França vence e convence

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POR GERSON NOGUEIRA

Os belgas cumpriram o script conhecido. Jogaram como nunca, perderam como sempre. Muita marola e badalação até entrar na fase do afunilamento da Copa do Mundo. O fato é que os Diabos Vermelhos são superestimados no mundo todo há pelo menos seis anos. Frequentam mensalmente aquele ranking esquisitão da Fifa, sem ter vencido rigorosamente nada. Ontem, encontraram pela proa uma França tranquila, bem arrumada e com três craques em noite inspirada. Ficou no 1 a 0, mas cabia mais.

Ah, ia esquecendo que a equipe de Roberto Martinez é também a queridinha dos modernos influenciadores da mídia no Brasil. Óbvio que a admiração da geração pós-XYZ atingiu patamares tsunâmicos com a vitória sobre a Seleção de Tite na sexta-feira passada. Mesmo tendo achado um gol logo aos 13 minutos, recebido um presentaço aos 31’ e levado um sufoco nos restantes 60 minutos.

Ouvi muita gente enaltecer a clarividência do centroavante Lukaku, um Alcino mais parrudo e melhor aquinhoado pela sorte. É verdade que contra o Brasil ele teve boa participação no lance do contra-ataque que levou ao segundo gol, ajudado pelas gentilezas dos nossos volantes.

Diante da França, porém, a Bélgica não encontrou facilidades. Só teve alguma margem de manobra nos 15 minutos iniciais, quando Hazard encaixou um chute no canto direito, que Lloris defendeu muito bem. Depois, a França assumiu o controle, tocando bola e saindo em velocidade. Chegou ao gol em lance típico do adversário: um cruzamento desviado de cabeça pelo zagueiro (de origem camaronesa) Samuel Umtiti.

Kylian Mbappé foi um show à parte. Dribles, arrancadas, toques de calcanhar. Parecia até um brasileiro das antigas, que bailavam em campo. Só faltou finalizar mais. Caía pela direita e arrastava pelo menos três marcadores, coisa que o Brasil se esqueceu de explorar.

Sem a bola, os belgas não são diferentes de sérvios e suíços. Saem dando caneladas e joelhadas em quem encontram pela frente. Fellaini, o cabeludo que alguns tentaram elevar à condição de craque, foi o Fellaini que a gente conhece. Carniceiro, travoso no desarme e errático no ataque.

De Bruyne, sem a folga que Fernandinho e Marcelo concederam, ficou engarrafado entre os defensores. Apareceu só nos instantes finais, disparando chutões em sinal de claro desespero. De positivo na Bélgica, pra não dizer que não falei de flores, a habilidade objetiva de Hazard, um tremendo jogador, e a segurança do estupendo goleiro Courtois.

Não fosse a gigantesca figura no gol, a França teria disparado uma goleada no 2º tempo. O poste Giroud também ajudou a deixar as coisas no escore mínimo. A Bélgica ainda tem que agradecer a complacência do árbitro, que deixou a pancadaria rolar solta. Todos os contragolpes puxados por Pogba e Griezman eram contidos a pontapés.

Aliás, Copa tem essa coisa bacana de destruir mitos em questão de dias. Até ontem, a Bélgica era festejada e comemorava com certa arrogância a eliminação do Brasil. Após 90 minutos, voltou ao lugar habitual. Já a França, pelo que vem exibindo, é favoritíssima ao título.

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As dúvidas de Dado para montar o ataque

O Papão tem várias dúvidas para o jogo contra o Vila Nova-GO, amanhã, na Curuzu. A maior de todas se localiza no comando do ataque, órfão desde a inesperada saída de Cassiano. Sem o artilheiro, Dado Cavalcanti precisa improvisar uma composição ofensiva sem contar com nenhum outro jogador com as características do antigo titular da posição.

Na falta de um substituto natural, resta a opção do falso camisa 9, papel desempenhado por Moisés sem maior brilho. Magno talvez fosse a opção mais interessante, mas sentiu dores na coxa e dificilmente ganhará vez.

Com isso, cresce a importância dos homens de meio e de aproximação, como Thomaz e Claudinho. O sucesso do Papão diante do 4º melhor time do campeonato vai depender da movimentação de ambos.

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Campeonato sub-17: esclarecimento

Há alguns dias, a coluna incorreu em equívoco quanto aos critérios de escolha dos grupos do Campeonato Paraense Sub-17, fato que teria prejudicado a Desportiva, incluída na mesma chave da dupla Re-Pa.

Ocorre que, segundo a FPF, a definição das chaves ocorreu em reunião do conselho técnico, que teve a participação de todos os clubes, entre os quais um representante da Desportiva.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 11)

5 comentários em “França vence e convence

  1. Na mosca. Os diabos vermelhos atropelaram timinhos e se empavularam contra o mistão inglês na primeira fase. Foram favorecidos pela ingenuidade japonesa e contaram com um gol sem querer nas oitavas. Cairam na real contra o Brasil, jogaram atrás e passaram momentos de pavor no início e no final do jogo. No começo Courtois deu uns dois chutões pela lateral, erravam passes simples e escaparam de sair perdendo logo de cara. Após o gol do Brasil foi um Deus nos acuda. Reparem no gol que o Renato Augusto perdeu. O Kompany, parecendo um beque de pelada, quis isolar a bola, só que errou o chutão e ela se ofereceu a um brasileiro. Este, de primeira ligou no Coutinho que deixou o RA na cara do gol. Ontem, quiseram ser protagonistas e mostraram suas limitações. Não sei como o William perdeu o combate para o grandão e lento Verthogen. Reparem como ele falhou feio duas vezes no primeiro gol do Japão. Eu jurava que o lado esquerdo deles ia ser a mapa da mina para o Brasil. De fato, apenas Hazard e Courtois se destacaram ontem. Joga fácil e bonito o 10 belga.
    Finalmente, a outra semi. Embora saiba que meu coração vai torcer pelo de menor tradição, no caso a Croácia, como será legal se rolar uma final entre França e Inglaterra.

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  2. Em defesa do equilíbrio do jogo, lembremos que, no primeiro tempo, quem fez milagre foi Lloris, caso contrário a Bélgica teria saído na frente. Enfim, o 1×0 refletiu equilíbrio.
    Quanto a Marcelo e Fernandinho, façamos justiça, principalmente no caso do lateral: Felipe Coutinho e Neymar têm grande responsabilidade na avenida aberta à esquerda, pois estavam visivelmente evitando a suspensão para o próximo jogo, acabaram fora de todo o torneio.
    Quanto ao Papão, chega a ser tola essa insistência com Moisés pela falta de jeito, físico e saúde do atleta pra função.
    Por que Dado não lança o Renan Gorne autor, talvez, da mais inteligente jogada do ataque bicolor até aqui, contra o Juventude, quando girou o corpo e tocou do outro lado pro Tomaz, enquanto o hábito é sempre tocar para o jogador mais próximo e em velocidade. Este era Claudinho, que estava impedido. Dado está a dever uma atitude sensata.

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  3. Respeito sua análise do jogo, mas observe que Lloris fez apenas uma defesa realmente difícil naquele início do primeiro tempo no chute de Hazard. A intensidade belga diminuiu a partir dos 20 minutos e o jogo passou inteiramente ao controle francês.

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  4. Também imaginava que o corredor esquerdo seria o caminho mais fácil para demolir a defesa deles, mas William se atrapalhou logo de cara e Tite – em seu pecado mais óbvio naquela partida – demorou a colocar Douglas Costa para investir por ali. Quando sofremos o 2º gol, Douglas deveria ter entrado de imediato. Dificilmente, deixaríamos de abrir a última linha belga.

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  5. Acho que os erros cometidos devem ser analisados pois a leitura equivocada da partida, a complacência dos nossos volantes e a falta de inspiração dos principais jogadores foram fatores contribuintes .

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