Balança da riqueza no Brasil: 5 por 102 milhões

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POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Se alguém contasse a você a história de um reino distante no tempo e no espaço onde cinco pessoas tivessem mais de que 102 milhões se súditos você pensaria em potentados árabes e escravos suando sob sol e chibata.

Mas esse reino é aqui e agora.

A Folha publica hoje dados da distribuição de renda no mundo e nada de novo há senão a aberração que muitos passaram a achar “normal”:  82% de toda riqueza gerada em 2017 ficou nas mãos do 1% mais rico do mundo”, enquanto a metade da humanidade – 3,7 bilhões de pessoas – ganhou, literalmente, nada, exceto ima vida miserável.

Mas não é possível deixar passar o recorte destacado pela repórter Fernanda Mena, informando que os cinco homens mais ricos do Brasil ficam com uma renda igual ao de 102 milhões de brasileiros. São os da fileira de cima da foto e, apesar de não ter os números, acho que com os cinco da fileira de baixo devemos chegar perto de representarem a mesma renda de 153  milhões de almas verde-amarelas.

Para ficar bem claro: cada um dos cinco “vale” por 20,5 milhões de pessoas.

Mas são eles, reza o mantra neoliberal, os que nos sustentam com seus impostos, não é? Eles é que dão dinheiro ao estado para filantropias como a Bolsa Família que, no dizer do rechonchudo Rodrigo Maia, “escraviza” os pobres.

Só que não. Diz o jornal que “os 10% mais pobres do país gastam 32% de sua renda em tributos, a maior parte deles indiretos (sobre bens e serviços), e os 10% mais ricos gastam 21%.” E eu duvido deste dados, porque é provável que se esteja somando aí impostos pagos por empresas e repassados aos consumidores.

Ah, mas os ricaços são ricaços porque trabalharam muito e com enorme talento. De novo, nem sempre: “O relatório global da Oxfam aponta que cerca de um terço das fortunas dos bilionários do mundo provém de heranças ou de relações entre empresários e governos.”

Um professo explica lá na matéria que “nossa desigualdade é mais ligada a problemas estruturais, como falta de educação pública de qualidade e o fato de os servidores públicos, ativos e inativos, ganharem muito mais que o restante da população”

Ah, “fessor”, desculpa aí, mas por mais que haja deformações inaceitáveis com alguns privilegiados – togados, fardados ou “paletozados” – o dinheiro que ganham não tamparia nem o buraco da cárie de turma que não é do andar de cima, é da cobertura. Isso se eles tivessem cáries.

Eles são nada, em matéria de dinheiro perto dos megarricos. Embora, é verdade, tenham uma importância imensa para eles. Afinal, são os feitores que os protegem, que os adulam, que lhes fazem as vontades na política e mantêm a ordem no porão.

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