Sobre a alma paraense

15 de setembro de 2017 at 12:16 11 comentários

Belem_n

POR GERSON NOGUEIRA

O que, afinal, define a alma paraense?

Grandes escritores regionais já se debruçaram sobre o complexo assunto. Dalcídio Jurandir, Eneida de Moraes, Haroldo Maranhão, Ruy Barata e De Campos Ribeiro, principalmente. Mas é fato notório que não há um inventário completo daquilo que informalmente chamamos de “coisas do Pará”.

O blog tomou a liberdade de elaborar uma lista mais ou menos lista representativa da essência deste caboclo tão diferente, incompreendido, bacana e único – o paraense.

fruit

Ser paraense é…

  • Ter (e festejar) um Natal em outubro e outro em dezembro.
  • Nutrir orgulho e pavulagem por esta terra tão sacaneada por gerações de maus governantes – incluindo os de agora.
  • Jamais comer manga com febre – nossos avós diziam que faz mal.
  • Falar “égua!” em quase todos os momentos e situações.
  • Ir às lágrimas na passagem da berlinda de Nossa Senhora de Nazaré.
  • Ter intimidade com a santa padroeira, a ponto de chamá-la de Nazica.
  • Torcer apaixonadamente por Remo ou Paissandu mesmo que os times não mereçam tanta paixão.
  • Viajar sempre com um (ou mais) isopor levando delícias da terra – cupuaçu, pupunha, taperebá, açaí, tucumã, bacuri, bacaba, filhote, dourada, tucunaré etc. etc. – a amigos de fora.
  • Sentir-se de verdade o senhor dos rios e florestas.
  • Reenergizar o espírito belemense passando sob o túnel de mangueiras da avenida Nazaré.
  • Degustar cachorro-quente (de picadinho) nas esquinas de Belém. McDonald’s é para os fracos.
  • Curtir um passeio na Estação das Docas sob a brisa da baía do Guajará.
  • Tomar açaí (com ou sem açúcar) com farinha de tapioca, camarão, jabá ou peixe frito – ou tudo isso junto.
  • Defender a tradição do carimbó de Verequête e do siriá de Mestre Cupijó.
  • Entender que Cerpinha é a melhor cerveja do universo, e nem cabe discussão.
  • Viajar quilômetros pra comer tapioquinha nas barraquinhas de Mosqueiro.
  • Saber que todos aqui somos manos e manas.
  • Forrar o bucho na comilança do Roxy, saborear 300 sabores de sorvete na Cairu, tomar chope no Cosa Nostra, traçar filhote com jambu no Avenida.
  • Tomar banho com sabonete Phebo e usar roupas perfumadas por patchuli.
  • Ficar sinceramente feliz ao encontrar conterrâneos fora do Estado e do país.
  • Encarar uma cuia de tacacá às 3 da tarde sob temperatura de até 40 graus.
  • Desfrutar da beleza de Alter do Chão e trombetear isso ao mundo.
  • Usar um dialeto particular que inclui palavras como “arredar”, “estrupício”, “inhaca”, “varar”, “morrinha”, “pitiú”, “panemice” etc.

Gastro2

  • Fazer do combo café preto + pupunha o lanche dos deuses.
  • Falar mal do Ver-o-Peso, mas não permitir que nenhum visitante faça o mesmo.
  • Andar descalço na chuva e admirar o céu todo branco nos torós de fim de tarde.
  • Devorar maniçoba, pato no tucupi e vatapá paraense (com jambu) no sagrado almoço do Círio, tendo compota de cupuaçu como sobremesa.

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11 Comentários Add your own

  • 1. Edyr Proença  |  15 de setembro de 2017 às 12:52

    Muito bom, amigo˜

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  • 2. Joseney Basílio  |  15 de setembro de 2017 às 14:01

    Excelente!!!

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  • 3. Carlos Barreto/BICOLOR.  |  15 de setembro de 2017 às 14:25

    O melhor mesmo é IR LA EMBAIXO!

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  • 4. JONAS  |  15 de setembro de 2017 às 16:35

    EGUA ME DEU SAUDADES DO MEU PARA.

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  • 5. escribavirtual  |  15 de setembro de 2017 às 22:03

    Concordo em parte quase toda a lista se refere aos gostos e costumes do nordeste paraense.

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  • 6. Jaime (Atlanta, EUA)  |  15 de setembro de 2017 às 23:12

    Esse é meu planeta chamado Pará. Égua pequeno, deu vontade de dar o pira daqui.

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  • 7. José Marcos Araujo  |  17 de setembro de 2017 às 15:04

    O meu avô, Benedicto Lima, o Velho Nito, que era comandante da Marinha Mercante, dizia sempre que o marítimo paraense era reconhecido internacionalmente como bom marinheiro e, ao mesmo tempo, como indesejável profissionalmente, por sua incapacidade de passar mais de 30/40 dias embarcado em viagens de longo curso. Logo ficava cheio de saudades de Belém e queria voltar, abandonando o serviço onde estivesse.

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  • 8. maria evana  |  17 de setembro de 2017 às 18:54

    Maninho esse texto tá lindo, por isso montei o projeto cultural O Pará Tá Aqui no Rio Grande do Sul m para todos que amam nossa cultura e estamos tão distantes, resgatar e valorizar nosso jeito paraense de ser e viver, Texto maravilhoso!!!!

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  • 9. Clarice Lima  |  17 de setembro de 2017 às 19:27

    Muito bacana! Como mineira nao entendi tudo kkkkkk, mas tive o imenso prazer de conhecer esse estado maravilhoso e amei algumas dessas delicias! Quero voltar para experimentar tudo!

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  • 10. Régia Cristina de Sousa Araújo  |  17 de setembro de 2017 às 23:14

    Maravilhosa definição, só esqueceu de mencionar a saudade de quem da terrinha sai,pois depois de tanto ler os lugares,comidas,costumes à a saudade aumenta mais a que saudade.

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  • 11. João Costa  |  28 de novembro de 2017 às 17:59

    Interessante retrato gastronômico.

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