Como já dizia Lupicínio…

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POR GERSON NOGUEIRA

Mais de cinco mil torcedores do Grêmio marcaram presença – e que presença! – ontem à noite em La Fortaleza, o acanhado caldeirão do Lanús. Cantaram tão alto durante o jogo final da Libertadores que em muitos momentos abafaram por completo a algazarra dos hinchas locais. Fizeram valer no grito os versos lendários daquele que é um dos mais belos hinos da galeria dos grandes clubes nacionais.

Luan e Fernandinho foram fundamentais e decisivos, com os belos gols marcados, para a construção ainda no 1º tempo da magistral vitória do Grêmio, encaminhando a conquista da terceira taça continental da história do clube. Os torcedores, porém, merecem um lugar de honra na noite triunfante de ontem.

Afinal, marcharam desde Porto Alegre até a Argentina, cumprindo à risca a sentença musical de Lupicínio Rodrigues: “Até a pé nós iremos para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.

Um jornal de Buenos Aires havia definido o Grêmio, na semana passada, como o mais argentino dos times brasileiros. Não sei se é propriamente um elogio, mas o fato é que nenhuma outra equipe brasileira tem o destemor e a bravura que caracterizam historicamente o tricolor gaúcho.

A proximidade com a região platina talvez esteja por trás desse perfil aguerrido e indômito que o Grêmio costuma exibir em qualquer competição. Foi assim na Batalha dos Aflitos, por exemplo, de inequívoca demonstração de valentia.

Ontem, de novo em campo inimigo, a conhecida flama tricolor prevaleceu, amparada em criativa distribuição de jogo e saídas fulminantes, que liquidaram com as expectativas e pretensões do esforçado Lanús.

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A fibra do incrível exército Brancaleone de Renato

Léo Moura, que está no Grêmio por iniciativa pessoal de Renato Gaúcho, era dado como um ex-jogador em atividade, depois que foi rebaixado no ano passado com o Santa Cruz para a Série B.

Bruno Grassi, terceiro goleiro do time vencedor da Libertadores, defendeu o Águia de Marabá há dois anos, trazido por João Galvão. Ontem à noite, ele compôs o banco gremista como reserva imediato de Marcelo Grohe.

Outro Bruno, Cortez, zanzou por Belém durante alguns dias como contratado do Papão na semana decisiva do jogo contra o Salgueiro, por indicação de Charles Guerreiro. Acabou rodando junto com todos os que participaram do que viria a ser conhecido depois como “Salgueiraço”.

Jael, o Cruel, teve sua contratação ridicularizada por muita gente no Rio Grande do Sul. Estava no Joinville, depois de rodar o país, sem se fixar em lugar nenhum. Foi convocado para o exército Brancaleone de Renato e agora crava seu nome na galeria de campeões gremistas.

Cícero, ex-Fluminense e ex-São Paulo, é outro que também já começava a remar para a beira quando foi chamado a integrar a legião de renegados. Provou sua utilidade marcando o gol da vitória na Arena do Grêmio no primeiro confronto com o Lanús.

Renato pode até não ser um técnico celebrado pela capacidade estratégica, mas provou com essas indicações que manja do assunto.

Aliás, a recuperação de atletas em final de carreira é outra saudável tradição gremista. Paulo Nunes e Jardel que o digam.

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Papão perde Vandick e gestão pode ter novos rumos

O surpreendente desembarque de Vandick Lima da superintendência de Futebol do Papão sinaliza uma preocupante curva de instabilidade na sempre elogiada gestão do clube. Ídolo da Fiel e primeiro presidente da era Novos Rumos, Vandick não se sentiu à vontade para permanecer no cargo por discordar da forma como o trabalho relacionado com o futebol é conduzido na Curuzu. Em outras palavras, bateu de frente com a autonomia concedida ao executivo André Mazzuco.

Na esteira da saída de Vandick, também entregaram seus cargos na Diretoria de Futebol os colaboradores Abelardo Serra, Ivonélio Calheiros e Vítor Sampaio. Depois da reunião que selou o desligamento do trio, a diretoria do clube revelou que ainda não tem substitutos para as funções.

O fato é que a sempre ressaltada força interna do grupo Novos Rumos parece já não ser a mesma de antes. A renúncia de Sérgio Serra talvez tenha aberto uma fissura que não foi ainda devidamente recomposta.

Soma-se a isso o desgaste da dispensa de Emerson, ainda repercutindo entre os torcedores pela maneira como ocorreu. Embora não tivesse sido tão importante na Série B deste ano, o goleiro cativou a torcida pela seriedade profissional e pela participação decisiva na campanha do ano passado.

Ao mesmo tempo, as mudanças abrem espaço para que o presidente Tony Couceiro possa implementar seus planos, metas e diretrizes para a condução do clube em 2018.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 30)

4 comentários em “Como já dizia Lupicínio…

  1. A “novos rumos” está à deriva, perdendo o rumo. Estariam se inspirando nas “eminências pardas” do outro lado da Almirante Barroso ??

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  2. Desde longínquas eras o Grémio se destaca por recuperar jogadores considerados refugos. O que me surpreende hoje é testemunhar a transformação de um curandeiro em técnico vencedor. Seu time jogou um futebol organizado taticamente e jogando pra frente o tempo todo. Mereceu.

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  3. EM TEMPO:

    Tem muita gente dita entendida em assunto de futebol no Brasil e até aqui de Belém mesmo que considera Renato Portalup um pseudo treinador. Acho isto muito injusto com o cara, porque na minha opinião Renato é até agora o segundo melhor treinador do Brasil entre os técnicos formados nas eras média e contemporânea se assim podemos dizer. Renato ainda não é treinador dos antigos e nem emergente mas carrega muita experiência na carreira como treinador. Renato tem outras conquistas já acumuladas como treinador, onde por muita injustiça do futebol não foi campeão da Libertadores e da Sul Americana pelo FLU, O Flu merecia levar o título que perdeu nos penais para LDU. Renato pode ter a chance de se consagrar como treinador se trouxer o mundial. Já faturou antes duas Copas do Brasil montando times muito modestos sem estrelas igual este time de operários do Grêmio. Tudo isso prova que o cara tira leite de pedra, entende mesmo do ofício. Seu único porém era uma certa arrogância em se expressar, mas até nisso ele melhorou. Eu gosto da figura do Renato como treinador, porque além de entender do assunto é um grande motivador. E eu pessoalmente gosto desses tipos de treinadores, que são bem diferentes dos bons mas muito carrancudos tipo Murici, Abel, Parreira etc. Não tenho nenhum medo de afirmar que se Tite fracassar na Russia, a bola da vez para novo treinador da seleção será o Renato Portalup, isso se não inventarem em trazer treinador de outro país. E Pessoalmente eu queria ver o Renato tendo uma chance na seleção.

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  4. Achava que o campeão seria conhecido nos penais. O curioso é que de uns tempos para cá, na final da Libertadores, está de um lado um time tradicional e do outro uma surpresa e até agora, os favoritos ganharam: San Lorenzo x Nacional do Paraguai, River Plate x Tigres do México, Atlético Nacional da Colômbia x Independiente del Valle do Equador e agora Grêmio x Lanús. Título merecido do mais copeiro dos times brasileiro, lembrando também que a Libertadores do ano que vem pode ter a volta do Rey de Copas: Independiente-ARG.

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