Sublime ironia: golpe implodiu PSDB e MDB – e o PT sobreviveu com Lula/Haddad

GUuOYLMA

Por Ricardo Kotscho

A 15 dias da eleição, só uma coisa já é certa: PSDB e MDB, os grandes partidos da aliança golpista de 2016, cevada pela Lava Jato e pela velha mídia, já estão fora do segundo turno, relegados ao bloco dos nanicos.

E o PT de Lula, o principal alvo da operação para derrubar Dilma, sobreviveu com Fernando Haddad, na bica para ir ao segundo turno contra Jair Bolsonaro.

A legião de imbecis que ocupou todos os espaços nos últimos anos, ao fazer das redes sociais nativas o campo de combate do antipetismo, não se deu conta de que gerou em seu ventre esta excrecência da extrema-direita ululante das viúvas da ditadura.

Ficaram pendurados na brocha e só lhes restou aderir ao capitão e ao general ensandecidos para impedir a quinta vitória consecutiva do PT nas eleições presidenciais.

Este é o resumo da ópera bufa lavajatense, que vai chegando ao seu clímax, depois de Lula comandar da sua cela solitária em Curitiba a derrocada de quem o condenou e prendeu.

O PT não morreu e agora assiste de camarote à agonia dos seus algozes.

Uma cena singela na madrugada de sexta-feira, retratada pela repórter Anna Virginia Balloussier, na Folha deste sábado, é emblemática desta reta final de campanha.

É a foto do tucano Geraldo Alckmin tomando café sozinho, acompanhado apenas de dona Lu, numa lanchonete deserta de beira de estrada, após o debate dos presidenciáveis na TV Aparecida.

Cercado de mesas e cadeiras vazias, sem nenhum militante, assessor, segurança ou mísero puxa-saco a seu lado, Alckmin era o símbolo de uma era que acabou.

A carta-desespero que FHC enviou aos eleitores na véspera, para tentar ressuscitar a candidatura tucana, pode agora ser colocada na lápide do partido que nos últimos 16 anos se dedicou apenas a destruir o adversário.

Para completar o clima de fim de feira da direita golpista, na mesma noite o patético bilionário Henrique Meirelles, candidato só dele mesmo e do que restou do MDB, jogou no ar seu último trunfo: prometeu liberar a maconha.

Ainda que não vá para o segundo turno, pois permanece aberta a disputa com Ciro Gomes pela segunda vaga, o PT sai desta campanha maior do que entrou, adiando mais uma vez o fim anunciado tantas vezes pela legião de imbecis preconizada por Umberto Eco.

Lula sozinho deu um xeque-mate na elite brasileira, no carcomido establishment, que entronizou Michel Temer no Palácio do Planalto, e agora junta os cacos de um país dilacerado, quebrado, de volta ao passado de fome, miséria e desemprego.

Por onde passa em suas viagens pelo Brasil, seu herdeiro Fernando Haddad é recebido com as mesmas festas que fariam para Lula, se ele pudesse ser candidato, em contraste com seus adversários.

Como ele mesmo anunciou na véspera de ser preso, a ideia sobreviveu ao homem Lula, condenado sem provas, realimentando a esperança de milhões de brasileiros destituídos de seus direitos básicos de cidadania.

Ainda não dá para saber quem vai ganhar, mas já se sabe quem perdeu esta eleição.

Entre a volta à ditadura militar de triste memória e o futuro das novas gerações, o país joga o seu destino nas urnas no próximo dia 7 de outubro.

Falta pouco agora.

Vida que segue.

Rory Gallagher: vida e obra de um herói da guitarra

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Rory Gallagher, nascido na Irlanda, morreu jovem e no auge da carreira e do prestígio.  Guitarrista de primeiro nível, deixou uma obra cada vez mais apreciada pelos fãs e críticos. Acima, Rory ao lado do ícone do blues, Muddy Watters. Ídolo para milhares de pessoas, Rory é cultuado com paixão até hoje na cidadezinha onde nasceu, que realiza anualmente o Festival Rory Gallagher atraindo milhares de pessoas.

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Abaixo, um texto recente de Marcelo Moreira, no blog Combate Rock, sobre o irlandês ensandecido que encantava multidões:

A maior banda do mundo perde um de seus guitarristas em meio a uma maré de baixa criatividade e abusos homéricos de álcool e drogas. Apesar de o guitarrista “demitido” ser excelente e um prodígio, ninguém se preocupa. Afinal, são os melhores e qualquer outro instrumentista de altíssimo nível bateria na mãe para assumir o posto.

Só que um irlandês maluco recusou e preferiu ficar tocando blues com seu trio em palcos menos nobres no interior da Irlanda e da Inglaterra. E garantiu até o final de sua vida prolífica que não se arrependeu de descartar logo de cara o que ele chamou de “sondagem”. Rory Gallagher é o nome da figura.

Se estivesse vivo, teria completando 70 anos de idade neste mês de março. Por conta da importante data, 14 de seus álbuns e mais uma coletânea de gravações para a emissora inglesa BBC estão sendo relançados após passar por por uma masterização e ganhar uma mixagem diferente.

É uma oportunidade fantástica para (re)descobrir a genialidade de um instrumentista endiabrado e insano que transmitia uma paixão arrebatadora em sua forma de tocar. Foi a inspiração de gente como Stevie Ray Vaughan e da geração de ouro do blues dos anos 90 – Jonny Lang, Derek Trucks, Kenny Wayne Shepherd, Joe Bonamassa e mais uma infinidade de guitarristas.

As joias do repertório são “Photo Phinish”, “Tattoo”, “Jinx” e “Calling Card”, onde o blues visceral convive em harmonia com o blues rock pesado e virtuoso. “Live in Europe” e “Irish Tour’74” são os melhores álbuns ao vivo, com Gallagher em plena forma. 

Também é altamente recomendável o CD duplo “BBC Sessions”, com um disco gravado nos estúdios da emissora inglesa e outro formado por uma coletânea de apresentações ao vivo pelo Reino Unido. 

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Rory quase virou um Stone?

A lenda diz que ele foi convidado a substituir Mick Taylor nos Rolling Stones na virada de 1974 para 1975. Keith Richards, o mestre das seis cordas da banda, estava irado com o que chamou de petulância de Taylor ao tentar “ensinar” aos outros membros como tocar. Após a saída pouco amigável do colega, afirmou a uma revista inglesa que a banda tinha convidado Gallagher.

Posteriormente, desmentiu e disse que os empresários dos Stones apenas fizeram uma sondagem. O irlandês nunca gostou de tocar no assunto. Sempre afirmou que foi apenas sondado, mas em algumas vezes disse que recebeu um convite formal de Mick Jagger. O maluco mas virtuoso guitarrista Rory Gallagher, um dos maiores talentos subestimados do rock, tem recebido justas homenagens ao longo dos anos, com lançamentos interessantes. 

Um deles foi “The Beat Club Sessions”, que é uma reunião de algumas das participações de Gallagher no famoso programa de televisão alemão, que esteve no ar entre 1965 a 1972 recebendo bandas como The Who, os próprios Rolling Stones e o Led Zeppelin para aparições ao vivo. O guitarrista apareceu quatro vezes entre 1970 e 1972, sendo uma delas com sua primeira banda, o Taste.

Logo abandonou o grupo para encarar a carreira solo, embora fosse tímido ao extremo. E a compilação capta o melhor das performances de Gallagher, que era muito melhor ao vivo – ouça e adquira de qualquer forma os álbuns “Live in Europe”, de 1972, e “Irish Tour”, de 1974. As perfomances ao vivo foram elogiadas por gente como Ritchie Blackmore e Roger Glover, do Deep Purple, Rod Stewart e Ron Woods, dos Faces (este último herdaria a vaga nos Stones) e por Pete Townshend, do Who.

Era um guitarrista de poucos efeitos, mas de muito feeling e muita energia, com um conhecimento absurdo de timbragens e amplificadores. Foram 16 álbuns em 30 anos de carreira, desde o surgimento do Taste, em 1965, até a sua morte, em 1995, causa por uma infecção hospitalar após um malsucedido transplante de fígado – era um beberrão de primeira e alcoólatra assumido.

Quando de sua morte, a revista Rolling Stone norte-americana colheu alguns depoimentos de músicos não muito importantes na história do rock: “Rory foi um dos grandes guitarristas de todos os tempos e um grande cavalheiro, uma pessoa muito simples”, declarou Bono Vox, líder do U2, outra banda irlandesa.

Correm pela internet textos com versões de uma suposta declaração de Jimi Hendrix a respeito do irlandês maluco. Ninguém nunca atestou a veracidade, mas é excelente com lenda. Após a apresentação de Hendrix no Festival da Ilha de Wight de 1970, que também teve o Taste como atração, um repórter teria perguntado: “Como é a sensação de ser o melhor guitarrista do mundo?” Hendrix não perdeu tempo: “Eu não sei. Vá perguntar a Rory Gallagher.” 

Haddad se emociona ao relembrar reação da filha no dia da prisão de Lula

O PT divulgou um vídeo na manhã deste sábado (22) em que o candidato à presidência Fernando Haddad aparece emocionado ao narrar a relação de Lula com sua família.

Emocionado, Haddad contou o episódio em que Lula, no dia que sua prisão já estava decretada, em um ato em São Bernardo do Campo (SP), demonstrou preocupação com o desempenho da filha do ex-prefeito na faculdade, já que ela havia acabado de entrar na Escola Politécnica da USP.

O vídeo rapidamente se espalhou pelas redes sociais.

Cheiro de armação: PF prepara espetáculo para a véspera da eleição

Depois de falhar na proteção que devia oferecer com seus 21 agentes ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), e se estender de forma demasiada nas investigações para descobrir as reais motivações para a agressão à faca sofrida pelo ex-capitão durante passeata em Juiz de Fora, a Polícia Federal volta a dar provas da sua ineficiência – ou má fé – ao pedir a prorrogação das investigações para elucidação de um crime cujo principal suspeito foi preso em flagrante, minutos depois de consumar a agressão.

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Ao prorrogar por mais 15 dias as investigações, a PF marca a divulgação do resultado do seu inquérito exatamente para as vésperas da eleição que tem por vítima exatamente o líder das pesquisas. E que já se beneficiou do atentado como deixa claro seu crescimento nas pesquisas, em razão da cobertura da mídia que noticia a evolução do seu quadro clínico desde os primeiros momentos do atentado.

Até mesmo teses acadêmicas já provaram que ao ser relacionado ao PT e desmentido logo após a eleição, a cobertura pela mídia (O GloboEstadãoVejaTv Globo etc.) do sequestro de Abílio Diniz pode ter sido decisiva para o resultado do segundo turno da eleição, que deu a vitória de Fernando Collor sobre Lula.

Sempre às vésperas de eleição arranja-se um fato para vinculá-lo ao PT.

No início da semana, insinuou-se por vias transversas que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos na bagagem do vice-presidente da Guiné Equatorial seria destinado à campanha de Fernando Haddad.

No domingo passado, em entrevista ao Estadão, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, justificou o crescimento da candidatura de Bolsonaro nos quarteis “porque ele procura se identificar com as questões que são caras às Forças Armadas”.

Essas questões com que se identificam Bolsonaro e os militares não são diversas das que fizeram da Polícia Federal linha auxiliar dos órgãos de repressão da ditadura militar (1964-1985). Isso faz com que esse papel de polícia política, que voltou a contaminar a Polícia Federal no episódio do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, que foi levado à morte depois de preso sem provas e afastado de suas funções da UFSC, seguida da perseguição que faz ao corpo docente da instituição, torna questionável as intenções da PF ao marcar para a véspera do pleito presidencial a conclusão do seu inquérito sobre o atentado a Jair Bolsonaro. (do Pragmatismo Político)