A estranha ausência do Judiciário na lista do fim do mundo

12 de abril de 2017 at 12:37 3 comentários

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POR KIKO NOGUEIRA, no DCM

A ausência do Judiciário na lista de Fachin é gritante demais para ser ignorada. Toda a República está lá, entregue por 78 delatores. A Câmara, o Senado, o presidente, ex-presidentes, mortos, vivos, parentes, amigos, filhos, mulheres, maridos — e nem um nome de juiz ou desembargador?

Nove ministros, três governadores, 24 senadores e 37 deputados federais. Tem até o Vado da Farmácia. E ninguém dos tribunais superiores. A Odebrecht operou esse tempo todo sem desembolsar um tostão por, digamos, uma sentença favorável?

Difícil.

No final do ano passado, Eliana Calmon, ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça, deu uma entrevista a Ricardo Boechat. “Delação da Odebrecht sem pegar o Judiciário não é delação”, lembrou. “É impossível levar a sério essa delação caso não mencione um magistrado sequer”.

A bem-vinda guerra contra a corrupção fica manca dessa maneira. Por que nada foi perguntado aos executivos sobre isso?

Ao jornal Tribuna da Bahia, Calmon foi além. “Nessa república louca que é o Brasil, temos aí o Executivo e o Legislativo altamente envolvidos nas questões da Odebrecht, de acordo com as delações no âmbito da Operação Lava Jato. Tem-se aí pelo menos uns 30 anos em que a Odebrecht ganha praticamente todas as ações na Justiça”, afirmou.

“O Judiciário nunca toma uma posição contrária à empresa? Será que o Judiciário é o mais correto dos poderes? Em todas essas inúmeras licitações que a Odebrecht já ganhou no Brasil nunca a Justiça encontrou nada suspeito sem que precisasse alguém denunciar”.

A classe política está na lata do lixo. Um salvador da pátria tem tudo para emergir. Se não Bolsonaro, que é uma besta, eventualmente o “gestor” João Doria. Vai depender do que decidirem os donos togados do Brasil.

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Galo e Leão se enfrentam hoje em Tucuruí Lista de Janot mira na classe política e alveja a democracia

3 Comentários Add your own

  • 1. anisioluiz2008  |  12 de abril de 2017 às 12:51

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

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  • 2. fernando pina  |  12 de abril de 2017 às 12:56

    “Edgar, le Brésil n’est pas un pays sérieux”.
    Charles de Gaulle?!
    “É impossível levar a sério essa delação caso não mencione um magistrado sequer”. Eliana Calmon.
    É meritíssima, a delação não incluiu nenhum magistrado.

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  • 3. Antonio Oliveira  |  12 de abril de 2017 às 16:32

    Bom, pelo menos, agora, já ultrapassamos a fase do psdb e do aécio. Os reclamos, agora, é porque faltam os representantes do judiciário.

    A lavajato, agora, não presta porque não afetou ninguém do judiciário.

    A galera nunca fica satisfeita.

    Mas, isso é bom,

    A evolução só acontece num clima de insatisfação.

    A zona de conforto não leva a nada.

    Quer dizer… Pelo menos, não levava, né.

    Isso porque, agora, ouvindo o odebrecht filho dizer que dava conforto a este, dava conforto àquele e dava conforto aquele outro, quer me parecer, que o empreiteiro jr. encontrou um novo significado, bem mais confortável, para a tal zona de conforto.

    Pelo menos é mais suave do que pixuleco, acarajé etc.

    A propósito, acho natural que até aqui, não tenha, ainda, surgido nenhuma delação ou mesmo denúncia de confortos dados ao membros do judiciário (surgiu o boato de que o ex carioca teria passado o cerol em todo o mundo deste setor, mas, não foi adiante, ainda).

    Sim, mas, acho natural porque, até onde se sabe, nunca houve necessidade de levar nenhum caso para a justiça.

    As licitações eram todas acertadas entre os concorrentes de modo que ninguém saísse perdendo. E ninguém saindo perdendo, ninguém reclama, ninguém vai à justiça.

    Quando se queria alguma vantagem que dependesse de lei, primeiro se acertava no executivo e ganhava uma provisória, depois se acertava no legislativo e conseguia a lei. E, estando todo o mundo confortavelmente atendido, não havia porque reclamar, ir á justiça etc.

    Quer dizer se todo mundo tava feliz, não tinha motivo de ir pra justiça. E se ninguém ia à justiça não tinha com envolver os que la estavam.

    Até porque, como o empreiteiro filho disse, quando a justiça decidia alguma que lhes deixava com passivo alto, eles iam confortavam o executivo e o legislativo e estes resolviam tudo.

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