Recordar é viver: os 15 anos do penta

1 de julho de 2017 at 10:22 Deixe um comentário

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Há exatos 15 anos, o Brasil ganhava seu último título mundial de futebol com a equipe que ficou conhecida como a “família Scolari”. A primeira Copa do Mundo no continente asiático reservou rituais incomuns para os torcedores brasileiros. No Mundial de 2002, Coreia do Sul e Japão compartilharam as sedes do torneio. Os jogos durante a madrugada e o início da manhã fizeram muita gente perder a hora no trabalho ou na escola para acompanhar a seleção brasileira. Além do clamor popular pela convocação de Romário, então com 36 anos, o técnico Felipão ainda teve de contornar o corte do capitão Emerson, um dia antes da estreia contra a Turquia, após sofrer uma luxação no ombro em um treinamento.

Malandragem à brasileira

Uma estreia tensa. O Brasil começou perdendo para a Turquia, empatou com Ronaldo e, aos 40 minutos do segundo tempo, Luizão foi derrubado próximo à meia-lua. O atacante mergulhou dentro da área. De longe, o árbitro coreano caiu na dele e marcou pênalti, convertido por Rivaldo, que ainda protagonizaria uma simulação grotesca. O defensor turco chutou a bola em seu joelho – Rivaldo caiu no gramado sentindo o rosto – e acabou expulso. A vitória suada por 2 x 1 abriu caminho para o Penta.

Jogos de madrugada

O primeiro jogo da seleção no Mundial foi às 6h da manhã. Na competição, o Brasil ainda jogaria às 8h30, 8h e 3h30, como no duelo contra a Inglaterra. A diferença de 12 horas para os países asiáticos obrigou os brasileiros a madrugar para assistir aos jogos. Havia quem virasse a noite e quem trocasse o churrasco tradicional em jogos de Copa pelo café da manhã. O fuso horário foi especialmente ingrato com profissionais de imprensa que tiveram de cobrir os jogos no Brasil, como o comentarista Sérgio Noronha, que acabou cochilando em uma das aparições ao vivo na Globo.

Samba para inglês ver

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Inglaterra em um jogo de nervos à flor da pele. Lúcio falhou na defesa e deixou Michael Owen livre para abrir o placar a favor dos ingleses. Ronaldinho Gaúcho, até então discreto na Copa, resolveu dar o ar da graça. Primeiro, entortou Ashley Cole e rolou para Rivaldo empatar. Já no segundo tempo, surpreendeu Seaman com uma cobrança de falta despretensiosa que foi parar no ângulo direito do goleiro. Evocou a famosa sambadinha na comemoração, mas levou cartão vermelho sete minutos depois. A seleção resistiu bravamente com um jogador a menos no segundo tempo e garantiu a passagem à semi.

Perseguição dos turcos

A Turquia estava engasgada com o Brasil desde a derrota com interferência do apito. Em mais um embate truncado, a seleção contou com a estrela e o biquinho de Ronaldo, que decretou a vitória por 1 x 0. Porém, foi a arrancada de Denílson, perseguido por nada menos que quatro marcadores turcos na lateral do campo, para delírio de Galvão Bueno, que marcou aquela semifinal. Com seus dribles, a equipe de Felipão ganhou minutos preciosos para segurar o resultado.

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Ronaldo e Rivaldo derrubam mito alemão

Considerado o melhor goleiro do mundo, Oliver Kahn havia sofrido apenas um gol até a final e vinha roubando a cena na Copa do Mundo. Mas, diante do Brasil, ele não foi páreo para a artilharia pesada comandada por Rivaldo e Ronaldo, que marcou os dois gols do título em 30 de junho de 2002. Embora o camisa 9 brasileiro tivesse vencido o duelo pessoal e garantido a artilharia da Copa, com oito gols, Kahn foi eleito o melhor jogador do torneio pela FIFA. Brasil e Alemanha voltariam a se encontrar em um Mundial 12 anos depois. Dessa vez, porém, a família Scolari não teve a mesma sorte…

Cambalhota e pegadinha fenomenal

Assim como em 1994, a delegação canarinha foi recebida com honrarias oficiais em Brasília. Na longa viagem de volta do Japão, os jogadores aproveitaram para curtir um pagode e apreciar merecidos goles de cerveja após a conquista do Penta. Vampeta era um dos mais empolgados. Prometeu aos companheiros que daria cambalhotas na rampa do Planalto. “Foi uma brincadeira. Eu estava bêbado”, conta o ex-volante, orgulhoso do feito.

Sob olhares incrédulos do então presidente Fernando Henrique Cardoso, ele rolou pelo cimento palaciano vestindo uma camisa do Corinthians. Ronaldo também pregaria uma peça em FHC. Fingiu ter sido espetado na hora em que o presidente lhe entregava a medalha de honra ao mérito – Vampeta perdeu a sua durante uma das cambalhotas. (Por Breiller Pires, no El País) 

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