Veja e o conto das 1001 noites

PALOCIZADE

POR FERNANDO BRITO

Não há mais limites para o que a mídia brasileira está disposta a fazer – e a incentivar que se faça – contra Lula. A Veja, agora, dá uma capa que parece saída das histórias das “Mil e Uma Noites”, com que Sherazade (que não era a Raquel, mas a rainha persa) entretinha o malvado rei Shariar para evitar, a cada manhã, a sua própria execução.

Agora, sai-se com uma suposta declaração de Antonio Palocci, cuja delação premiada empacou de que Lula teria recebido, na campanha de 2002 (2002!) um milhão de dólares de Muammar Kadafi, o líder líbio assassinado pelo que viria a ser, hoje, o grupo que estabeleceu no país, até, os leilões de escravos.

É dose para elefante! O teatral não parou no “pacto de sangue”, agora tem o “pacto do petróleo”. A menos que se  enxergue a oportunidade de algo mais delirante como, além de cassar Lula, cassar o registro eleitoral do Partido dos Trabalhadores, a história, tal como a edição da Veja que a traz, deve ir para a cesta de papéis inservíveis logo, logo.

As histórias da Sherazade-Palocci podem deixar encantados os sultões da Veja. Mas todo mundo vê que são contos do vigário,  de quem só se preocupa em escapar da cimitarra do sultão Moro.

Acusar sem provas virou o mandamento nº 1 da midiazona brasileira, inspirada em promotores e juízes. E la nave va…

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