Um craque assume o poder na Libéria

000f4405-800

George Weah, eleito melhor jogador do mundo em 1995 quando defendia o Milan, prestou juramento nesta segunda-feira (22/1) como presidente da Libéria diante de milhares de partidários, na primeira transferência de poderes entre dois presidentes eleitos neste país desde 1944.

Weah, de 51 anos, prestou juramento ao meio-dia diante do presidente da Suprema Corte, Francis Korkpor, no maior estádio da Monróvia, lotado, constataram jornalistas da AFP. A influente senadora Jewel Howard-Taylor, eleita vice-presidente de Weah, ex-esposa do chefe de guerra e presidente Charles Taylor (1997-2003), também prestou juramento.

Weah prometeu emprego e educação no país africano, 15 anos após atrozes guerras civis (1997-2003), que deixaram 250 mil mortos.

“Passei muitos anos da minha vida nos estádios, mas o que sinto hoje é incomparável”, disse ele depois de prestar juramento no estádio Samuel Kanyon Doe, nome do ex-presidente do país (1980-1990), o único que não pertencia à elite “americano-liberiana”, descendente de escravos libertos nos Estados Unidos e que dominou a vida política nacional por 170 anos.

“Unidos, temos a certeza de alcançar o sucesso como uma nação. Divididos, temos a certeza do fracasso”, advertiu, referindo-se à guerra civil. O ex-jogador de futebol sucede a Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita chefe de Estado na África em 2005, que deixa o poder após dois mandatos consecutivos de seis anos cada.

Vários chefes de Estado de países vizinhos participaram do evento, que também contou com a presença de amigos e ex-jogadores de futebol de Weah, ex-estrela do Monaco, Paris-Saint-Germain e Milan.

Weah conquistou o Bola de Ouro em 1995, sendo o único africano a vencer este prêmio que distingue todo o ano o melhor jogador do planeta. Depois de uma derrota durante sua primeira candidatura à Presidência em 2005 contra Sirleaf, ele conseguiu transferir sua popularidade para o cenário político e se tornou senador em 2014.

image

“Esta é a primeira vez que assisto a uma transferência pacífica de poder na Libéria”, disse Samuel Harmon, um vendedor de rua de 30 anos. “Toda a esperança deste povo depende dele (Weah). Todos pensam que, se ele falhar, a maioria das pessoas ficará desapontada com os políticos”, completou Harmon.

Pressão

Nos seus 12 anos à frente do país, Sirleaf conseguiu manter a paz após as guerras civis que deixaram cerca de 250 mil mortos entre 1989 e 2003. Em relação às reformas econômicas e sociais, porém, seu balanço é menos brilhante, e a pobreza extrema se espalhou no país, um dos piores Estados do mundo em termos de saúde, educação e desenvolvimento.

Durante uma missa realizada no domingo na Monróvia, Weah e Sirleaf mostraram sua unidade após uma campanha eleitoral difícil. Derrotado por Weah no segundo turno em 26 de dezembro, o vice-presidente em final de mandato, Joseph Boakai, denunciou em um primeiro momento fraudes nas eleições.

Seu recurso judicial adiou a realização do segundo turno e, portanto, reduziu o período de transição. O novo presidente teve apenas um mês para formar sua equipe de governo. A posse “implica continuidade e também uma resposta aos desafios da Libéria”, disse o ex-presidente Sirleaf à AFP no domingo.

maxresdefault

Weah terá de impulsionar a transformação de uma economia deprimida e que depende, em grande medida, da borracha e do minério de ferro, além de tentar atender às expectativas dos jovens que o levaram ao poder.

“Eles querem me ver como um ex-jogador de futebol, mas sou um ser humano. Tento ser excelente e posso ter sucesso”, declarou no sábado (20/1), reafirmando que sua prioridade é manter a paz.

Alguns observadores duvidam, no entanto, de sua capacidade de combater a corrupção endêmica no país. “Ele está sob a pressão de vários círculos eleitorais, e é improvável que nomeie um pequeno governo de especialistas, como anunciou após sua vitória”, aponta o analista político Malte Liewerscheidt.

Os nomes que circulam “indicam claramente que vamos ver o pagamento de dívidas políticas, o que sugere a continuação de certas práticas, em vez de uma nova era política na Libéria”, acrescentou. (Do Chuteira F.C., com AFP)

Um comentário em “Um craque assume o poder na Libéria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s