Vida de desempregado

9 de outubro de 2017 at 12:23 11 comentários

Ricardo-Kotsho-foto-Orlando-Brito-2

POR RICARDO KOTSCHO

De uma hora para outra, os telefones param de tocar.
Ligam apenas alguns velhos amigos para perguntar o que aconteceu e dar um abraço.
Também rareiam as mensagens no correio eletrônico.
É como se você tivesse sido desligado do mundo: te tiraram da tomada, sem aviso prévio.
Estou desempregado pela primeira vez na vida, desde que comecei a trabalhar em jornalismo, com 16 anos.
Hoje faz uma semana que acordo de manhã sem ter o que fazer.
Não há mais anotações na agenda, nenhum compromisso.
É uma sensação muito estranha, de vazio absoluto.
Você descobre que o trabalho não é só teu ganha-pão para pagar as contas no final do mês.
No meu caso, sempre foi a própria razão de viver, minha ligação com o mundo.
Escrever para contar e comentar o que está acontecendo é a única coisa que aprendi a fazer.
Desde o meu primeiro emprego, nunca tinha sido demitido.
Foi uma paulada que não esperava, agora que estou próximo de completar 70 anos, com mais de 50 de carreira.
Nem sei por onde começar a procurar um trabalho novo.
Ao contrário da maioria dos outros 13 milhões de brasileiros sem trabalho, nem adianta distribuir meu currículo porque sou tão antigo que os possíveis empregadores já me conhecem.
O mar mercado, como sabemos, não está para peixe.
O fato de ser um profissional reconhecido e respeitado, que já trabalhou nas maiores empresas de comunicação do país, de repórter a diretor de redação, não é garantia de nada.
Enquanto a maioria das empresas do ramo reduz salários ou passa o facão sem olhar em quem, o mercado em geral busca mão de obra barata para substituir os que ganhavam salários melhores.
Esta é a realidade, e é com ela que precisamos lidar.
Para não me ver parado, minha filha Mariana Kotscho, também jornalista já veterana, abriu espaço em seu Facebook para publicar o que eu tiver vontade de escrever, enquanto monta uma plataforma independente para o meu blog, o Balaio do Kotscho, que está no ar desde 2008. Ela também criou aqui no Facebook uma página para o Balaio do Kotscho, assim já tenho onde publicar o que escrevo enquanto o site está “em construção”.
Já temos até endereço novo em casa própria: www.balaiodokotscho.com.br
Minha filha caçula, a roteirista Carolina Kotscho, que está estreando o Musical “2 Filhos de Francisco”, já falou com a mãe para nos ajudar no que for preciso.
Por enquanto, é o que temos.
Sempre fui empregado, nunca tive negócios ou outras rendas fora do salário.
O que ganho de aposentadoria do INSS mal dá para pagar o plano de saúde.
Então, não tem outro jeito: depois de uma breve folga na Semana da Criança para curtir os netos na praia, comunico à praça que estou de volta ao mercado, como se diz.
Qualquer trabalho honesto na minha área me interessa.
Se alguém estiver interessado em patrocinar meu novo site, é só entrar em contato com minha empresária Mariana Kotscho.
Bom feriadão pra todos.
Vida que segue.
Abraços,
Ricardo Kotscho

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Crise da imprensa se dá pela quebra da cadeia de transmissão de conhecimento nas redações Sensação da última Euro, Islândia carimba passaporte para Rússia 2018

11 Comentários Add your own

  • 1. Vida de desempregado — | O LADO ESCURO DA LUA  |  9 de outubro de 2017 às 12:35

    […] via Vida de desempregado — […]

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  • 2. José FERNANDO PINA Assis  |  9 de outubro de 2017 às 12:42

    SOMOS DARWINIANAMENTE,
    apenas produtos do meio.
    Ninguém, por mais importante, lindo, carismático, smart, safo, necessário (ou suficiente) que o seja, permanecerá o tempo todo na vitrine. O mercado, esse olho mágico, que a tudo vê e de tudo desdenha (por dever de ofício) sempre busca o novo, o frescor do novo, mesmo que feda pouco depois.
    É assim mesmo, velho KOTSCHO, judeus também caem em desuso, ainda que os sionistas-ricos de manhatan (como dizia Cazuza) sempre tenham uma carta na manga, um túnel por onde escapar dos olhos cruéis da mídia, quando eles também caem em desuso.
    Agora é parte do gigantesco EXÉRCITO DE BRANCALEONE.

    Afinal permanece viva a máxima do mago ANDY WARHOL, criador da mida psicodélica e rei das sopas Campbels: “No futuro, todos terão seus quinze minutos de fama”.

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  • 3. Edan galo doido  |  10 de outubro de 2017 às 8:49

    Boa sorte meu querido, nao nos deixe c saudades

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  • 4. ADELAR DE OLIVEIRA  |  10 de outubro de 2017 às 17:10

    Grande Kotscho. Como não tens vocação para abrir a tua própria Igreja Evangélica, bola pra frente. Apesar dessa dureza do mercado com os mais experientes, em nossa profissão ainda conseguimos fazer muito depois de maduros. Ainda mais você com toda esta bagagem. Assim, olhando de longe, acho que esse teu Blog e o empreendedorismo da Mariana será o melhor caminho. Grande abraço, não desista.

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  • 5. blogdogersonnogueira  |  11 de outubro de 2017 às 0:40

    Estamos juntos, na torcida pela volta triunfal do grande Kotscho à labuta diária. O jornalismo não pode abrir mão de craques como ele.

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  • 6. Anônimo  |  12 de outubro de 2017 às 0:04

    Ricardo, meu querido e velho amigo. Tenho certeza absoluta que você estará novamente no mercado muito em breve. Não se acha fácil profissionais como você. A sua demissão pegou todo mundo de surpresa, mas não se preocupe. Logo logo outras portas se abrirão e o seu telefone voltará a tocar. Te conheço há mais 50 anos e sei o que estou dizendo. Cabeça erguida e pensamento positivo. Um carinhoso abraço deste seu amigo de sempre. Fausto Camunha.

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  • 7. Fausto Camunha  |  12 de outubro de 2017 às 0:20

    Meu querido e velho amigo Ricardo, tenha certeza de que está muito difícil encontrar profissionais como você. Logo logo outras portas vão se abrir, sabe por quê? Você é o Ricardo Kotscho, jornalista respeitado pela competência e pelo caráter. Eu sei que o seu telefone voltará a tocar em breve. Muito breve. Receba um carinhoso abraço deste que tem muito orgulho de ser seu amigo. Há mais de 50 anos!

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  • 8. Ivan Quadros  |  12 de outubro de 2017 às 0:32

    Ae, amado. Bom Toque Toque com a netaiada. E se prepare porque logo logo você terá batente. O “mercado” te quer, sempre. Saudade e boa sorte.

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  • 9. Anônimo  |  17 de outubro de 2017 às 15:18

    Força, Kotsho

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  • 10. Ricardo Carvalho  |  23 de outubro de 2017 às 23:53

    É infernal não acessar o facebook com frequência. Soube só agora que o Kotscho “está procurando emprego…”.
    Ao mesmo tempo, xará, lembra de um velhinho alemão, barbudo, culto, economista, filósofo, que virou a história de cabeça pra baixo? Ele tem uma frase definitiva: “a crise é o motor da história”. Por mais que possa parecer coisa de autoajuda, esta frase resume o papel do homem na sua trajetória. Chega um momento – e chega pra todo mundo – e independe da idade, que a tal crise (financeira, existencial…) acaba por nos jogar para a frente. Se escrever é o seu barato (e meu e de todos nós), escreva sem parar, conte suas histórias, invente outras… Vá no estádio gritar e ajudar o seu São Paulo a não ser rebaixado. Saia de casa, sinta a vida fluir. Se faltar dinheiro, peça emprestado aos amigos. Entre no metrô e vai ver que em cada vagão há dezenas de histórias que precisam ser contadas.
    Vamos pesquisar, vamos pensar projetos que podem ser uma exposição, um roteiro, um show. Já tentou escrever um show? É o maior barato você sentir a sua história ganhar vida, com personagens vivos, que viram seus filhos. Esta coisa toda faz um bem danado para a pele. Alias, xará, não vou aceitar a sua resposta que não sabe fazer estas coisas.
    E já que citei uma frase, vou dizer outra, que escutei aos 18 anos no filme Zorba e que,de alguma maneira, sempre fortalece as minhas fraquezas e me faz reagir às tristezas.
    Louco para trabalhar, Zorba consegue convencer o seu futuro empregador com um raciocínio que só a tradição de milhares de anos pode oferecer. Pergunta: “Afinal, Zorba, o que você sabe fazer?” O sábio grego responde sem pestanejar, com um sorriso aberto no rosto iluminado pelo olhar de quem sonha: “Tenho uma cabeça, dois braços e duas pernas… qual é o trabalho?”
    Não há que sentir medo de nada. Se telefonemas rareiam, ligue você para conversar fiado e acho que tenho aqui um projeto que podemos tocar a seis mãos: você, Paulo e Chico Caruso (na verdade só existe um deles) e eu: contar em um show, em uma exposição, em um documentário a história do humor político no Brasil. Já tô com a pesquisa meio encaminhada e descobri, por exemplo, que a considerada primeira charge política foi feita por Araujo Porto Alegre, publicada em 1837 e retratava um jornalista se vendendo para falar bem da corte, no diário oficial da época.
    Topas?
    Abraços
    Ricardão

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  • 11. Vale a leitura - Observação & Análise  |  6 de novembro de 2017 às 12:00

    […] caso bem ilustrativo dessa situação é contado pelo jornalista Ricardo Kotscho em seu artigo Vida de desempregado, publicado no Blog do […]

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