
POR GERSON NOGUEIRA
O Cruzeiro venceu o Remo com estratégia cautelosa e marcação intensa em seu campo. Rigorosamente, foram as mesmas armas que o time de Léo Condé usou para derrotar o Bahia, pela Copa do Brasil, no meio da semana. A constatação é óbvia e significa que no Campeonato Brasileiro não existem fórmulas consagradas, mas recursos que podem eventualmente funcionar, dependendo das circunstâncias do jogo.
Na condição de mandante, o Remo viu-se obrigado a jogar de forma completamente oposta à postura que usa como visitante. Ao enfrentar equipes fechadas, como o Cruzeiro, o recurso mais inteligente é atacar com criatividade, abrindo caminho na marcação com dribles e tabelinhas, inversões e infiltrações. E aí as coisas se complicam.
Sem Vítor Bueno e David Braga, seu reserva imediato, o Remo não tem jogadores capazes de criar alternativas ofensivas. Por isso, depende de cruzamentos e bolas esticadas em transição, pressionando com três atacantes ou investindo em velocidade pelos lados.
O cenário torna-se então favorável ao visitante. O Cruzeiro ficou o 1º tempo todo em seu campo, olhando o Remo se movimentar, quase sempre para os lados, sem verticalizar o jogo. De tanto insistir com cruzamentos, o dono da casa permitiu-se um momento de desatenção, tempo suficiente para Arroyo marcar o gol da vitória em manobra individual.
No duelo entre times empenhados em marcar, venceu quem teve competência para aproveitar uma rara oportunidade. O Cruzeiro teve outras, no 2º tempo, mas Marcelo Rangel se agigantou. O Remo teve as suas também, mas Jajá, Pikachu e João Pedro não souberam definir.
Ao longo dos dois períodos, o torcedor que lotou o Baenão viu um duelo encarniçado. Os embates físicos se repetiam em todos os cantos do gramado, com poucos momentos de controle de um dos lados.
Sem espaço para explorar, pois o Cruzeiro nunca ficava desguarnecido atrás, o Remo se perdeu em tentativas de força, com Jajá e Pikachu pelos lados e Poveda espremido entre os zagueiros. No meio, a missão do trio Patrick-Zé Welison-Zé Ricardo se limitava a brigar pela posse da bola, perder e lutar novamente. Um eterno enxugamento de gelo.
Os 20 minutos finais traduziram bem o dilema azulino. Preso entre as limitações normais do elenco e desfalques que fazem a diferença numa competição de alto nível, o Remo viu o oponente botar o 1 a 0 embaixo do braço e administrar a vantagem sob a batuta de Gerson no meio.
Um resultado normal, se levada em conta a grandeza do adversário, mas a atuação do Remo ficou abaixo da expectativa. A situação delicada na classificação atiça o coro de cobranças e críticas da torcida. Faz parte.
Rock deixa rastro de prejuízos para o Leão
Além de perder a possibilidade de uma grande arrecadação no Mangueirão, com a torcida motivada pela vitória na Copa do Brasil, o Remo teve que enfrentar o Cruzeiro no castigado gramado do Baenão. Definitivamente, o Leão não teve motivos para comemorar a consagradora passagem do Guns N’ Roses por Belém neste fim de semana.
Guitarras à parte, o mau resultado na rodada empurra o Remo para uma campanha de superação a partir de agora. Como penúltimo colocado, o time precisa reagir rápido para tentar sair da zona de rebaixamento e não se distanciar do bloco intermediário.
Foi a segunda derrota em casa – a primeira foi diante do Fluminense –, mas irritou o torcedor por conta da sequência de tropeços. O campeonato é duríssimo, principalmente para times emergentes, mas há espaço para reação. E ela pode começar já no sábado, diante do Botafogo, no Rio.
Depois, enfrenta o Palmeiras no Mangueirão, sai para jogar com a Chapecoense e volta para receber o São Paulo. No meio disso tudo, tem a partida de volta contra o Bahia, pela Copa do Brasil.
E que fique claro: é fundamental que Léo Condé siga no comando. Foi com ele que o time ganhou formato competitivo. Apesar de algumas escolhas questionáveis – Leonel Picco não pode ser reserva e Poveda não deve ser titular –, o técnico pode levar o Remo a dias melhores.
Grandre triunfo bicolor valeu pelo 2º tempo
Depois de um 1º tempo confuso e dispersivo, com muitas falhas de marcação, o PSC se transformou na etapa final e aplicou uma goleada de 4 a 1 no Itabaiana, no sábado à tarde. Apesar do desempenho ruim nos primeiros 45 minutos, foi o time bicolor que saiu na frente, marcando nos instantes finais com Ítalo, que desviou um chute de Kleiton Pego.
Antes disso, porém, o time correu muitos riscos. Canela e Rodrigo Alves estiveram frente a frente com Gabriel Mesquita em cinco oportunidades claras de gol. O goleiro evitou o pior fazendo três belas defesas. O Itabaiana também botou uma bola na trave.
Pelo PSC, Pedro Henrique também carimbou o travessão do Itabaiana, mas o time parecia desconjuntado e sem a movimentação que normalmente imprime ao jogo. Tudo mudou no 2º tempo, embora a zaga tenha permitido o gol de empate logo aos 3 minutos.
O tempo foi passando e o Itabaiana foi caindo de rendimento físico. Não conseguia mais acompanhar o PSC, que reforçou o lado esquerdo com as entradas de Lucas Cardoso e Taboca. Na frente, Kleiton Pego, Juninho e Thalyson se encarregaram de infernizar a vida do adversário.
Os gols surgiram naturalmente, com Caio Mello aproveitando rebote na pequena área, Kleiton lançado por Caio pela direita e Juninho chutando duas vezes para fechar a contagem. Um grande resultado.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 27)
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