Léo Condé. Sempre que surge algum questionamento a respeito, o técnico argumenta que a escolha é de natureza técnica, com base nos treinamentos.

É uma explicação válida e que deve ser respeitada, sem resvalar em polêmica desnecessária. Para Condé, o trio formado por Zé Welison, Patrick e Zé Ricardo rende mais, além de ter atingido um nível satisfatório de entrosamento. A configuração deve permanecer para o confronto de domingo (10) contra o Palmeiras, líder e melhor visitante do campeonato.

Apesar das críticas em relação ao não aproveitamento de Picco, cabe considerar a visão que o técnico tem sobre a melhor configuração de time. Sem um meia de criação, a articulação depende do bom desempenho do tripé de volantes. Zé Ricardo tem sido o jogador mais avançado, funcionando um pouco à frente dos demais.

Caso Vítor Bueno tenha condições de entrar contra o Palmeiras, como se chegou a cogitar nos últimos dias, é bem provável que o meio-campo e o ataque sofram alterações. Com Bueno, a equipe deve ser escalada com apenas dois atacantes, provavelmente Alef Manga e Jajá.

Sem o meia titular, os volantes seguem auxiliados pela movimentação dos laterais Marcelinho e Mayck, além do recuo de Yago Pikachu quando o time está sem a bola. Contra o Palmeiras, um time agressivo e que explora bolas longas, a proteção à zaga deve ser ainda mais reforçada, sem abdicar das saídas em velocidade rumo ao ataque.

Libra revisa receitas, mas dúvidas permanecem

O pacto celebrado entre Flamengo e Grêmio garante sustentação à Libra (Liga do Futebol Brasileiro), redesenhando a distribuição das receitas de audiência dos direitos de transmissão até 2029. A negociação encerrou um impasse entre os clubes e aumentou a participação de ambos nessa fatia específica do contrato.

A verba de audiência corresponde a 30% da remuneração fixa prevista no acordo firmado com a Rede Globo. O entendimento, firmado no último fim de semana, foi construído em conjunto com os demais clubes da Libra – incluindo Remo e PSC – e buscou equilibrar interesses dentro do bloco.

Fica definido que, entre 2026 e 2029, rubro-negros e gremistas terão participação maior nas receitas de audiência em relação ao modelo anterior. Nos bastidores, especula-se que a mudança garante um robusto aumento para o Flamengo, que forçava uma revisão nos critérios de partilha.

Além da fatia por audiência, o modelo de divisão da Libra prevê ainda 30% atrelados ao desempenho esportivo nas competições.

Resta saber se os demais clubes, incluindo a dupla paraense, serão aquinhoados com vantagens proporcionais na nova configuração do bloco. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 07)

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