Rory Gallagher: vida e obra de um herói da guitarra

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Rory Gallagher, nascido na Irlanda, morreu jovem e no auge da carreira e do prestígio.  Guitarrista de primeiro nível, deixou uma obra cada vez mais apreciada pelos fãs e críticos. Acima, Rory ao lado do ícone do blues, Muddy Watters. Ídolo para milhares de pessoas, Rory é cultuado com paixão até hoje na cidadezinha onde nasceu, que realiza anualmente o Festival Rory Gallagher atraindo milhares de pessoas.

Rroy-Gallagher

Abaixo, um texto recente de Marcelo Moreira, no blog Combate Rock, sobre o irlandês ensandecido que encantava multidões:

A maior banda do mundo perde um de seus guitarristas em meio a uma maré de baixa criatividade e abusos homéricos de álcool e drogas. Apesar de o guitarrista “demitido” ser excelente e um prodígio, ninguém se preocupa. Afinal, são os melhores e qualquer outro instrumentista de altíssimo nível bateria na mãe para assumir o posto.

Só que um irlandês maluco recusou e preferiu ficar tocando blues com seu trio em palcos menos nobres no interior da Irlanda e da Inglaterra. E garantiu até o final de sua vida prolífica que não se arrependeu de descartar logo de cara o que ele chamou de “sondagem”. Rory Gallagher é o nome da figura.

Se estivesse vivo, teria completando 70 anos de idade neste mês de março. Por conta da importante data, 14 de seus álbuns e mais uma coletânea de gravações para a emissora inglesa BBC estão sendo relançados após passar por por uma masterização e ganhar uma mixagem diferente.

É uma oportunidade fantástica para (re)descobrir a genialidade de um instrumentista endiabrado e insano que transmitia uma paixão arrebatadora em sua forma de tocar. Foi a inspiração de gente como Stevie Ray Vaughan e da geração de ouro do blues dos anos 90 – Jonny Lang, Derek Trucks, Kenny Wayne Shepherd, Joe Bonamassa e mais uma infinidade de guitarristas.

As joias do repertório são “Photo Phinish”, “Tattoo”, “Jinx” e “Calling Card”, onde o blues visceral convive em harmonia com o blues rock pesado e virtuoso. “Live in Europe” e “Irish Tour’74” são os melhores álbuns ao vivo, com Gallagher em plena forma. 

Também é altamente recomendável o CD duplo “BBC Sessions”, com um disco gravado nos estúdios da emissora inglesa e outro formado por uma coletânea de apresentações ao vivo pelo Reino Unido. 

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Rory quase virou um Stone?

A lenda diz que ele foi convidado a substituir Mick Taylor nos Rolling Stones na virada de 1974 para 1975. Keith Richards, o mestre das seis cordas da banda, estava irado com o que chamou de petulância de Taylor ao tentar “ensinar” aos outros membros como tocar. Após a saída pouco amigável do colega, afirmou a uma revista inglesa que a banda tinha convidado Gallagher.

Posteriormente, desmentiu e disse que os empresários dos Stones apenas fizeram uma sondagem. O irlandês nunca gostou de tocar no assunto. Sempre afirmou que foi apenas sondado, mas em algumas vezes disse que recebeu um convite formal de Mick Jagger. O maluco mas virtuoso guitarrista Rory Gallagher, um dos maiores talentos subestimados do rock, tem recebido justas homenagens ao longo dos anos, com lançamentos interessantes. 

Um deles foi “The Beat Club Sessions”, que é uma reunião de algumas das participações de Gallagher no famoso programa de televisão alemão, que esteve no ar entre 1965 a 1972 recebendo bandas como The Who, os próprios Rolling Stones e o Led Zeppelin para aparições ao vivo. O guitarrista apareceu quatro vezes entre 1970 e 1972, sendo uma delas com sua primeira banda, o Taste.

Logo abandonou o grupo para encarar a carreira solo, embora fosse tímido ao extremo. E a compilação capta o melhor das performances de Gallagher, que era muito melhor ao vivo – ouça e adquira de qualquer forma os álbuns “Live in Europe”, de 1972, e “Irish Tour”, de 1974. As perfomances ao vivo foram elogiadas por gente como Ritchie Blackmore e Roger Glover, do Deep Purple, Rod Stewart e Ron Woods, dos Faces (este último herdaria a vaga nos Stones) e por Pete Townshend, do Who.

Era um guitarrista de poucos efeitos, mas de muito feeling e muita energia, com um conhecimento absurdo de timbragens e amplificadores. Foram 16 álbuns em 30 anos de carreira, desde o surgimento do Taste, em 1965, até a sua morte, em 1995, causa por uma infecção hospitalar após um malsucedido transplante de fígado – era um beberrão de primeira e alcoólatra assumido.

Quando de sua morte, a revista Rolling Stone norte-americana colheu alguns depoimentos de músicos não muito importantes na história do rock: “Rory foi um dos grandes guitarristas de todos os tempos e um grande cavalheiro, uma pessoa muito simples”, declarou Bono Vox, líder do U2, outra banda irlandesa.

Correm pela internet textos com versões de uma suposta declaração de Jimi Hendrix a respeito do irlandês maluco. Ninguém nunca atestou a veracidade, mas é excelente com lenda. Após a apresentação de Hendrix no Festival da Ilha de Wight de 1970, que também teve o Taste como atração, um repórter teria perguntado: “Como é a sensação de ser o melhor guitarrista do mundo?” Hendrix não perdeu tempo: “Eu não sei. Vá perguntar a Rory Gallagher.” 

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