Melhor que a encomenda

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POR GERSON NOGUEIRA

O resultado foi surpreendente. Com atuação eficaz de sua linha ofensiva e presença destacada de Renan Rocha no gol, o Papão proporcionou um sábado feliz à sua torcida, estreando na Série B com vitória sobre a Ponte Preta em Campinas. O estádio estava vazio, pois a Macaca cumpre pena de cinco partidas com portões fechados, mas o time paraense não se deixou impressionar pelo silêncio e cumpriu sua missão com louvor.

O PSC achou o caminho do gol veio logo aos 3 minutos. Em lance de indecisão dos zagueiros da Ponte, Cassiano foi mais rápido e chegou tocando para as redes, abrindo o placar e garantindo a vantagem que perdurou até o final.

As costumeiras preocupações defensivas de Dado Cavalcanti não comprometeram seriamente a estrutura do time, que soube resistir à pressão exercida pela Ponte no segundo tempo. O PSC ainda desfrutou de duas chances, ambas com Cassiano.

Como sorte é fundamental, o Papão saltou uma fogueira aos 28 minutos da etapa final graças à arrojada intervenção de Renan Rocha, corrigindo o sério deslize de Perema, que matou de canela na pequena área e entregou a bola nos pés de um atacante campineiro.

No geral, o comportamento dos bicolores foi quase sempre correto na marcação, com destaque para Carandina, firme no combate direto e cometendo menos faltas do que habitualmente faz.

Os laterais não comprometeram e Pedro Carmona cumpriu o expediente burocrático de sempre, apresentando-se para cobrar faltas e escanteios, sem comprometer o equilíbrio do meio-campo.

Um bom e improvável começo na competição mais esperada do ano. A alardeada disparidade técnica entre os times não se refletiu em campo. O confronto foi nivelado, sem que a Ponte mostrasse ter mais recursos que o Papão. Ficou claro que o bicho não era tão feio assim.

Casual ou não, a vitória fortalece ainda mais Dado no comando. Ele acumula duas importantes vitórias após o fracasso na final do Parazão, ganhando tranquilidade para trabalhar neste começo de Brasileiro.

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Leão muda time, mas tenta manter o espírito

O segredo do sucesso leonino no Campeonato Estadual foi a capacidade de entrega e superação do time. A partir dessa constatação, Givanildo Oliveira moldou o esquema que conduziu o Remo ao título. O elenco tinha limitações, mas o espírito obreiro prevaleceu, levando à conquista dos resultados buscados.

Para a estreia na Série C, hoje à noite, em Rio Branco, a equipe remista sofre mudança na zaga (sai Bruno Maia e entra Martony), mas não deverá ter alterações na maneira de se comportar. A marcação continuará a ser forte, tendo a contribuição dos atacantes para bloquear o meio e os lados.

Fã confesso de treinos coletivos, Givanildo realizou quatro deles ao longo da semana passada, insistindo nas manobras rápidas de transição entre defesa e ataque, com participação do goleiro Vinícius na reposição de bola para os velocistas Felipe Marques e Elielton.

Dos reforços apresentados após o Parazão, o volante artilheiro Dedeco tem mais chances de aproveitamento no decorrer do confronto com o Atlético-AC. Dudu e Fernandes estão confirmados na marcação, mas, dependendo das circunstâncias, Dedeco pode estrear.

Outra alternativa, também para compor o meio, é a entrada de Everton, meia-esquerda que chegou para brigar pela camisa 10. Pelas contas de Givanildo, porém, Adenilson continuará titular, mesmo com altos e baixos. A mudança na armação só virá em caso de necessidade extrema.

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Campeonato começa com lambanças da arbitragem

O Brasileiro da Série A começou no sábado e já tem a sua primeira grande polêmica: erros graves de arbitragem no jogo Vitória x Flamengo, no Barradão. Apitador assinalou um pênalti inexistente (bola bateu no rosto de Everton Ribeiro) e, para piorar, ainda expulsou o jogador. Depois, ainda validaria um gol do Flamengo que se originou de impedimento.

É claro que a mídia do Sudeste passou a noite batendo tambor, visto que a maior vítima das barbeiragens do apitador foi o Flamengo. Por tão raro, quando o rubro-negro do Rio reclama de arbitragem é acontecimento digno de manchetes.

Os compêndios de história e os arquivos implacáveis do Youtube estão aí mesmo para provar o alto índice de arbitragens benéficas ao Fla, um dos clubes mais ajudados do planeta nesse departamento – o outro, obviamente, é o co-irmão Corinthians.

Nada disso absolve o soprador de apito que trabalhou no Barradão, mas serve pelo menos de exemplo sobre como dói ser alvo de erros irreparáveis, como costumam ser os de arbitragem.

As falhas, gritantes e primárias, seriam facilmente evitadas com o uso do VAR. Ocorre que a arbitragem não pode também ficar refém da desculpa fácil quanto a lances rápidos. Treinamento e reciclagem existem para que os árbitros adquiram as técnicas necessárias para não errar tanto.

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Direto do Twitter

“Quem tem Donald Trump, Theresa May e Emmanoel Macron não pode jogar pedra no Kim Jong-um dos outros”.

Enquanto o mundo se envolve em nova presepada armamentista, temos o consolo de contar com a verve libertária de mestre Palmério Dória, jornalista paraense de primeira linha e ex-goleiro dos juvenis do Papão.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 16)

3 comentários em “Melhor que a encomenda

  1. Muito interessante: ressuscitaram o fator “sorte” no jogo do Paysandu x Ponte Preta que tinha morrido nos jogos com o Remo no parazão.

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  2. Uma coisa que não entendo no Dado Cavalcanti é a mania de armar o time conforme o adversário. Podem reparar, todo jogo é isso. Sinal de que o PSC não tem um padrão de jogo com o qual os outros se preocupem, e não tem mesmo. Aproveitou a lambança da zaga adversária e deu tudo certo, que bom. Nem acho que jogou pior que a Ponte e que merecia perder, mas tem que parar com esse lance de simplesmente anular os pontos fortes do adversário. E se o outro time tiver desfalcado e mudar o esquema? Será que ele perde tanto tempo só estudando o inimigo? Isso pode funcionar numa final, num mata mata etc, mas em pontos corridos tem que treinar o seu time e impor respeito em todos os adversários, só assim se consegue jogar bem dentro e fora de casa.

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  3. PONTE 0X1 Paysandu, estupendo resultado. incrível, quanto inacreditável. É evidente que pela grandeza do Paysandu, sua estrutura e crescimento no futebol nacional, alem de ser o quarto e único time do Brasil inteiro a vencer em jogos da Libertadores na temida Labombonera, eu poderia considerar isso resultado normalíssimo e sem surpresa. Mas meu espanto está na situação atual do time Paysandu, desacreditado por muitos, alem da história provar que o Paysandu jamais tinha vencido a Ponte em Campinas e jamais tinha estreado com vitória pela serie B em São Paulo desde 1971 quando começou a disputar serie B. O papão quebrou um longo tabu. E foi o único time da rodada a vencer fora de casa. Daí minha surpresa pela grande vitória. E foi vitória merecida, o time se portou muito bem. Porém sem ilusões, reforços de verdade tem de chegar urgente, essa serie B me parece que será uma dificuldade de serie A.

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