Laboratório de ocasião

rogerinho

POR GERSON NOGUEIRA

O programa-laboratório que o Remo realiza há duas semanas tem dividido opiniões, apesar do caráter oportuno e necessário da iniciativa, pois o time precisa de reforços e não há dinheiro para ir às compras nos moldes do passado. Qualquer que seja o planejamento para 2019, será preciso montar um elenco enxuto e barato, o que obrigatoriamente faz com que a prospecção seja regionalizada.

Partiu de João Neto e do executivo Ari Barros a ideia de abrir testes, sem preconceitos ou restrições. Com isso, a “peneira” atraiu jogadores que estavam em disponibilidade, desempregados e sem mercado. Despertou também o interesse de aventureiros que desembarcaram em Belém buscando chances, como o argentino Sergio Sosa, cujo destino era o Tiradentes.

Alguns vêm surpreendendo nessa fase de avaliações, que inclui treinos diários e jogos-treinos contra adversários que participam da Segundinha. O veterano Fabrício, de 32 anos, é um dos que se submetem às avaliações. Quando surgiu no PSC parecia talhado para fazer história, mas há 10 anos zanza por equipes emergentes, sem conseguir esquentar lugar.

Sua passagem pelo Remo em 2015 foi uma exceção em meio a um roteiro de incertezas, com contratos de curta duração em times do interior. Ajudou na conquista do bicampeonato estadual, mas não permaneceu. Volta agora e pode ser incorporado ao grupo, o que evidencia mais a penúria financeira do Leão do que propriamente um resgate do futebol de Fabrício.

História mais ou menos parecida envolve Rogerinho, 33, que foi revelado nas divisões de base do próprio Remo, saiu para defender vários clubes da Série B, passou pelo PSC e agora – recuperado de cirurgia – tenta retomar a carreira no Leão. Outros aventureiros ilustres são Tiago Costa, ex-PSC, e Edinaldo Misturado, formado no próprio Evandro Almeida.

Apesar de fugir à característica clássica das peneiras, utilizadas sempre para descobrir novos talentos, a inusitada seleção promovida pelo Remo pode frutificar, fornecendo pé-de-obra de baixo custo para compor elenco nos jogos iniciais da próxima temporada.

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Tédio prevalece, de novo, em amistoso da Seleção

Confronto da Seleção de Tite com a renovada Argentina foi outra tediosa exibição de dois times que se apequenaram na última Copa do Mundo, saíram desgastados e seguem indigentes na organização de jogo.

O próprio amistoso não passou de promoção caricata de marketing político, diante do imenso desgaste internacional gerado pelo regime fechado que os sauditas mantêm, com direito a atos discricionários graves.

O que seria oportunidade para novidades no time brasileiro se tornou a repetição das obviedades vistas no Mundial. Tite lançou Gabriel aberto pela direita e Roberto Firmino fixo na frente, com Neymar mais recuado, quase como armador, contra um adversário pouco agressivo, sem contar com nenhum de seus astros.

Brasil ficou devendo – e muito. Podia ter aproveitado as facilidades encontradas no primeiro tempo e escapou de sofrer gol do inconstante Icardi em meio à pressão imposta pelos argentinos no início da etapa final.

Com a bola presa, Neymar levou bordoadas previsíveis e travou o jogo. Deveria ter sido o jogador do escape pela esquerda, abrindo espaços na confusa defensiva da Argentina. Coutinho pouco se destacou. Laterais pouco ousados, volantes essencialmente marcadores. Enfim, tudo o que se viu – sem gostar – na última Copa.

Além do baixo rendimento da equipe, Tite frustra cada vez mais expectativas. Parece ter perdido o rumo na passagem pela Rússia. Sua seleção não cria jogadas ofensivas, defende-se com certa dificuldade e permanece dependendo fortemente de Neymar, que não brilha há tempos.

Cenário ainda mais preocupante porque a Argentina poucas vezes foi tão frágil e vulnerável diante do time titular do Brasil. Sinal de que a diferença de nível não é tão grande assim.

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Após racha, Papão prioriza foco na Série B

As divergências políticas expostas com a saída de Ulisses Sereni ficarão mais evidenciadas no processo eleitoral do Papão, mas serviu para aparentemente agregar e fortalecer os que permanecem na gestão do clube.

Além da blindagem ao elenco e à comissão técnica, a direção está diante de uma situação que exige foco absoluto no projeto de sobrevivência na Série B. Os números do time na competição são desfavoráveis, mas ainda permitem uma esperança mínima de salvação.

Com alguma sorte, é possível que a linha de corte para escapar da queda seja menor que os 45 pontos. Nesse caso, a obrigação – não menos hercúlea – será de acumular 11 ou 12 pontos em sete partidas, quatro fora e três em casa. Difícil, complicado, penoso, mas não impossível.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 18)

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