E se a casa cair?

26 de maio de 2017 at 2:35 2 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Dá para imaginar o frisson de certos setores esportivos e midiáticos quando o nome do cartolão Ricardo Teixeira reaparece no noticiário. É como um elefante na sala de jantar. Teixeira, ex-presidente da CBF, é um robusto arquivo vivo das falcatruas e gambiarras que ditaram os rumos – e os lucros obscenos – do futebol brasileiro nos últimos 30 anos.

Como dirigente, atuou com mão de ferro, de 1989 a 2012, sem dar chance aos opositores e controlando os presidentes das federações como um capitão do mato: quem não o apoiasse era tratado a pão e água; já os submissos sempre tiveram vida mansa e abundante, ganhando até mensalinho em troca de cumplicidade.

Quase todos viveram felizes até a descoberta, pelo FBI e pela Justiça americana, dos fios desencapados nas confederações, das republiquetas africanas até os feudos dos velhos morubixabas latino-americanos. Resultou dessa cruzada a devassa nas contas e arquivos da própria Fifa.

Blatter saiu de cena, Havelange teve o nome definitivamente manchado, Nicolas Leoz e José Maria Marín fizeram acordos de delação. Marín cumpre pena domiciliar nos Estados Unidos, mas não dedurou ninguém.

Enquanto meliantes eram capturados, o escorregadio Teixeira conseguiu miraculosamente se manter longe dos braços da lei. É verdade que não pode mais viajar como antes, nem desfrutar plenamente da riqueza amealhada nos tempos de bonança na CBF. Mas, em comparação com  colegas de fuzarca, está livre e morando no interior do Rio.

Surpreende que alguém com o histórico tão chamuscado tenha se mantido a salvo das garras da Justiça dos EUA. As explicações para tal tranquilidade talvez tenham mais a ver com a lentidão das autoridades brasileiras para produzir provas contra Teixeira.

Ao mesmo tempo, não é difícil elaborar como o ex-cacique, dono de ampla força política sobre outras instituições, a partir de uma afinada bancada de apoio no Congresso Nacional, se manteve a salvo de denúncias incômodas.

Agora, no entanto, a investigação movida na Espanha pode abrir caminho até para a prisão de Teixeira, além de alcançar os escaninhos das tramoias entre CBF e variados parceiros de negócios, entre os quais a Globo.

A prisão de Sandro Roseli, ex-presidente do Barcelona e antigo sócio do brasileiro em várias jogadas, é o fato novo. Roseli foi preso (junto com a esposa e mais três cúmplices) por lavagem de dinheiro e fraudes diversas no período em que foi representante da Nike no Brasil. Embolsava até 41% de participação nos amistosos da Seleção Brasileira.

A Justiça espanhola acusa Roseli de desviar 15 milhões de euros (cerca de R$ 55 milhões) em valores referentes a direito de imagem da Seleção canarinho. Com Roseli preso, a doce vida de Teixeira pode estar com os dias contados. E de alguns de seus mais amigos chegados, também.

————————————————————————————————

Fim da novela: Ramos e Remo reconciliados

Uma nota oficial, emitida no começo da noite de ontem, confirma a reintegração do meia-armador Eduardo Ramos ao elenco do Remo para a disputa da Série C. O jogador desistiu de uma ação trabalhista contra o clube e obteve o perdão do técnico Josué Teixeira.

Não há dúvida quanto à importância de Ramos sob o ponto de vista técnico. A essa altura, ele representa um reforço e tanto para o trôpego meio-de-campo azulino, que não acertou o passo desde que ele e Flamel (contundido) deixaram de atuar.

Vai organizar o jogo a partir da meia-cancha e pode dar um mínimo de identidade a um time que sofreu mudanças radicais desde o fim do Campeonato Estadual.

O problema – sempre há um – está no comportamento extracampo, motivo de constante beligerância entre o atleta e as regras disciplinares do clube.

A conferir.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 26)

Entry filed under: Uncategorized.

Capa do Bola – sexta-feira, 26 Enquanto isso…

2 Comentários Add your own

  • 1. Diego  |  26 de maio de 2017 às 11:46

    Esse caro ERamos é semelhante ao do Vampeta na época do Flamengo, conforme ele relatou, o Flamengo faz que me paga e eu faço que jogo.

    Curtir

  • 2. Antonio Oliveira  |  26 de maio de 2017 às 12:39

    Fim da novela ER? Tenho certeza que não! Esse foi só mais um capítulo.
    Quanto à importância dele, sob o meu ponto de vista, a única certeza que há respeito à experiência alusiva às duas últimas passagens do mesmo pelo Baenão. Foi protagonista do projeto Campeã do meio pro fim da temporada passada e foi o motivo da queda de produção da equipe no Regional, onde o time quase não disputa a final. Ele foi um Rogerinho às avessas. E a postura do time antes, durante e depois, para quem tem o mínimo de senso de observação deixa tudo muito claro.

    Quanto ao futebol qualificado do jogador, a cada dia que passa ele vai se diluindo na vida extra campo. Hoje, ele é um craque, em tese. Concreto mesmo, só o prejuízo no final de toda esta farra, quando a justiça do trabalho vier obrigar o Remo a pagar a conta.

    A propósito, será que quem levou o jogador para lá também foi decisivo para que rale fosse readmitido, agora? Não é de duvidar.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


CONTAGEM DE ACESSOS

  • 7,236,686 visitantes

Tópicos recentes

gersonnogueira@gmail.com

Junte-se a 12.633 outros seguidores

VITRINE DE COMENTÁRIOS

Nelio em Brasil x PSC – comentári…
Peixoto em Brasil x PSC – comentári…
Jorge Paz Amorim em As verdades da bola
Edson do Leão - meu… em Brasil x PSC – comentári…
Antonio Oliveira em As verdades da bola

ARQUIVOS DO BLOG

FOLHINHA

GENTE DA CASA

POSTS QUE EU CURTO


%d blogueiros gostam disto: