Um instante, maestro!

19 de março de 2017 at 11:40 3 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Nenhum time consegue sobreviver sem um meia-armador de respeito, capaz de estabilizar as linhas e fazer a ligação entre os diversos setores. Os esquemas mudam com o passar do tempo, os técnicos inventam subsistemas para impressionar incautos, mas a verdade continua imutável: o futebol não arranjou um jeito de substituir o maestro.

Como nas orquestras e big bands do passado, não é possível fazer show, concertou baile sem que um maestro comande a cena. Ainda na comparação musical, é possível considerar que o camisa 10 seja o guitarrista solo das grandes bandas de rock. Sua presença, tão forte e dominante, por vezes obscurece os demais instrumentistas.

Desde que o futebol passou a ter regras e diretrizes, a distribuição de uma equipe em campo depende da visão de um organizador no meio. É quem dá ritmo às ações, corrige imperfeições de passe e usa a técnica privilegiada para resolver as coisas lá na frente.

Dá para contar nos dedos o número de grandes equipes que sobreviveram à falta de um maestro na companhia. Nem sempre esse jogador tão fundamental precisa trazer nas costas a mítica camisa 10. Johan Cruyff usava o 14 na camiseta, mas era indiscutivelmente o formulador e executor das múltiplas valências do Carrossel Holandês de 1974.

Antes, na Copa de 70, Pelé era o dono da camisa 10 emoldurando com sua genialidade as evoluções do timaço brasileiro em campos do México. A safra era tão boa que, além do Rei, havia Gerson, a distribuir lançamentos de até 40 metros com fantástica perícia.

Talvez só aquele Brasil de 1994 tenha sido capaz de atingir o topo do mundo dispensando um especialista na criação. Parreira povoou o setor com volantes e armandinhos enceradeiras – Dunga, Mazinho e Zinho. Por sorte, a linha de frente compensava a aridez do meio com dois atacantes fenomenais no auge da forma, Romário e Bebeto.

Guardadas as devidas proporções históricas, Leão e Papão têm hoje bons homens de criação, competentes e capazes de tornar o jogo mais bonito e fácil. Diogo Oliveira ainda tenta se adaptar ao sistema elaborado por Marcelo Chamusca na Curuzu. Eduardo Ramos retornou há duas semanas e já se encaixou na engrenagem idealizada por Josué Teixeira. Cada um, à sua maneira, terá ainda grande serventia para seus times. Afinal de contas, felizes os que podem dispor de um maestro para chamar de seu.

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Papão classifica, mas torcida perde a calma

Aconteceu de tudo na sexta à noite na Curuzu. Sandálias arremassadas ao gramado, dois golaços, atuações sofríveis dos dois times e uma arbitragem atrapalhada. O Papão se classificou, mas o torcedor não engoliu a pálida apresentação do time, que saiu vaiado apesar da vitória.

O Papão repetiu problemas já conhecidos. Falta de criatividade, presença quase decorativa dos laterais e uma dificuldade tremenda para vencer o bloqueio defensivo do adversário. O semiamador Galvez nem precisou de muito esforço para dificultar a vida dos bicolores.

Apesar dos atropelos, a vitória começou a ser construída no 1º tempo com bonito gol de Diogo Oliveira, chutando da intermediária, e foi confirmada com outro golaço (de Bergson) nos acréscimos. Nem os gols salvaram a noite, comprometida pelos muitos vacilos do time.

Sem a intensidade prometida, o Papão aceitou passivamente a pressão do visitante. Um minuto antes de Bergson definir o placar, entrada faltosa do zagueiro Lombardi dentro da área poderia ter mudado a história do jogo e da classificação. O árbitro não deu o pênalti reclamado pelos acreanos.

O fato é que a torcida não gostou do que viu, cobrou mais qualidade, sem esquecer de criticar Marcelo Chamusca, que continua a ter seu trabalho questionado – mesmo com seis partidas invictas e sem tomar gol.

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Bola na Torre

Eduardo Ramos (CR) e Diogo Oliveira (PSC) são os convidados desta noite. O programa começa às 20h45, na RBATV, sob o comando de Guilherme Guerreiro.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 19)

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Rock na madrugada – Chuck Berry, Nadine Capa do Bola – domingo, 19

3 Comentários Add your own

  • 1. Antonio Valentim  |  19 de março de 2017 às 11:57

    “Um instante, maestro!”, expressão criada pelo falecido apresentador Flávio Cavalcante.

    Concordo com a necessidade de um maestro, um organizador, o “camisa 10”. Eduardo Ramos, se não uma unanimidade, é o maestro do Clube do Remo.

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  • 2. Antonio Valentim  |  19 de março de 2017 às 12:09

    Ora, amigo Gerson, vai se aproximando o final do jogo e o resultado mínimo dá ao time da casa e do coroné a classificação diante do modesto Galvez.

    Que pode passar na cabeça de um árbitro que ainda aspira certamente uma melhor posição na carreira? Talvez fique, em seu íntimo, torcendo para que o time local amplie o marcador ou que termine o jogo logo sem nenhum ataque incisivo (leia-se: perigo de gol) por parte do visitante. Para seu azar, ele se vê num lance capital, em um jogo transmitido para todo o Brasil por uma emissora de tevê, sem nenhuma chance de dizer que foi fora da área, e isso nos minutos finais, onde um gol do Galvez tiraria de forma humilhante o time do poderoso coronel Nunes de uma competição considerada de nível técnico fraco. Então, creio que nem uma fratura exposta garantiria a marcação da penalidade máxima por parte da autoridade máxima em campo.

    O futebol é assim mesmo.

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  • 3. Osvaldo Costa  |  19 de março de 2017 às 19:00

    Deixaste de lado o finado Miguel Pinho, que não tinha como se defender da tua ira, agora viraste tua metralhadora rancorosa pra cima do “coroné” ! Engraçado que os malfeitores são sempre bicolores, como se de outro lado da avenida, só existisse Santo. Esqueceste o que o atual presidente do teu clube aprontava nos anos 70 ? Ou tu achas que os apagões no baenão e “erros de arbitragens” eram coincidências ?

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